Mundo
17/08/2007 - 21h52

Descendentes pedem desculpas por canibalismo em Papua Nova Guiné

da Ansa, em Sydney

Os descendentes dos canibais de Papua-Nova Guiné --uma ilha no Oceano Pacífico--, que mataram e comeram quatro missionários metodistas de Fiji em 1878, pediram desculpas formais ao país pela ação de seus antepassados.

Uma cerimônia de reconciliação, que também lembrou o 132º aniversário do episódio de canibalismo, aconteceu nesta sexta-feira com a presença de milhares de pessoas na Província de Nova Bretanha do Leste, onde os quatro missionários foram assassinados.

O embaixador de Fiji em Papua-Nova Guiné, Ratu Isoa Tikoca, aceitou as desculpas durante a cerimônia. Velas foram acesas em memória dos quatro, que faziam parte de um grupo de ministros de culto e pregadores e que chegaram à ilha em 1875 para difundir o cristianismo.

"Estamos profundamente comovidos e oferecemos a vocês a grande jóia do perdão, enquanto finalmente colocamos fim a qualquer desacordo", disse o embaixador.

O governador-geral de Papua-Nova Guiné, Paulias Matane, que tem função de chefe de Estado em representação à rainha Elizabeth 2ª, elogiou os primeiros missionários por terem levado o cristianismo ao país, e fez um apelo aos presentes para que sigam os princípios que guiam a religião.

"Gostaria que todos seguissem os dez mandamentos, mas ainda hoje muitos roubam e cometem adultério", disse Matane.

Os religiosos metodistas de Fiji chegaram à ilha, que hoje se chama Papua-Nova Guiné, guiados pelo pastor inglês George Brown. Em abril de 1878, um pastor e três pregadores de Fiji foram assassinados e comidos pela tribo Tolai na península de Gazelle. O reverendo Brown, que era ministro religioso, explorador e antropólogo, organizou e dirigiu uma expedição punitiva.

Brown descreveu em um de seus diários a visita a um vilarejo em que contou 35 maxilares humanos e algumas mãos, dissecadas e penduradas em uma só cabana. Os riscos que os missionários correram eram conhecidos, mas ele temia o deslocamento da tribo e um massacre do grupo inteiro de religiosos europeus que estava naquela região.

Pelo menos dez componentes da tribo acusada pelo ataque foram mortos e Brown afirmou que a incursão tornou a região mais segura para os europeus.

A represália causou uma onda de protestos na Igreja Metodista na Austrália e em outros lugares. Brown parece ter ficado atormentado nos últimos anos de vida pela responsabilidade que pesava sobre seus ombros por aquela matança, mas uma investigação oficial das autoridades coloniais britânicas no Pacífico o livrou das acusações de ter cometido crimes.

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