Mundo
17/08/2007 - 13h11

Após tremor que matou mais de 500, presidente peruano pede calma

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da Folha Online

O presidente do Peru, Alan Garcia, pediu calma à população nesta sexta-feira, dois dias depois do terremoto de 8 graus na escala Richter que matou ao menos 510 pessoas no sul do país.

"Ninguém vai morrer de fome ou de sede", afirmou ele, rebatendo as críticas de que a ajuda às vítimas não está chegando com a rapidez necessária. "Em dez dias, já teremos voltado à normalidade", afirmou Garcia, que admitiu, o entanto, que o prazo pode ser estendido.

O líder peruano visitou as áreas mais atingidas nesta quinta-feira e enviou condolências às famílias das vítimas. Em Lima, foi declarado luto oficial de três dias.

Arte Folha Online

O tremor foi o pior a atingir o Peru desde 1970, quando 50 mil pessoas morreram após avalanches de gelo e deslizamentos de terra causadas por um tremor na cidade de Yungay.

Mais de 24 horas após o terremoto, uma série tremores menores causaram pânico entre os moradores das cidades mais atingidas, ao sul da capital, Lima. O Instituto Geológico do Peru registrou mais de 325 réplicas do terremoto até o início da tarde desta quinta-feira.

Equipes de resgate ainda procuram sobreviventes do terremoto, um dos piores desastres naturais dos últimos cem anos na América do Sul. Hospitais e necrotérios estão lotados.

Em Pisco, onde ao menos 200 pessoas que assistiam a uma missa morreram após o desabamento de uma igreja, os trabalhos continuam. "Ainda temos esperança de encontrar alguém com vida", disse o ministro da Saúde, Carlos Vallejos

"Continuaremos a procurar por corpos e sobreviventes", afirmou Felipe Aguilar, diretor das equipes de resgate do Exército na cidade. "Isso é prioridade agora, porque conseguimos retirar uma pessoa viva dos escombros".

Centenas de pessoas se aglomeraram no local onde ficava a igreja que desabou. A cidade, que tem cerca de 120 mil habitantes, ficou sem energia elétrica e sem linhas telefônicas.

Muitas rodovias também foram interditadas em Pisco, ao sudeste de Lima, onde se localizou o epicentro do terremoto. As cidades de Ica e Chincha também foram muito atingidas.

Em Ica, cerca de 25% das construções ruíram e ao menos 57 corpos foram levados para o necrotério. Feridos e familiares lotaram os hospitais. Muitas igrejas da cidade desabaram, entre elas uma construção histórica. O tremor causou corte de energia elétrica e de serviços de telefonia celular entre a capital e a área onde ocorreu desastre foi maior.

Capital

Em Lima, a cerca de 150 km do epicentro do tremor, foi registrada apenas uma morte. No entanto, o forte tremor, que durou cerca de dois minutos, causou pânico nas ruas da capital.

O executivo brasileiro Juliano Cardoso, 38, relatou à Folha Online por telefone os momentos assustadores que passou na noite de quarta-feira, ao vivenciar o terremoto.

"Fui testemunha de tremores por 30 ou 40 vezes no Chile, onde vivo há 4 anos, mas nunca vivi um terremoto como este", disse Cardoso, responsável por operações de uma empresa de certificação no Chile e no Peru, por telefone de Lima à Folha Online. No momento do terremoto, Cardoso estava no aeroporto da capital.

A peruana Lizzete Najarro, 37, afirmou à Folha Online que as rádios locais ajudaram na busca por familiares, pois a comunicação com as localidades mais atingidas ainda é difícil.

"Esta foi a experiência mais assustadora que já tive", afirmou Gladys Tarnawiecki à rede de TV CNN de sua casa, em Lima. "Foi extremamente longa, nunca havia passado por isso."

Foi um caos", afirmou Fernando Calderon, cidadão americano que visitava o Peru.

"Todos começaram a gritar e a correr, com medo que de os prédios começassem a cair".

"Foi uma experiência horrível, porque não houve nenhum aviso", acrescentou.

Ajuda

A ajuda internacional inclui recursos financeiros vindos dos Estados Unidos, da ONU (Organização das Nações Unidas), da Cruz Vermelha e da União Européia (UE), assim como o envio de barracas, água, remédios, alimentos e outros mantimentos.

O governo dos Estados Unidos ofereceu ajuda de US$ 100 mil (mais de R$ 200 mil) ao Peru para os trabalhos de resgate e nas demais necessidades após o terremoto, informou a Casa Branca. Bush também colocou à disposição os 800 médicos lotados em uma base americana no Equador para se deslocarem ao Peru, caso seja necessário.

A ONU anunciou que arrecadou US$ 1 milhão (mais de R$ 2 milhões) para enviar à região. A União Européia anunciou que disponibilizará US$ 1,34 milhão (mais de R$ 2, 8 milhões) para a área afetada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente do Peru, Alan García, e prometeu enviar ajuda humanitária, medicamentos, tendas e alimentos não-perecíveis.

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