Mundo
16/08/2007 - 16h28

Mortos no Peru são mais de 430; terremoto chegou a 8 graus

da Folha Online

Os mortos no terremoto que atingiu ontem o Peru chegaram a 437, segundo o mais recente balanço divulgado pela Defesa Civil peruana. Ao menos outras 1.350 pessoas ficaram feridas.

O Centro Geológico de Pesquisas dos Estados Unidos também informou que o tremor chegou a 8 graus na escala Richter --um pouco acima dos 7,9 graus que haviam sido anunciados. Ao menos 15 tremores de até 6,3 graus seguiram o primeiro abalo.

Arte Folha Online

As áreas de maior destruição foram a cidade portuária de Pisco, ao sudeste de Lima, onde se localizou o epicentro do terremoto, e a cidade de Ica, que fica próxima de uma área desértica no leste do país. Segundo o prefeito de Pisco, ao menos 200 pessoas que assistiam a uma missa foram soterradas pelos escombros de uma igreja que veio abaixo após o forte tremor.

"Há dezenas de mortos nas ruas", afirmou o prefeito, Juan Mendoza, à rádio peruana CPN. "Não temos eletricidade, água nem meios de comunicação. Muitas casas ruíram. Igrejas, lojas e hotéis, tudo foi destruída", lamentou o prefeito da cidade.

Em Ica, cidade de 120 mil habitantes, cerca de 25% das construções ruíram e ao menos 57 corpos foram levados para o necrotério. Feridos e familiares lotaram os hospitais. Muitas igrejas da cidade desabaram, entre elas uma construção histórica. O tremor causou corte de energia elétrica e de serviços de telefonia celular entre a capital e a área de maior desastre.

Centenas de policiais, soldados e médicos foram enviados para as regiões afetadas, mas o tráfego ficou paralisado em vários pontos devido a queda de fiações elétricas ao sul de Lima.

De acordo com o presidente peruano, Alan Garcia, a pior destruição ocorreu em Canete, Chincha e Ica. "Nós decretamos estado de emergência no Departamento de Ica para garantir que os governos regionais e os ministérios possam resolver rapidamente os problemas".

Capital

Em Lima, a cerca de 150 km do epicentro do tremor, foi registrada apenas uma morte. No entanto, o forte tremor, que durou cerca de dois minutos, causou pânico nas ruas da capital.

O executivo brasileiro Juliano Cardoso, 38, relatou à Folha Online por telefone os momentos assustadores que passou na noite desta quarta-feira, ao vivenciar o terremoto.

Pilar Olivares/Reuters
Parentes de vítimas se abraçam após terremoto que matou mais de 430 pessoas no Peru
Parentes de vítimas se abraçam após terremoto que matou mais de 430 pessoas no Peru

"Fui testemunha de tremores por 30 ou 40 vezes no Chile, onde vivo há 4 anos, mas nunca vivi um terremoto como este", disse Cardoso, responsável por operações de uma empresa de certificação no Chile e no Peru, por telefone de Lima à Folha Online. No momento do terremoto, Cardoso estava no aeroporto da capital.

"Esta foi a experiência foi a mais assustadora que já tive", afirmou Gladys Tarnawiecki à rede de TV CNN de sua casa em Lima. "Foi extremamente longa, nunca havia passado por isso."

Foi um caos", afirmou Fernando Calderon, cidadão americano que visitava o Peru.

"Todos começaram a gritar e a correr, com medo que de os prédios começassem a cair".

"Foi uma experiência horrível, porque não houve nenhum aviso", acrescentou.

Ajuda

O governo dos Estados Unidos afirmou que "está pronto" para oferecer ajuda ao Peru nos trabalhos de resgate e nas demais necessidades após o terremoto, informou a Casa Branca.

Enrique Castro Mendivil/Reuters
Homem caminha sobre escombros de muro danificado no porto de Callao, em Lima
Homem caminha sobre escombros de muro danificado no porto de Callao, em Lima

Em entrevista coletiva, um porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, disse que o presidente George W. Bush foi informado do terremoto hoje e, ao lado da mulher, Laura, enviou condolências aos parentes das vítimas do desastre. "Os Estados Unidos estão prontos para ajudar o Peru e dispostos a fornecer assistência segundo as necessidades identificadas pelo governo do Peru e as equipes americanos no local", assinalou Johndroe.

Segundo o porta-voz, os EUA têm equipes da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em Lima que estão avaliando a situação e colaboram em conjunto com as autoridades peruanas. Além disso, as autoridades americanas contam com equipes de busca e socorro disponíveis no local, caso seja necessário, acrescentou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente do Peru, Alan García Pérez, e prometeu enviar ajuda humanitária, medicamentos, tendas e alimentos não-perecíveis.

Vôos de resgate também foram enviados ao Peru por autoridades da Colômbia e do Panamá, mas não ficou claro quando eles chegarão às áreas destruídas.

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