Bush diz que cabe a Iraque decidir destino de primeiro-ministro
da Folha Online
O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, disse nesta terça-feira que cabe aos iraquianos substituir o governo do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki. Bush também pediu a Maliki que faça mais para trazer paz aos diferentes grupos do país. Bush reconheceu as dificuldades em se atingir objetivos políticos no Iraque.
"Eu acho que há um certo nível de frustração com a liderança em geral, a inaptidão de angariar esforços para, por exemplo, chegar à uma lei da renda do petróleo ou de eleições provinciais", disse Bush aos repórteres, segundo a Associated Press, após um encontro com líderes do Canadá e do México, na cidade canadense de Montebello, onde ocorrem discussões do Acordo de Livre Comércio da América do Norte (Nafta).
| Jim Young /Reuters |
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| Bush no encontro em Montebello, no Canadá; presidente fez críticas a governo de Maliki |
Bush também afirmou que algum progresso ocorre no Iraque. Como exemplos, ele citou a distribuição mais eficiente da renda do petróleo a diversas Províncias e a aprovação de cerca de 60 leis pelo Parlamento do Iraque.
"Se o governo não responde às demandas da população, ela substituirá o governo", afirmou Bush.
O número de militares americanos no Iraque chegou a 162 mil em uma tentativa de refrear a violência que assola o país. O presidente do Comitê de Serviços Armados do Senado americano, Carl Levin, disse que o governo de Maliki não cumpriu os compromissos políticos essenciais no país do Oriente Médio.
Maliki sofreu desde abril duas saídas de partidos importantes de sua base de apoio. Na semana passada, o primeiro-ministro anunciou a criação de um novo bloco de apoio, sem a presença dos sunitas, mas com a dos curdos. A nova aliança dá a Maliki o apoio da maioria das cadeiras no legislativo iraquiano. O primeiro-ministro chegou a poder em maio de 2006.
Iraque
No país do Oriente Médio, o embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker, afirmou, anteriormente à declaração de Bush, que o progresso no país em relação à conciliação de xiitas e sunitas, principalmente, era "extremamente desapontador".
Crocker disse que os EUA apóiam o governo de Maliki, mas que o primeiro-ministro não deve ficar tranqüilo em relação a este ponto. O embaixador participa da confecção de um relatório sobre a situação no Iraque a ser apresentado no Congresso americano no início de setembro.
| Bassem Tellawi/AP |
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| Maliki em reunião na Síria; primeiro-ministro passa por fase complicada |
"Nós esperamos resultados assim como o povo iraquiano, e o nosso apoio não é um cheque em branco", disse Crocker.
As metas de reconciliação colocadas pelos americanos incluem uma distribuição da renda do petróleo e uma reforma constitucional, que estabeleça data para eleições nas Províncias e diminua as restrições para antigos membros do Partido Baath, do presidente Saddam Hussein (morto em 2006), para trabalho no serviço civil e militar.
Uma dos poucos avanços que Crocker e o comandante das Forças dos EUA no Iraque, general David Petraeus, levarão a Washington no mês que vem é a estratégia de formar alianças com xeques tribais na Província de Anbar. Mesmo assim, Crocker afirmou que as conversas com líderes da Província é um pré-requisito para a reconciliação, e não a reconciliação em si.
Bloco Sadr
O bloco Sadr, leal ao clérigo Muqtada al Sadr, propôs a criação de um conselho executivo que integre todos os grupos políticos do Iraque para que o país saía da crise. "A iniciativa está na participação coletiva e é um conselho consultivo que toma decisões críticas. Este órgão terá todos os componentes do mosaico político e suas recomendações serão analisadas pelo governo", disse Falah Shanshal, do bloco, à agência Aswat al Iraq.
Apesar da proposta, Shanshal afirmou que não há intenção do bloco de formar outras alianças no Iraque. "O bloco Sadr continuará na Coalizão Unida Iraquiana", afirmou Shanshal. A coalizão se retirou da base de apoio do governo de Maliki no último abril.
Violência
A polícia iraquiana encontrou 300 cadáveres de supostamente civis assassinados pela rede terrorista Al Qaeda. Eles estavam em uma fossa comum na aldeia de Zaubea, nas proximidades da cidade de Faluya (50 km a oeste de Bagdá), de acordo com a agência de notícias iraquiana Asuat Al Irak.
As pessoas foram baleadas e muitos dos restos mortais apresentam sinais de tortura, informou a agência. A rede terrorista atuava na região nos primeiros meses do ano, mas foi posteriormente expulsa pelas forças de segurança do país, segundo a Asuat Al Irak.
O Ministério do Interior do Iraque divulgou hoje a morte de sete membros da rede terrorista Al Qaeda em uma operação policial. Um dos mortos foi identificado como o líder terrorista Ali Latif Al Falahi, conhecido como Abu Ibrahim. O comunicado não informa quando ocorreu a operação, que se deu no bairro de Al Qadisiya, na cidade de Al Tarmiya.
Com Associated Press, Reuters e Efe
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