Mundo
15/08/2007 - 15h37

Madeleine rejeitará os pais caso seja encontrada, diz psicóloga

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da Ansa, em Londres

A garota britânica de 4 anos desaparecida em Portugal, Madeleine McCann, rejeitará seus pais caso apareça com vida, disse nesta quarta-feira uma especialista em psicologia infantil.

Ruth Coppard, uma das principais psicólogas infantis da Inglaterra, afirmou que caso Maddie apareça viva algum dia, no princípio ela odiará os pais, os médicos Gerry e Kate Mc Cann, por a terem deixado abandonada, e poderá rejeitá-los.

No entanto, com o tempo de adaptação, poderia começar a gostar deles como no passado.

AP
Madeleine McCann, 4, desapareceu em 3 de maio em um quarto de hotel em Portugal
Madeleine McCann, 4, desapareceu em 3 de maio em um quarto de hotel em Portugal

Madeleine desapareceu no último 3 de maio quando dormia ao lado do irmãos gêmeos, Sean e Amelie, de dois anos, em um quarto de hotel no complexo hoteleiro de Ocean Club, na praia da Luz, sul de Portugal. Seus pais jantavam com amigos em um restaurante próximo.

Apesar das recentes versões da imprensa portuguesa de que a garota teria sido assassinada no mesmo apartamento onde desapareceu, os pais de Maddie, Kate e Gerry McCann, mantêm as esperanças de encontrá-la com vida.

Segundo Ruth, ainda que Maddie sobreviva ao seqüestro, ela "poderia ficar tão perturbada psicologicamente que talvez perca o vínculo natural com os pais".

"A criança constrói um vínculo muito forte com seus pais e se esse vínculo se perder por alguma razão, ela se sente totalmente traída", acrescentou. "Com Madeleine haverá definitivamente um sentimento de dor e traição, e existe a possibilidade de que ela possa sentir muito ódio e ressentimento contra os pais", continuou a psicóloga.

Segundo Ruth, se a garota voltar para a família "não será o caso de voltar de imediato às velhas rotinas. Será preciso um grande esforço de pessoas próximas a garota para reconstruir esse vínculo. Esse processo poderia levar meses, e até anos", ressaltou.

Para a especialista "quanto mais tempo Maddie estiver desaparecida, mais provável que ela se esqueça de seus pais para sempre". "As crianças querem ser amadas e, com isso, buscam as pessoas próximas para receber afeto. Ela talvez relembre de que foi feliz nos primeiros 3 ou 4 anos de sua vida, mas é muito provável que não se lembre de seus pais".

Se Madeleine estiver com outra família que cuide bem dela, ela "poderá construir eventualmente um vínculo emocional com esses pais".

Desaparecimento

A garota britânica está desaparecida há 104 dias e, segundo a polícia portuguesa, existem "fortes indícios" de que tenha sido morta no mesmo quarto onde desapareceu, como conseqüência de um homicídio ou de um acidente fatal.

Um laboratório em Birmingham, no centro da Inglaterra, anunciará nesta semana os resultados das análises do sangue, cabelo e tecidos achados no apartamento dos McCann no complexo de Ocean Club, o que poderia ajudar a esclarecer a investigação policial.

Segundo o jornal "Daily Mirror", a polícia portuguesa crê que os resultados de laboratório "não darão conclusões", já que o sangue "é muito improvável" que seja de Madeleine.

Pais

Os pais da menina afirmaram hoje que irão pedir uma "explicação imediata" à polícia portuguesa para saber o motivo pelo qual os investigadores dizem considerar de forma unânime que a filha do casal está morta.

Virgilio Rodrigues/Reuters
Gerry e Kate McCann, pais de Madeleine; polícia reitera que casal não é suspeito
Gerry e Kate McCann, pais de Madeleine; polícia reitera que casal não é suspeito

Os dois médicos britânicos, de 38 e 39 anos respectivamente, afirmaram que se sentem "furiosos" por terem sido mantidos "nas sombras" da investigação policial, que desde os últimos dias analisa a teoria de homicídio ou de um acidente fatal da menina.

"Creio que como pais, se existem evidências que temos que conhecer, então elas devem ser apresentadas para nós", declarou o pai de Madeleine. Os detetives portugueses suspenderam as investigações, até que sejam revelados os resultados de laboratório de algumas amostras de sangue suspeitas achadas no quarto onde estava Madeleine.

A polícia portuguesa reafirmou na noite desta terça-feira que os pais de Madeleine não são considerados suspeitos de envolvimento no caso nesta fase da investigação.

"Já dissemos isto e vamos repetir. No momento, os pais não são suspeitos", declarou Olegario Sousa, porta-voz da polícia portuguesa, à rede de TV Sic.

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