Mundo
24/08/2007 - 13h24

Pentágono pedirá redução de tropas dos EUA no Iraque, diz jornal

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da Folha Online

O general Peter Pace, chefe do Estado-Maior dos Estados Unidos, pedirá ao presidente americano, George W. Bush,que reduza a presença de tropas americanas no Iraque em cerca de 50% em 2008, informou nesta sexta-feira o jornal americano "Los Angeles Times".

De acordo com o jornal, Pace deve aconselhar Bush a manter, no ano que vem, pouco mais de 100 mil dos 162 mil soldados atualmente destacados no Iraque. Segundo o "Times", ele deve fazer esta recomendação a Bush de forma privada, e não por meio de um relatório.

Segundo a publicação, a avaliação pode se confrontar com outra análise que está sendo preparada pelo comandante americano no Iraque, o general David Petraeus, que deve pedir que os EUA mantenham um grande número de soldados no país em 2008.

A recomendação de Pace refletiria a posição dos demais membros do Estado-Maior, que acreditam que é importante reduzir as tropas destacadas no Iraque para aumentar a capacidade militar dos EUA para responder a outras ameaças, como a representada pelo Irã.

De acordo com o "Times", a posição é compartilhada pelo secretário americano da Defesa, Robert Gates.

Nesta quinta-feira, o senador republicano da Virgínia, John W. Warner, pediu que Bush dê início à retirada das tropas em setembro próximo para pressionar o governo iraquiano a assumir maior compromisso político.

Relatório

Um relatório divulgado ontem pela Estimativa Nacional de Inteligência sobre o Iraque (NIE) aponta que o governo iraquiano, liderado pelo premiê Nouri al Maliki, continua "incapaz de governar a si mesmo" e é prejudicado pela ausência de uma "liderança forte".

Arte Folha Online

De acordo com os analistas, a violência no país continua 'alta' e os diferentes grupos sectários permanecem "sem reconciliação", enquanto a rede Al Qaeda no Iraque continua sendo capaz de realizar ataques de grande proporção, apesar dos esforços do governo.

O relatório --que é resultado do trabalho conjunto de 16 agências de inteligência-- também expressa profundas dúvidas de que o governo de Maliki possa deter as divisões sectárias e promover as medidas necessárias para promover a união política.

"As tensões da situação da segurança e a ausência de líderes fortes instalaram debates políticos, atrasando a tomada de decisões e aumentando a vulnerabilidade de Maliki".

No entanto, de acordo com o NIE, afastar o premiê do cargo --como defendem alguns críticos da administração xiita no Iraque e nos EUA -- poderia "paralisar" o governo iraquiano.

Violência

Helicópteros americanos abriram fogo contra rebeldes xiitas durante um confronto ocorrido na madrugada desta sexta-feira, matando ao menos 13 pessoas, segundo a polícia iraquiana.

O confronto ocorreu em Shula, região sunita a oeste de Bagdá onde crianças e mulheres dormem nos telhados das casas para se protegeram de ataques.

Khalid Mohammed/AP
Garoto iraquiano olha através de vidro quebrado durante confrontos em Shula
Garoto iraquiano olha através de vidro quebrado durante confrontos em Shula

Imagens de TV mostraram janelas de casas e carros quebradas depois de serem atingidas por disparos efetuados durante confrontos entre rebeldes e soldados.

"Nós exigimos que o governo e o Parlamento iraquiano impeçam os americanos de interferirem em Shula", disse o líder tribal Sabeeh al Sharji. "Como vocês podem ver, civis estão dormindo em telhados. Estes ataques freqüentes aterrorizam crianças e mulheres".

Em outra operação na cidade de Tarmiya (norte), soldados dos EUA mataram sete supostos rebeldes.

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