Mundo
17/08/2007 - 08h28

Mortos em terremoto ultrapassam 500 no Peru

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da Folha Online

Equipes de resgate procuram sobreviventes do terremoto de 8 graus na escala Richter que matou mais de 500 no Peru na quarta-feira (15), em um dos piores desastres naturais dos últimos cem anos na América do Sul. Hospitais e necrotérios estão lotados.

Ao menos 510 mortos e mil feridos foram confirmados pelas autoridades locais peruanas.

O tremor foi o pior a atingir o Peru desde 1970, quando 50 mil pessoas morreram após avalanches de gelo e deslizamentos de terra causadas por um tremor na cidade de Yungay.

Mais de 24 horas após o terremoto, uma série tremores menores causaram pânico entre os moradores das cidades mais atingidas, ao sul da capital, Lima. O Instituto Geológico do Peru registrou mais de 325 réplicas do terremoto até o início da tarde desta quinta-feira.

Arte Folha Online

Equipes de resgate ainda tentam achar sobreviventes em uma igreja na cidade de Pisco. Ao menos 200 corpos foram encontrados no prédio, que estava lotado de fiéis que assistiam a uma missa. "Continuaremos a procurar por corpos e sobreviventes", afirmou Felipe Aguilar, diretor das equipes de resgate do Exército na cidade. "Isso é prioridade agora, porque conseguimos retirar uma pessoa viva dos escombros".

Centenas de pessoas se aglomeraram no local onde ficava a igreja que desabou. A cidade, que tem cerca de 120 mil habitantes, ficou sem energia elétrica e sem linhas telefônicas.

Muitas rodovias também foram interditadas em Pisco, ao sudeste de Lima, onde se localizou o epicentro do terremoto. As cidades de Ica e Chincha também foram muito atingidas.

Em Ica, cerca de 25% das construções ruíram e ao menos 57 corpos foram levados para o necrotério. Feridos e familiares lotaram os hospitais. Muitas igrejas da cidade desabaram, entre elas uma construção histórica. O tremor causou corte de energia elétrica e de serviços de telefonia celular entre a capital e a área onde ocorreu desastre foi maior.

O presidente peruano, Alan Garcia, visitou as áreas mais atingidas nesta quinta-feira e enviou condolências às famílias das vítimas. Em Lima, foi declarado luto oficial de três dias.

Capital

Em Lima, a cerca de 150 km do epicentro do tremor, foi registrada apenas uma morte. No entanto, o forte tremor, que durou cerca de dois minutos, causou pânico nas ruas da capital.

O executivo brasileiro Juliano Cardoso, 38, relatou à Folha Online por telefone os momentos assustadores que passou na noite de quarta-feira, ao vivenciar o terremoto.

"Fui testemunha de tremores por 30 ou 40 vezes no Chile, onde vivo há 4 anos, mas nunca vivi um terremoto como este", disse Cardoso, responsável por operações de uma empresa de certificação no Chile e no Peru, por telefone de Lima à Folha Online. No momento do terremoto, Cardoso estava no aeroporto da capital.

"Esta foi a experiência mais assustadora que já tive", afirmou Gladys Tarnawiecki à rede de TV CNN de sua casa, em Lima. "Foi extremamente longa, nunca havia passado por isso."

Foi um caos", afirmou Fernando Calderon, cidadão americano que visitava o Peru.

"Todos começaram a gritar e a correr, com medo que de os prédios começassem a cair".

"Foi uma experiência horrível, porque não houve nenhum aviso", acrescentou.

A peruana Lizzete Najarro, 37, afirmou à Folha Online que as rádios locais ajudaram na busca por familiares, pois a comunicação com as localidades mais atingidas ainda é muito difícil.

Ajuda

O governo dos Estados Unidos ofereceu ajuda de US$ 100 mil (mais de R$ 200 mil) ao Peru para os trabalhos de resgate e nas demais necessidades após o terremoto, informou a Casa Branca. Bush também colocou à disposição os 800 médicos lotados em uma base americana no Equador para se deslocarem ao Peru, caso seja necessário.

Segundo o porta-voz, os EUA têm equipes da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em Lima que estão avaliando a situação e colaboram em conjunto com as autoridades peruanas. Além disso, as autoridades americanas contam com equipes de busca e socorro disponíveis no local, caso seja necessário, acrescentou.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente do Peru, Alan García, e prometeu enviar ajuda humanitária, medicamentos, tendas e alimentos não-perecíveis.

Vôos de resgate também foram enviados ao Peru por autoridades da Colômbia e do Panamá, mas não ficou claro quando eles chegarão às áreas destruídas.

A ONU anunciou que arrecadou US$ 1 milhão (mais de R$ 2 milhões) para enviar à região. A União Européia anunciou que disponibilizará US$ 1,34 milhão (mais de R$ 2, 8 milhões) para a área afetada.

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