Chega a 42 o total de mortos por incêndios na Grécia
da Efe, em Atenas
Pelo menos 42 pessoas morreram nas últimas 24 horas nos incêndios que atingiram florestas, plantações e povoados da península de Peloponeso, na Grécia.
As vítimas, entre elas crianças, foram surpreendidas pelas chamas, tanto em seus povoados como durante a fuga. Sem que ninguém esperasse, o fogo avançou em direção às regiões habitadas das zonas florestais e montanhosas as de Tayetos e Parnonos, no sudoeste de Peloponeso.
Mais de 30 focos de incêndio ainda eram registrados em várias partes da Grécia por volta do meio-dia (horário local) deste sábado.
Entre os locais afetados, estão a ilha de Eubea, a cerca de 100 quilômetros de Atenas e onde vários povoados foram evacuados; Papagu, no monte Imitos, em Atenas, e onde os mosteiros locais também foram evacuados; e o monte Pendelis, na capital e que já tinha sido atingido na semana passada.
Nessas e nas outras localidades, os ventos fortes pioraram a situação e restringiram o uso de aeronaves no combate ao fogo, que avançam por 40 quilômetros e destrói tudo o que encontra pelo caminho.
Segundo os meios de comunicação atenienses, o incêndio florestal no monte Imitos está a apenas 50 metros das primeiras casas de Jolargos e Papagu.
Também neste sábado, era possível ver aviões-cisterna e helicópteros sobrevoando a capital a caminho do litoral para se abastecerem de água.
Parte do monte Imitos fica localizada na zona leste da capital, por onde passa uma estrada periférica que há um mês foi criminosamente incendiada, segundo a Polícia.
Aos focos em Peloponeso se somam outros três mil incêndios que, desde junho, já destruíram 100 mil hectares de florestas em várias partes da Grécia e mataram outras dez pessoas em meio a temperaturas superiores a 40°C.
Em uma entrevista coletiva, o porta-voz do Corpo de Bombeiros, Nikos Diamantis, declarou que as rajadas de vento mudam continuamente a direção do fogo, dificultando o trabalho da corporação.
Na manhã deste sábado, cerca de 700 soldados foram enviados a Peloponeso para ajudar a conter o avanço das chamas, que ameaçam vários outros povoados.
Já a França cedeu mais dois aviões-cisterna além dos enviados na sexta-feira, enquanto alguns civis ofereceram três helicópteros para ajudar no trabalho dos bombeiros.
O primeiro-ministro da Grécia, Costas Caramanlis, convocou uma reunião extraordinária com outros ministros para analisar a situação. Além disso, todos os líderes dos partidos da oposição cancelaram seus compromissos eleitorais e se dirigiram para Peloponeso.
A cerca de 20 dias das eleições legislativas antecipadas de 16 de setembro, os incêndios representam um golpe para o governo atual, dadas as acusações de parte da opinião pública e de autoridades locais.
A ausência de instruções por parte das autoridades locais às centenas de habitantes que ficaram isolados em seus povoados na sexta-feira, a poucos metros das chamas, também foi criticada.
Depois que o primeiro-ministro foi para uma das regiões afetadas num helicóptero militar, após a meia-noite, foi constatada uma melhor coordenação entre as autoridades.
Uma das medidas tomadas por causa dos incêndios foi o plano de emergência nacional "Persea", que obriga todos os hospitais a ficarem em estado de alerta e a darem abrigo às centenas de pessoas que ficaram sem casa e bens.
Tanto Caramanlis como o presidente, Karolos Papoulias, classificaram os incêndios como uma tragédia e declararam que o país vive "dias de luto nacional".
Os jogos de futebol do campeonato nacional previstos para este final de semana foram suspensos em respeito às vítimas e aos desabrigados.
Ajuda
A França anunciou o envio de mais dois aviões para ajudar as autoridades gregas na luta contra os incêndios, enquanto a Alemanha ofereceu três helicópteros e a Noruega, outro avião, anunciou a Comissão Européia.
A Comissão Européia, através do Mecanismo Comunitário de Proteção Civil, estabeleceu contato na sexta-feira com 30 países-membros ou vizinhos da UE (União Européia) para coordenar o envio de ajuda à Grécia, logo após uma solicitação de Atenas, segundo um comunicado.
"Espero que os parceiros europeus estejam à altura das expectativas e ofereçam todo o apoio do qual a Grécia necessita neste momento", disse o presidente da Comissão Européia, José Manuel Durão Barroso.
O comissário europeu de Meio Ambiente, o grego Stavros Dimas, disse estar convencido de que é necessário "reforçar" a capacidade européia "de combater estes incêndios juntos."
Dimas também lamentou que a região sul da Europa esteja passando novamente por "condições meteorológicas que favorecem a expansão destes incêndios."
A Comissão Européia lembrou que outros países do sul da Europa enfrentam incêndios e que a Albânia ainda não obteve resposta ao seu pedido de ajuda.
Ontem, a Grécia solicitou aeronaves especializadas na luta contra incêndios, pedido que foi canalizado através do Centro de Acompanhamento e Informação da Comissão Européia, que facilita o envio de ajuda tanto aos países-membros da UE como aos que não são membros (Noruega, Islândia e Liechtenstein).
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