Na categoria 4, furacão Dean atinge a Jamaica com ventos de 230 km/h
da Folha Online
O furacão Dean, que alcançou a categoria 4 --com ventos de até 230 km/h-- e atingiu a costa da Jamaica neste domingo, derrubou árvores na capital Kingston e deixou uma pessoa desaparecida. Os danos só não foram mais graves porque o furacão não atingiu em cheio a ilha como era previsto --o centro da tempestade ficou a cerca de 80 km ao sul de Kingston.
O furacão deve atingir as ilhas Cayman nesta segunda-feira, segundo as previsões meteorológicas.
O Dean já provocou a morte de nove pessoas no Caribe. Mesmo com alertas sobre sua força, muitas pessoas se recusam a ir para abrigos na Jamaica. Em 2005, a apenas um nível de força acima do Dean, o furacão Katrina, de categoria 5 [a máxima] devastou Nova Orleans, deixando um rastro de 1.800 mortos nos EUA.
O Centro Nacional de Furacões nos Estados Unidos prevê que o Dean atinja a categoria 5 antes de chegar às ilhas Cayman, nesta segunda-feira. Depois disso, ele deve seguir a península de Yucatán, no México. O centro informa também que a tempestade pode se dirigir ao sul do Estado Texas (EUA).
| Carlos Barria/Reuters |
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| Mulher caminha em Port Royal, na Jamaica, pouco antes da chegada do furacão Dean |
Furacões de categoria 5 são raros. Em 2005 foram registradas quatro tempestades desse nível de força [Emily, Rita, Wilma e o devastador Katrina]. Antes disso, apenas em 1960 e 1961 foram registradas mais de uma tempestade com tal força.
O governo da Jamaica decretou toque de recolher com duração de dois dias. A companhia de eletricidade do país cortou o fornecimento de energia durante a passagem do Dean.
A Jamaica disponibilizou abrigos para a população até o final da noite desta segunda-feira. O governo afirmou que há mais de mil abrigos, feitos em escolas, igrejas e estádios.
| Johnny Jno-Baptiste/AP |
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| Dean deixa rastro de destruição e mortes; Martinica perdeu sua produção de bananas |
Furacão x criminalidade
Apesar do insistentes pedidos do governo jamaicano para que as pessoas se protegessem no abrigos, muitos se recusaram alegando medo de terem suas casas invadidas.
"Pela última vez, eu peço a vocês que deixem suas casas ou estarão em perigo", disse a primeira-ministra, Portia Simpson Miller. No início do temporal, apenas 47 abrigos estavam ocupados, segundo o Escritório de Preparação de Desastres e Gerenciamento de Emergências.
"Nós não vamos para lugar nenhum. Estaremos aqui mais tarde tomando rum com alguns amigos", disse Byron Thompson, morador de em Port Royal, a leste de Kingston, citado pela agência Reuters. "Tem muito crime em Kingston, eu não vou deixar a minha casa", disse Paul Lyn, um outro morador, citado pela agência de notícias Associated Press.
Texas
No Texas, moradores começaram neste domingo a tomar precauções para a passagem do furacão Dean. A população de Brownsville foi alertada por autoridades a deixar a área próxima da fronteira com o México.
Várias áreas do Texas ainda se recuperam após a passagem da tempestade tropical Erin na semana passada, que também atingiu o Estado de Oklahoma, inundando centenas de casas e deixando milhares sem eletricidade.
Muitos moradores do Texas, principalmente da cidade de Galveston, decidiram deixar a região por receio de uma catástrofe similar à passagem do furacão Rita, que devastou a região em 2005.
O presidente dos EUA, George W. Bush, decretou estado de emergência preventiva no Texas, permitindo que equipamentos federais e mantimentos sejam enviados, de acordo com o porta-voz da Casa Branca, Gordon Johndroe. O governador Rick Perry havia pedido a declaração a Bush na manhã de sábado (18).
Estragos do Dean
Alertas para a tempestade foram dados nas ilhas Cayman, no México, em Cuba, na República Dominicana e em Belize. Os turistas na costa do México tentam sair da região antes da chegada do Dean, prevista para esta segunda-feira.
Na última sexta-feira (17), fortes ventos arrancaram telhados de casas e de um hospital pediátrico na ilha de Santa Lucia, no Caribe. A porta-voz policial disse que um homem de 62 anos morreu afogado quando tentava retirar uma vaca que estava sendo levada pela correnteza de um rio que havia transbordado.
No sábado, o furacão passou por Haiti e República Dominicana, provocando fortes chuvas e inundações em áreas costeiras. Em Gonave, uma ilha a oeste da capital haitiana, Porto Príncipe, milhares de pessoas ficaram sem luz em igrejas e escolas enquanto o Dean causava fortes ventos e chuvas
Na ilha francesa da Martinica, autoridades confirmaram duas mortes, entre elas uma mulher que se afogou.
Autoridades estimaram o prejuízo entre US$ 200 milhões (mais de R$ 400 milhões) e US$ 270 milhões (R$ 540 milhões). O ministro da Agricultura, Louis Daniel Berthome, afirmou que praticamente todas as plantações de banana da ilha foram destruídas.
Turistas se aglomeraram no Aeroporto Internacional de Owens para tentar deixar a região. A companhia Cayman Airways disponibilizou 15 vôos adicionais, que tiveram as passagens rapidamente vendidas.
Com Associated Press e Reuters
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