Grécia já conta 56 mortos em incêndios; Olímpia é salva
da France Presse
da Reuters
A Grécia segue assolada neste domingo pelo incêndio florestal mais trágico do último século em todo o mundo, com um balanço provisório de 56 mortos. Porém, conseguiu a princípio salvar os tesouros arqueológicos de Olímpia, ameaçados pelas chamas. O país está em estado de emergência desde sábado.
Estes incêndios são os mais mortíferos desde o de outubro de 1871 em Peshtigo, no estado norte-americano de Wisconsin, que deixou entre 800 e 1.200 mortos. Até o início da noite de domingo (horário grego) eram contabilizados 42 focos de incêndio. Contados os que já foram debelados, apareceram cerca de 200 focos desde sexta-feira.
| AFP |
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| Imagens de satélite na NASA mostram focos de incêndio que assolam a Grécia |
Os corpos de mais cinco pessoas carbonizadas foram encontrados na ilha de Eubea, no sul da Grécia, o que eleva a 56 o número de mortos nos incêndios que devastam há três dias a península do Peloponeso, informaram os bombeiros.
As cinco vítimas fatais, incluindo dois bombeiros, foram encontradas na região de Mystra, nas imediações de Eretria, no centro da ilha.
Já o sítio antigo e o museu arqueológico de Olímpia --ameaçados pelo violento incêndio-- "foram salvos", declarou o secretário-geral do Ministério da Cultura, Christos Zahopoulos.
"O novo museu arqueológico foi salvo e as chamas não atingiram o sítio arqueológico de Olímpia. Todos os sistemas antiincêndio funcionaram", disse Zahopoulos. O ministro da Cultura, George Voulgarakis, também visitou o local.
O sítio arqueológico de Olimpia, declarado Patrimônio mundial da humanidade, estava cercado pelas chamas na tarde deste domingo, mas os 1.000 bombeiros, auxiliados por 425 soldados e apoiados por 16 aviões e helicópteros, conseguiram evitar sua destruição.
O santuário de Olímpia, dedicado a Zeus, foi a sede dos Jogos antigos do ano 776 a.C. até o século IV d.C.
Segundo os bombeiros, o fogo chegou a se aproximar dos jardins do museu arqueológico, mas foram apagados a tempo.
Tragédia sem precedente
| Louisa Gouliamaki /AFP |
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| Fogo se aproxima de Olímpia, mas bombeiros evitam incêndio |
Entretanto, a situação continua crítica em todo o país. "Estamos à beira da catástrofe nacional, esta tragédia é sem precedente", afirmou na manhã deste domingo o porta-voz dos bombeiros, Nikolaos Diamantis.
Todo o país se encontra desde sábado em estado de emergência e os primeiros reforços enviados pela comunidade internacional começaram a chegar: quatro aviões Canadair e 60 bombeiros franceses, 30 bombeiros cipriotas e um aparelho italiano ajudaram a salvar o patrimônio de Olímpia neste domingo.
Aviões e helicópteros fornecidos por Sérvia, Israel, Eslovênia, Espanha, Romênia, Alemanha, Noruega, Suíça e Islândia também devem chegar à Grécia nas próximas horas.
O incêndio que assola a península do Peloponeso desde sexta-feira ameaçava neste domingo os arredores de Kalamata, no sul, e de Pyrgos, no oeste.
Os moradores e turistas da região sudoeste da ilha de Evia (ao nordeste de Atenas) ainda estavam cercados pelas chamas incontroláveis.
As redes de televisão mostravam imagens de desolação, com casas queimadas e plantações de oliveiras cobertas de cinzas.
No início da tarde deste domingo, novos focos de incêndio se declararam no departamento de Ftiótida, no centro do país.
O primeiro-ministro Costas Caramanlis, que pode ser cobrado sobre a ação de seu governo, antes das eleições legislativas de 16 de setembro, citou a tese criminosa.
"O fato de que tantos focos tenham se declarado ao mesmo tempo em tantos lugares não pode ser fruto do acaso", afirmou Caramanlis no sábado.
A tese criminosa também foi evocada pela imprensa, num país onde a especulação imobiliária desenfreada é regularmente acusada de provocar a destruição das florestas com fogo durante o verão.
Desde sexta-feira, a polícia prendeu dez pessoas por incêndio criminoso ou negligente, entre elas um homem de 65 anos e uma idosa no Peloponeso.
A oposição socialista e a imprensa de esquerda acusaram o governo de tentar ocultar as responsabilidades de sua equipe, denunciada por sua desorganização na luta contra o fogo.
"O governo transformou a Grécia em um estado indefeso", disse o líder da oposição socialista, Georges Papandréou.
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