Mundo
26/08/2007 - 09h27

EUA hesitam em acolher iraquianos que fogem da guerra

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da Folha Online

Estudos feitos pela ONU e pelo Crescente Vermelho informam que cerca de 100 mil iraquianos são levados ao êxodo involuntário --o maior índice desde que Saddam Hussein foi derrubado do poder, em 2003, informa neste domingo reportagem de Sérgio Dávila (íntegra disponível só para assinantes do jornal ou do UOL).

Centenas de milhares destes exilados involuntários --em sua maioria cristãos daquele país-- querem vir aos EUA. Porém, desde o começo da guerra, o governo Bush concedeu asilo a apenas 496 refugiados iraquianos --o equivalente a menos de quatro horas de refugiados de uma guerra que já dura quase cinco anos.

Desde a invasão americana, em março de 2003, 4 milhões de iraquianos --ou 16% de uma população de 26,8 milhões-- tiveram de deixar seu lugar de origem. Desses, 2,2 milhões foram para países vizinhos, como Síria (1,2 milhão) e Jordânia (800 mil). Os demais --1,9 milhão de pessoas-- são considerados "refugiados internos".

Nos últimos meses, sob pressão, o Departamento de Estado reviu sua política de concessão de vistos a refugiados para 2007, aumentando para sete mil o número de vistos para iraquianos. Mas, até agora, só liberou 60.

Segundo o governo americano, há um risco de que entre os candidatos a entrar no país possa ter militantes do grupo terrorista Al Qaeda.

O jornal "Washington Post" publicou editorial em que chama de "embaraçoso" o fato de iraquianos correrem risco de vida em seu país por terem ajudado os EUA, que agora não os aceita. Foi seguido por Michael Gerson, ex-autor dos discursos do presidente Bush, que disse ser esse um caso de "credibilidade nacional e honra."

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