Mortos em terremoto ultrapassam 500 no Peru
da Folha Online
Equipes de resgate procuram sobreviventes do terremoto de 8 graus na escala Richter que matou mais de 500 no Peru na quarta-feira (15), em um dos piores desastres naturais dos últimos cem anos na América do Sul. Hospitais e necrotérios estão lotados.
Ao menos 510 mortos e mil feridos foram confirmados pelas autoridades locais peruanas.
O tremor foi o pior a atingir o Peru desde 1970, quando 50 mil pessoas morreram após avalanches de gelo e deslizamentos de terra causadas por um tremor na cidade de Yungay.
Mais de 24 horas após o terremoto, uma série tremores menores causaram pânico entre os moradores das cidades mais atingidas, ao sul da capital, Lima. O Instituto Geológico do Peru registrou mais de 325 réplicas do terremoto até o início da tarde desta quinta-feira.
| Arte Folha Online |
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Equipes de resgate ainda tentam achar sobreviventes em uma igreja na cidade de Pisco. Ao menos 200 corpos foram encontrados no prédio, que estava lotado de fiéis que assistiam a uma missa. "Continuaremos a procurar por corpos e sobreviventes", afirmou Felipe Aguilar, diretor das equipes de resgate do Exército na cidade. "Isso é prioridade agora, porque conseguimos retirar uma pessoa viva dos escombros".
Centenas de pessoas se aglomeraram no local onde ficava a igreja que desabou. A cidade, que tem cerca de 120 mil habitantes, ficou sem energia elétrica e sem linhas telefônicas.
Muitas rodovias também foram interditadas em Pisco, ao sudeste de Lima, onde se localizou o epicentro do terremoto. As cidades de Ica e Chincha também foram muito atingidas.
Em Ica, cerca de 25% das construções ruíram e ao menos 57 corpos foram levados para o necrotério. Feridos e familiares lotaram os hospitais. Muitas igrejas da cidade desabaram, entre elas uma construção histórica. O tremor causou corte de energia elétrica e de serviços de telefonia celular entre a capital e a área onde ocorreu desastre foi maior.
O presidente peruano, Alan Garcia, visitou as áreas mais atingidas nesta quinta-feira e enviou condolências às famílias das vítimas. Em Lima, foi declarado luto oficial de três dias.
Capital
Em Lima, a cerca de 150 km do epicentro do tremor, foi registrada apenas uma morte. No entanto, o forte tremor, que durou cerca de dois minutos, causou pânico nas ruas da capital.
O executivo brasileiro Juliano Cardoso, 38, relatou à Folha Online por telefone os momentos assustadores que passou na noite de quarta-feira, ao vivenciar o terremoto.
"Fui testemunha de tremores por 30 ou 40 vezes no Chile, onde vivo há 4 anos, mas nunca vivi um terremoto como este", disse Cardoso, responsável por operações de uma empresa de certificação no Chile e no Peru, por telefone de Lima à Folha Online. No momento do terremoto, Cardoso estava no aeroporto da capital.
"Esta foi a experiência mais assustadora que já tive", afirmou Gladys Tarnawiecki à rede de TV CNN de sua casa, em Lima. "Foi extremamente longa, nunca havia passado por isso."
Foi um caos", afirmou Fernando Calderon, cidadão americano que visitava o Peru.
"Todos começaram a gritar e a correr, com medo que de os prédios começassem a cair".
"Foi uma experiência horrível, porque não houve nenhum aviso", acrescentou.
A peruana Lizzete Najarro, 37, afirmou à Folha Online que as rádios locais ajudaram na busca por familiares, pois a comunicação com as localidades mais atingidas ainda é muito difícil.
Ajuda
O governo dos Estados Unidos ofereceu ajuda de US$ 100 mil (mais de R$ 200 mil) ao Peru para os trabalhos de resgate e nas demais necessidades após o terremoto, informou a Casa Branca. Bush também colocou à disposição os 800 médicos lotados em uma base americana no Equador para se deslocarem ao Peru, caso seja necessário.
Segundo o porta-voz, os EUA têm equipes da Agência para o Desenvolvimento Internacional (USAID) em Lima que estão avaliando a situação e colaboram em conjunto com as autoridades peruanas. Além disso, as autoridades americanas contam com equipes de busca e socorro disponíveis no local, caso seja necessário, acrescentou.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente do Peru, Alan García, e prometeu enviar ajuda humanitária, medicamentos, tendas e alimentos não-perecíveis.
Vôos de resgate também foram enviados ao Peru por autoridades da Colômbia e do Panamá, mas não ficou claro quando eles chegarão às áreas destruídas.
A ONU anunciou que arrecadou US$ 1 milhão (mais de R$ 2 milhões) para enviar à região. A União Européia anunciou que disponibilizará US$ 1,34 milhão (mais de R$ 2, 8 milhões) para a área afetada.
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