Mundo
17/08/2007 - 19h03

Ajuda começa a chegar a afetados por terremoto no Peru

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da Folha Online

Dois dias após o terremoto que atingiu 8 graus na escala Richter e deixou 510 mortos no Peru, a ajuda internacional começa a chegar às cidades afetadas, segundo informações da Defesa Civil peruana. O número de 510 pessoas mortas é do Corpo de Bombeiros, que também conta mais de 1.500 feridos.

A Defesa Civil do Peru, em seu último balanço, calcula 445 mortos. O órgão contabilizou até o momento 16.879 construções destruídas e 16.878 danificadas.

Mariana Bazo/Reuters
População começa a enterrar mortos em tragédia no Peru; terremoto matou mais de 500
População começa a enterrar mortos em tragédia no Peru; terremoto matou mais de 500

As Forças Armadas do Peru estabeleceram uma ponte aérea para que a ajuda humanitária destinada à região seja trasladada do aeroporto de Lima para Pisco. As estradas para a região estão muito danificadas em virtude dos abalos sísmicos.

Além de água, alimentos, roupa e medicamentos, os aviões estão levando médicos e sanitaristas.

Mesmo com o início da ajuda internacional chegando ao local, saques foram realizados em diversas cidades. Com o desabastecimento, pessoas enfrentaram filas para conseguir água e comida que estavam sendo distribuídas pelos soldados do Exército do Peru.

Uma outra dificuldade são as viagens, pois com as estradas destruídas, quem faz os trajetos cobra três vezes mais o preço normal para fazer os percursos.

AP
Vista aérea de região devastada pelo terremoto que alcançou 8 graus na escala Richter
Vista aérea de região devastada pelo terremoto que alcançou 8 graus na escala Richter

"Por que nós nos aproveitamos tanto dos outros? Isto é o que machuca", disse Manrique Monsalve, cuja sobrinha morreu quando uma parede caiu sobre ela em Pisco.

José Emilio Torres Mota, pároco da igreja de San Clemente, em Pisco, que caiu durante o terremoto foi resgatado com vida. Ferido, ele machucou a cabeça e o braço e se recupera em uma cadeira de rodas. Ontem, duas outras pessoas foram resgatadas com vida do local de cultos religiosos.

O presidente do Peru, Alan Garcia, pediu calma à população nesta sexta-feira, dois dias depois do terremoto de 8 graus na escala Richter que matou ao menos 510 pessoas no sul do país.

"Ninguém vai morrer de fome ou de sede", afirmou ele, rebatendo as críticas de que a ajuda às vítimas não está chegando com a rapidez necessária. "Em dez dias, já teremos voltado à normalidade", afirmou Garcia, que admitiu, o entanto, que o prazo pode ser estendido.

Dos prisioneiros que fugiram da prisão em Chincha quando uma parede do estabelecimento veio abaixo, 29 foram recapturados. Outros 542 ainda estão livres, segundo as forças de segurança do Peru.

Sem espaço para guardar os corpos, os enterros começaram a ser realizados com rapidez nas cidades atingidas.

Mais tremores

Um forte tremor secundário de 5,9 graus causou pânico entre a população e as equipes de resgate que procuram sobreviventes do terremoto de 8 graus que matou mais de 500 no sul do Peru na quarta-feira (15).

O novo tremor atingiu principalmente a região de Huancavelica, ao sul de Lima, onde destruiu centenas de casas. Não foram registradas mortes no novo terremoto, segundo autoridades.

Karel Navarro/AP
Mais de 16 mil casas foram destruídas no Peru devido ao terremoto da última quarta-feira (15)
Mais de 16 mil casas foram destruídas no Peru devido ao terremoto da última quarta-feira (15)

O tremor de 8 graus foi o pior a atingir o Peru desde 1970, quando 50 mil pessoas morreram após avalanches de gelo e deslizamentos de terra causadas por um tremor na cidade de Yungay.

Ajuda

A ajuda internacional inclui recursos financeiros vindos dos Estados Unidos, da ONU (Organização das Nações Unidas), da Cruz Vermelha e da União Européia (UE), assim como o envio de barracas, água, remédios, alimentos e outros mantimentos.

O governo dos Estados Unidos ofereceu ajuda de US$ 100 mil (mais de R$ 200 mil) ao Peru para os trabalhos de resgate e nas demais necessidades após o terremoto, informou a Casa Branca. Bush também colocou à disposição os 800 médicos lotados em uma base americana no Equador para se deslocarem ao Peru, caso seja necessário.

A ONU anunciou que arrecadou US$ 1 milhão (mais de R$ 2 milhões) para enviar à região. A União Européia anunciou que disponibilizará US$ 1,34 milhão (mais de R$ 2, 8 milhões) para a área afetada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou ao presidente do Peru, Alan García, e prometeu enviar ajuda humanitária, medicamentos, tendas e alimentos não-perecíveis. A Argentina ofereceu doze toneladas de abrigos de emergência e trabalhadores de resgate, entre outros itens.

Com Associated Press e Efe

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