Peru já conta 510 mortos por terremoto e 85 mil desabrigados
da Folha Online
da Efe
O terremoto de 8 graus na escala Richter que assolou a costa do Peru na quarta-feira (15) deixou pelo menos 85 mil desabrigados, além de 510 mortos, segundo bombeiros voluntários citados hoje pela rede de TV peruana "América".
Os números oficiais da defesa civil são de 437 mortos. Mas o canal de televisão diz que foram 510, e que os feridos superam os 1.500. Além disso, as equipes de resgate calculam em 85 mil os desabrigados pelo terremoto, que causou graves danos nas localidades de Pisco, Ica, Chincha e Paracas.
O Instituto Nacional de Defesa Civil (Indeci) relatou que, até o momento, 16.669 casas destruídas foram computadas nas regiões de Ica, Lima, Junín e Huancavelica.
Após este terremoto o Peru registrou pelo menos 368 réplicas, segundo o Instituto Geofísico.
O governo mexicano enviará nesta sexta-feira um avião Hércules C130 da Força Aérea ao aeroporto militar de Pisco. O vôo levará "o primeiro pacote de ajuda humanitária do México" aos desabrigados, informou ontem a Chancelaria mexicana.
O pacote inclui quatro purificadores de água com capacidade de 3.500 litros por hora cada um, além de dois técnicos da Comissão Nacional de Água, uma brigada de 23 médicos, enfermeiras e especialistas em epidemiologia.
Também serão enviados remédios e material de abrigo para a população, disse a Chancelaria.
Áreas mais afetadas
As áreas de maior destruição foram a cidade portuária de Pisco, ao sudeste de Lima, onde se localizou o epicentro do terremoto, e a cidade de Ica, que fica próxima a uma área desértica, no leste do país. Segundo o prefeito de Pisco, ao menos 200 pessoas que assistiam a uma missa foram soterradas pelos escombros de uma igreja que veio abaixo após o forte tremor.
"Há dezenas de mortos nas ruas", afirmou o prefeito, Juan Mendoza, à rádio peruana CPN. "Não temos eletricidade, água nem meios de comunicação. Muitas casas ruíram. Igrejas, lojas e hotéis, tudo foi destruído", lamentou o prefeito da cidade.
Em Ica, cidade de 120 mil habitantes, cerca de 25% das construções ruíram e ao menos 57 corpos foram levados para o necrotério. Feridos e familiares lotaram os hospitais. Muitas igrejas da cidade desabaram, entre elas uma construção histórica. O tremor causou corte de energia elétrica e de serviços de telefonia celular entre a capital e a área onde o desastre foi maior.
Centenas de policiais, soldados e médicos foram enviados para as regiões afetadas, mas o tráfego ficou paralisado em vários pontos devido à queda de fiações elétricas ao sul de Lima.
De acordo com o presidente peruano, Alan Garcia, a pior destruição ocorreu em Canete, Chincha e Ica. "Nós decretamos estado de emergência no Departamento de Ica para garantir que os governos regionais e os ministérios possam resolver rapidamente os problemas".
Em Lima, a cerca de 150 km do epicentro do tremor, foi registrada apenas uma morte. No entanto, o forte tremor, que durou cerca de dois minutos, causou pânico nas ruas da capital.
Ajuda
O governo dos Estados Unidos ofereceu ajuda de US$ 200 mil (mais de R$ 400 mil) ao Peru para os trabalhos de resgate e nas demais necessidades após o terremoto, informou a Casa Branca.
Em entrevista coletiva, um porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe, disse que o presidente George W. Bush foi informado do terremoto hoje e, ao lado da mulher, Laura, enviou condolências aos parentes das vítimas do desastre. Bush também colocou à disposição os 800 médicos lotados em uma base americana no Equador para se deslocarem ao Peru, caso seja necessário.
Segundo o porta-voz, os EUA têm equipes da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em Lima que estão avaliando a situação e colaboram em conjunto com as autoridades peruanas. Além disso, as autoridades americanas contam com equipes de busca e socorro disponíveis no local, caso seja necessário, acrescentou.
Vôos de resgate foram enviados ao Peru por autoridades da Colômbia e do Panamá, mas não ficou claro quando eles chegarão às áreas destruídas.
A ONU anunciou que arrecadou US$ 1 milhão (mais de R$ 2 milhões) para enviar à região. A União Européia anunciou que disponibilizará US$ 1,34 milhão (mais de R$ 2,8 milhões) para a área afetada.
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