Mundo
15/08/2007 - 12h49

Violência no Iraque mata mais de 200 em apenas 24 horas

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da Folha Online

Confrontos ocorridos nesta quarta-feira no Iraque aumentaram o número de mortos em episódios de violência no país para mais de 200 em cerca de 24 horas. Os enfrentamentos, ocorridos nesta manhã entre forças policiais iraquianas e supostos membros da rede terrorista Al Qaeda, mataram 14 pessoas.

Os enfrentamentos entre a polícia iraquiana e supostos membros da Al Qaeda, que duraram cerca de três horas, ocorreram em Buhriz, bairro da cidade de Baquba, 60 km ao noroeste de Bagdá. Dos mortos, oito seriam homens armados e os outros seis eram civis. Outras 20 pessoas ficaram feridas, segundo a polícia local.

Em outra ação violenta ocorrida hoje no país, um carro-bomba explodiu na cidade de Hilla, a cerca de 100 km ao sul de Bagdá, deixando 7 mortos e 7 feridos.

Reuters
Um veículo destruído próximo a ataque suicida em Hilla que deixou 7 mortos nesta quarta-feira
Um veículo destruído próximo a ataque suicida em Hilla que deixou 7 mortos nesta quarta-feira

Os novos episódios de violência ocorrem apenas um dia depois da morte de 200 pessoas na explosão de cinco carros-bomba em uma área residencial onde vivem membros da minoria religiosa Yazidi. A ação, ocorrida entre as vilas de Qahtaniya e Al Jazeera, a oeste de Mossul, no norte do Iraque, também feriu cerca de 300.

O ataque é o segundo mais mortífero no Iraque desde a invansão do país, em março de 2003. O pior atentado registrado desde então ocorreu em novembro de 2006, quando a explosão de seis carros-bomba em diferentes áreas do país matou 215 pessoas e feriu outras 250.

Os EUA afirmaram hoje que suspeitam da ligação da rede terrorista Al Qaeda com os ataques suicidas na região Yazidi. De acordo com o Exército, "ainda é cedo" para atribuir a responsabilidade a algum grupo, mas a "proporção e a natureza coordenada dos atentados" aponta para uma possível ação da rede.

"Consideramos a rede Al Qaeda a principal suspeita", afirmou o porta-voz militar Christopher Garver. Os EUA condenaram os atentados, que qualificaram de "bárbaros".

Após as explosões, autoridades impuseram um toque de recolher em Sinjar, que fica próximo da fronteira com a Síria.

Yazidi

Aparentemente, o alvo dos ataques era a etnia Yazidi, uma pequena comunidade estimada em 500 mil pessoas que se concentra nos arredores de Mossul e adora o anjo Melek Taus, considerado o Demônio para alguns muçulmanos e cristãos.

Arte Folha Online

A etnia vive no norte do Iraque, fala dialeto curdo e possui cultura e religião próprias. Seus integrantes crêem em um Deus criador do mundo e respeitam os profetas da Bíblia e do Alcorão --em particular, Abraão-- mas veneram principalmente Malak Taus, que dirige os arcanjos e é com freqüência representado por um pavão.

Membros do grupo são alvos freqüentes de violência no norte do Iraque. Em abril último, uma adolescente yazidi, Duaa Khalil Aswad, 17, foi morta por estar apaixonada por um muçulmano. O vídeo de seu linchamento foi divulgado na internet. No mesmo mês, 23 membros da minoria foram mortos a tiros.

Não ao Iraque

Um soldado americano que confessou ter pago US$ 500 (cerca de R$ 995) para que alguém atirasse em sua perna e não tivesse que retornar ao Iraque foi absolvido por um tribunal em Nova York.

"Eu estava esperando o melhor, mas preparado para o pior", disse o soldado Jonathan Aponte, 21, ao jornal "The Daily News", de Nova York. "Eu fui ao júri e falei a verdade e acho que eles tiveram simpatia por mim", afirmou.

Arte Folha Online

Aponte alegou que foi roubado e atingido em 9 de julho, mas mudou a história quando questionado pela polícia. Ele deveria retornar ao país do Oriente Médio para oito meses de missão.

Ele disse que havia brincado com a mulher dizendo que, se fosse atingido por uma bala na perna, não teria de voltar ao Iraque.

A mulher, Alexandra Gonzalez, 22, levou a sugestão a sério e disse que conhecia alguém que poderia fazer o serviço.

O soldado foi acusado de mentir sobre um incidente entre outras acusações e poderia ficar até um ano preso.

Operação

Os violentos ataques de ontem ocorreram no mesmo dia em que tropas americanas e iraquianas lançaram uma ampla ofensiva para deter a ação insurgente no país. A operação conta com 16 mil homens.

O general Benjamin Mixon, comandante das forças americanas no norte do Iraque, afirmou que as tropas tentam capturar células da rede Al Qaeda que se esconderam na região após ofensivas anteriores.

"Nosso principal objetivo é eliminar as organizações terroristas (...) e mostrar a elas que não há local seguro --especialmente em Diyala", disse Mixon em um comunicado.

"Essa violência indiscriminada intensifica nossa determinação na missão contra os terroristas que atormentam o povo iraquiano", disseram, em um comunicado conjunto, o embaixador americano para o Iraque, Ryan Crocker, e o comandante militar General David Petraeus.

Com Associated Press e Reuters

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