Mundo
17/08/2007 - 14h31

Americano diz que saída dos EUA do Iraque abre caminho para Irã

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da Folha Online

O embaixador dos Estados Unidos no Iraque, Ryan Crocker, disse que uma retirada das tropas americanas do país do Oriente Médio poderia abrir caminho para "um maior avanço iraniano" em entrevista à Reuters.

Croker e o comandante das forças americanas no Iraque, general David Petraeus, devem apresentar um relatório ao Congresso em setembro sobre o progresso das frentes políticas e militares no Iraque. O documento deve também estabelecer recomendações para serem seguidas no futuro.

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|(fo1c). Erik de Castro/Reuters|
|Crocker e Petraeus devem elaborar um novo relatório sobre Iraque|
|(fo1l). Crocker e Petraeus devem elaborar um novo relatório sobre Iraque |

Pesquisas de opinião sugerem que os americanos, em sua maioria, não apóiam mais a guerra, que dura quatro anos, e querem a retirada das tropas do Iraque.

Croker já se encontrou com diplomatas iranianos em Bagdá em três ocasiões para falar sobre as preocupações americanas de que o Irã incentive a violência no Iraque. O Irã nega tais acusações.

"Baseado no que eu vi, eu acho que eles estão buscando uma situação na qual possam, de uma maneira ou de outra, controlar e enfraquecer [o Iraque] até um ponto que Teerã possa implementar sua agenda", afirmou.

Estratégia

O Exército dos EUA planeja uma série de ataques rápidos pelo Iraque em busca de radicais islâmicos escondidos em algumas das mais partes mais remotas do país do Oriente Médio.

A nova estratégia foi anunciada pelo tenente-general Ray Odierno nesta sexta-feira. Ele também disse que os comandantes planejam enviar de volta aos Estados Unidos até agosto do próximo ano o reforço de homens que chegou ao Iraque por ordens do presidente dos EUA, George W. Bush.

Após retomar território nas principais cidades de radicais islâmicos nos últimos meses, o Exército agora planeja operações rápidas por todo o pais", afirmou o militar. Ele citou o pior ato de violência desde a invasão do Iraque em 2003 --o atentado que matou cerca de 400 pessoas da minoria Yazidi na última terça-feira (14).

Petr David Josek/AP
Soldado em operação na manhã desta sexta-feira; Exército anuncia nova tática no Iraque
Soldado em operação na manhã desta sexta-feira; Exército anuncia nova tática no Iraque

Em Bagdá, tropas americanas entraram em confronto com rebeldes sunitas nas proximidades de uma mesquita. Um soldado americano morreu na ação, segundo informações do Exército. Michael Donnelly, tenente-coronel, disse que 20 homens foram presos na operação.

As forças americanas no Iraque evitam confrontos diretos em mesquitas. Em geral, segundo o Exército, um cordão de segurança é eito para que as tropas iraquianas entrem neste locais, devido ao caráter sensível de tais postos. O Exército afirma que rebeldes xiiitas e sunitas tomam vantagem desta relutância em atuar nas mesquitas para usá-las como esconderijos de homens e armas.

Iraque

Também hoje, o primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki, viajou para Tikrit --cidade natal do ditador Saddam Hussein, a 130 km ao norte de Bagdá-- para um encontro com líderes tribais sunitas. A visita é parte da tentativa de Maliki de ganhar o apoio deste grupo para seu governo. Ontem, o primeiro-ministro, que é xiita, anunciou uma nova coalizão.

Maliki afirmou que o acordo é um primeiro passo para desbloquear a estagnação política que atingiu o governo, composto por uma maioria de líderes xiitas, desde que chegou ao poder, em maio de 2006. O anúncio veio após três dias de negociações, e a exclusão dos sunitas é significativa, pois justamente o partido do vice-presidente, Tariq al Hashemi, não vai participar da nova coalizão. Hashemi é do moderado Partido Islâmico Iraquiano.

A nova coalizão asseguraria a maioria no Parlamento, de 275 membros. O grupo é formado por dois partidos xiitas, o Conselho Supremo Islâmico Iraquiano e o Dawa, e dois curdos, o União Patriótica do Curdistão e o Partido Democrático do Curdistão. Ao todo, eles possuem 181 cadeiras no Parlamento.

Yazidi

Hospitais no norte do país pediram mais esforços para manter as condições de saúde nos locais, após os atentados da última terça-feira. Kifah Mohammed, diretor do hospital de Sinjar, disse que os corpos começaram a se decompor embaixo dos escombros e que uma tragédia maior pode acontecer se as comunidades atingidas não receberem comida, água e medicamentos em breve.

Mohammed Ibrahim/AP
Atentado em região que vive minoria Yazidi matou 400; doenças apresentam risco agora
Atentado em região que vive minoria Yazidi matou 400; doenças apresentam risco agora

"Nós veremos doenças perigosas e isto vai contagiar áreas próximas", afirmou Mohammed.

Na terça-feira (14), cinco carros-bomba explodiram em uma área residencial onde vivem membros da minoria religiosa Yazidi. A ação, ocorrida em uma área entre as vilas de Qahtaniya e Al Jazeera, a oeste de Mossul, no norte do Iraque, também feriu cerca de 350 pessoas. Após as explosões, autoridades impuseram um toque de recolher em Sinjar, que fica próximo da fronteira com a Síria.

A minoria vive no norte do Iraque, fala dialeto curdo e possui cultura e religião próprias. Seus integrantes crêem em um Deus criador do mundo e respeitam os profetas da Bíblia e do Alcorão --em particular, Abraão-- mas veneram principalmente Malak Taus, que dirige os arcanjos e é com freqüência representado por um pavão.

ONU

Na sede da Organização das Nações Unidas (ONU), em Genebra, na Suíça, um minuto de silêncio foi guardado em memória do atentado de 17 de agosto de 2003 contra o escritório da organização em Bagdá. O brasileiro Sergio Vieira de Mello e outros 22 funcionários da instituição morreram no ataque.

Na sexta-feira (10), o Conselho de Segurança (CS) da ONU aprovou por unanimidade uma resolução que determina a expansão do papel da instituição no Iraque. O papel da ONU estará concentrado em reconciliar os grupos rivais no país, lidar com a crise humanitária e angariar apoio de países vizinhos do Iraque.

A resolução autoriza a ONU a ajudar a promover negociações políticas entre os diversos grupos étnicos e religiosos do país. Os diálogos regionais vão envolver temas como segurança, energia e refugiados.

Os Estados Unidos e o Reino Unido, apoiadores da resolução, disseram que a ONU deveria assumir um papel mais determinante para trazer paz ao Iraque. O argumento dos dois países é de que a organização é vista como uma parte mais neutra e que pode atuar como uma facilitadora de conversas entre diversos grupos.

Com Associated Press, Reuters e Associated Press

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