Mundo
15/08/2007 - 12h05

Índia celebra 60º aniversário de sua independência

AGUS MORALES
da Efe, em Nova Déli

A Índia comemora hoje o 60º aniversário de sua independência do Reino Unido, e o premiê indiano, Manmohan Singh, aproveitou a festa para pronunciar um discurso no qual atribuiu a força do país à "unidade na diversidade".

Seis décadas depois de Jawaharlal Nehru proclamar, no Forte Vermelho de Nova Déli, a independência da Índia, declarando o fim do domínio do Reino Unido, Singh hasteou a bandeira tricolor no mesmo monumento. O seu discurso adotou como eixo a erradicação da pobreza e a inclusão de todos os setores sociais em um projeto de nação comum.

"Há 60 anos o povo da Índia começou uma nova viagem como país livre, inspirado pela visão e pela mensagem de Mahatma Gandhi. Mas o sonho de Gandhi de uma Índia livre só se tornará totalmente realidade quando acabarmos com a pobreza", disse o primeiro-ministro.

Krishnendu Halder/Reuters
Indianas dançam durante comemoração dos 60 anos da independência da Índia
Indianas dançam durante comemoração dos 60 anos da independência da Índia

Diante uma multidão que soltou balões brancos, verdes e laranjas, cores da bandeira indiana, Singh disse que "o sucesso de uma democracia secular com 1 bilhão de pessoas de tanta diversidade é visto com admiração" no resto do mundo.

"Nossa força reside em nossa unidade na diversidade", afirmou o chefe de governo, que pertence ao histórico Partido do Congresso.

"Nos últimos três anos, esbocei uma nova visão de uma Índia solidária. Uma Índia unida apesar de suas diversidades, sem divisões por razão de casta, credo ou sexo", disse o primeiro-ministro, falando sempre em hindi.

Festa

A cerimônia no Forte Vermelho de Nova Déli começou com um desfile militar. O hino da Índia, composto pelo poeta bengali Rabindranath Tagore, foi executado duas vezes.

As ruas de Déli amanheceram hoje fechadas ao tráfego e sob fortes medidas de segurança. As lojas fecharam as suas portas e a maioria dos moradores preferiu ficar em casa para aproveitar o feriado.

"Já somos uma superpotência", opinou um taxista da capital, quem no entanto lembrou que resta muito a fazer em temas como a desnutrição e o subdesenvolvimento.

Em seu discurso, Singh não escondeu os problemas que afetam o país, como pobreza endêmica, conflitos territoriais e crise energética. Mas apontou a Índia como um país que se consolida como "uma ponte entre os extremos do mundo".

"Nossa cultura é uma viva prova da possibilidade da confluência de civilizações", proclamou.

Discurso

Singh falou da ajudas à agricultura e aos idosos, defendeu com vigor o direito à educação e prometeu programas para as regiões mais instáveis, como a Caxemira. O primeiro-ministro detalhou as medidas governamentais para lutar contra a pobreza e a favor do "aam aadmi" ("homem comum"), o lema com o qual o Partido do Congresso venceu as últimas eleições.

Krishnendu Halder/Reuters
Guaras marcham durante desfile para marcar 60 anos da independência na Índia
Guaras marcham durante desfile para marcar 60 anos da independência na Índia

Apoiado em um crescimento econômico que nos últimos anos esteve na faixa de 9%, Singh, usando seu característico turbante azul, afirmou que a erradicação da pobreza é hoje "um objetivo factível".

Como ministro das Finanças, em 1991, ele comandou um pacote de medidas para liberalizar a economia indiana. Hoje, 16 anos depois, defendeu a "criação de empregos" e o "crescimento econômico sustentado".

Sessenta anos depois do histórico discurso de Nehru, a "Reunião com o destino", Singh repetiu um fragmento do texto de 1947. "As leis e as Constituições não fazem de nós um grande país, e sim o entusiasmo, a energia e o esforço constante do povo", afirmou.

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