Dez anos após a morte de Diana, Charles se prepara para o trono
da France Presse, em Londres
Rejeitado pela maioria dos britânicos depois da morte da princesa Diana, o príncipe Charles parece ter encontrado a serenidade ao lado de Camilla, sua segunda mulher e, agora, se prepara para subir ao trono britânico.
A morte de Lady Di, em 31 de agosto de 1997, deixou Charles, que nunca teve muita popularidade, com uma imagem ainda pior entre os britânicos. "O futuro de Charles estava em perigo depois da morte de Diana", afirma Penny Junor, biógrafa do príncipe de Gales.
"As pessoas o odiavam, achavam que ele era o responsável pela morte de Diana, por sua relação adúltera com Camilla Parker-Bowles, sua amante há mais de três décadas", disse ela.
| arquivo/AP |
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| A princesa Diana, morta em um acidente de carro em Paris em agosto de 1997 |
Para Charles, estes dez anos foram uma travessia no deserto, para recuperar a popularidade, especialmente para que os britânicos aceitassem Camilla, a quem Diana culpava pelo fracasso de seu casamento.
Sempre "fomos três neste casamento", declarou Diana em uma famosa entrevista na TV, em que comoveu aos britânicos com a admissão de seu fracasso e de sua vulnerabilidade.
Depois da morte de Lady Di, os britânicos "lembram e acreditam que Diana disse em sua entrevista: que o casamento tinha sido fracassado porque Charles estava obcecado por Camilla", considera Junor.
Em uma pesquisa realizada logo depois da morte de Lady Di, a maioria dos britânicos se declarou contrário a que Charles assumisse o trono. Os entrevistados disseram preferir que ele abdicasse em favor seu filho, o príncipe William, agora com 25 anos.
Mas, pouco a pouco, Charles conseguiu refazer sua imagem, graças ao fato de ser um pai atento e afetuoso com os príncipes William e Harry, rapazes muito queridos pelos britânicos, que vêem neles o espírito de Diana. "As pessoas começaram a ver Charles de uma maneira diferente", disse à France Presse Joe Little, redator-chefe da revista "Majesty".
Campanha
O objetivo do príncipe herdeiro de oficializar sua relação com Camilla o obrigou a lançar uma campanha em 1999.
Charles procurou assessores para fazer com que a opinião pública aceitasse a mulher que Diana chamava de "Rotweiller" e que a imprensa apresentava como "destruidora de lares".
Segundo Junor, a percepção dos britânicos mudou ao perceberam que Camilla é uma "pessoa amistosa, simples, sem ambição". Little discorda desta opinião.
"A relação e Charles e Camilla foi aceita pouco a pouco, mas com ranger de dentes", disse.
Depois de obter a aprovação da rainha, Charles se casou com sua amante em abril de 2005, numa cerimônia simples em Windsor, a uma hora de Londres.
Discreta
Camilla, que se tornou duquesa de Cornualha, participa desde então dos atos oficiais da monarquia. Mas ela costuma tentar se manter em segundo plano, para não causar mais polêmica.
"Ela o apóia, em vez de eclipsá-lo, que é o que Charles queria que Diana tivesse feito", explica Joe Little. "Ela mostrou que é boa para Charles. Ele é uma pessoa muito diferente agora", acrescentou. "Ela o faz feliz, ela o faz rir", diz a biógrafa do príncipe de Gales.
Mas, apesar de ser tolerada pelos britânicos, Camilla está longe de ter conquistado seus corações. Uma pesquisa de 2005 confirmava que a maioria dos britânicos não queria que ela fosse rainha no dia em que Charles acupar o trono.
Eles preferem que ela tenha o título de "princesa consorte". "Algumas pessoas jamais aceitariam Camilla. Para eles, Diana era uma santa", diz a biógrafa.
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