Mortos no Peru são mais de 430; terremoto chegou a 8 graus
da Folha Online
Os mortos no terremoto que atingiu ontem o Peru chegaram a 437, segundo o mais recente balanço divulgado pela Defesa Civil peruana. Ao menos outras 1.350 pessoas ficaram feridas.
O Centro Geológico de Pesquisas dos Estados Unidos também informou que o tremor chegou a 8 graus na escala Richter --um pouco acima dos 7,9 graus que haviam sido anunciados. Ao menos 15 tremores de até 6,3 graus seguiram o primeiro abalo.
| Arte Folha Online |
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As áreas de maior destruição foram a cidade portuária de Pisco, ao sudeste de Lima, onde se localizou o epicentro do terremoto, e a cidade de Ica, que fica próxima de uma área desértica no leste do país. Segundo o prefeito de Pisco, ao menos 200 pessoas que assistiam a uma missa foram soterradas pelos escombros de uma igreja que veio abaixo após o forte tremor.
"Há dezenas de mortos nas ruas", afirmou o prefeito, Juan Mendoza, à rádio peruana CPN. "Não temos eletricidade, água nem meios de comunicação. Muitas casas ruíram. Igrejas, lojas e hotéis, tudo foi destruída", lamentou o prefeito da cidade.
Em Ica, cidade de 120 mil habitantes, cerca de 25% das construções ruíram e ao menos 57 corpos foram levados para o necrotério. Feridos e familiares lotaram os hospitais. Muitas igrejas da cidade desabaram, entre elas uma construção histórica. O tremor causou corte de energia elétrica e de serviços de telefonia celular entre a capital e a área de maior desastre.
Centenas de policiais, soldados e médicos foram enviados para as regiões afetadas, mas o tráfego ficou paralisado em vários pontos devido a queda de fiações elétricas ao sul de Lima.
De acordo com o presidente peruano, Alan Garcia, a pior destruição ocorreu em Canete, Chincha e Ica. "Nós decretamos estado de emergência no Departamento de Ica para garantir que os governos regionais e os ministérios possam resolver rapidamente os problemas".
Capital
Em Lima, a cerca de 150 km do epicentro do tremor, foi registrada apenas uma morte. No entanto, o forte tremor, que durou cerca de dois minutos, causou pânico nas ruas da capital.
O executivo brasileiro Juliano Cardoso, 38, relatou à Folha Online por telefone os momentos assustadores que passou na noite desta quarta-feira, ao vivenciar o terremoto.
| Pilar Olivares/Reuters |
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| Parentes de vítimas se abraçam após terremoto que matou mais de 430 pessoas no Peru |
"Fui testemunha de tremores por 30 ou 40 vezes no Chile, onde vivo há 4 anos, mas nunca vivi um terremoto como este", disse Cardoso, responsável por operações de uma empresa de certificação no Chile e no Peru, por telefone de Lima à Folha Online. No momento do terremoto, Cardoso estava no aeroporto da capital.
"Esta foi a experiência foi a mais assustadora que já tive", afirmou Gladys Tarnawiecki à rede de TV CNN de sua casa em Lima. "Foi extremamente longa, nunca havia passado por isso."
Foi um caos", afirmou Fernando Calderon, cidadão americano que visitava o Peru.
"Todos começaram a gritar e a correr, com medo que de os prédios começassem a cair".
"Foi uma experiência horrível, porque não houve nenhum aviso", acrescentou.
Ajuda
O governo dos Estados Unidos afirmou que "está pronto" para oferecer ajuda ao Peru nos trabalhos de resgate e nas demais necessidades após o terremoto, informou a Casa Branca.
| Enrique Castro Mendivil/Reuters |
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| Homem caminha sobre escombros de muro danificado no porto de Callao, em Lima |
Em entrevista coletiva, um porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, disse que o presidente George W. Bush foi informado do terremoto hoje e, ao lado da mulher, Laura, enviou condolências aos parentes das vítimas do desastre. "Os Estados Unidos estão prontos para ajudar o Peru e dispostos a fornecer assistência segundo as necessidades identificadas pelo governo do Peru e as equipes americanos no local", assinalou Johndroe.
Segundo o porta-voz, os EUA têm equipes da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em Lima que estão avaliando a situação e colaboram em conjunto com as autoridades peruanas. Além disso, as autoridades americanas contam com equipes de busca e socorro disponíveis no local, caso seja necessário, acrescentou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente do Peru, Alan García Pérez, e prometeu enviar ajuda humanitária, medicamentos, tendas e alimentos não-perecíveis.
Vôos de resgate também foram enviados ao Peru por autoridades da Colômbia e do Panamá, mas não ficou claro quando eles chegarão às áreas destruídas.
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