Governo boliviano descarta se reunir com oposição
da Efe, em La Paz
O Governo do presidente Evo Morales descartou neste domingo uma reunião com opositores para buscar uma solução às tensões institucionais no país, e ao tempo apoiou a mobilização de organizações sociais para defender a Assembléia Constituinte.
O vice-presidente Álvaro García Linera disse à rádio "Patria Nueva" que o Executivo "não vê nem como necessário, nem importante" uma reunião política para analisar a situação. Por outro lado, argumentou que uma "cúpula" de movimentos sociais em Sucre "era uma excelente idéia".
A cidade do sul da Bolívia abriga a sede da Assembléia. Na semana passada, a Constituinte paralisou os debates devido à violência vivida nas ruas, nas quais foram atacados vários constituintes do governista Movimento ao Socialismo (MAS).
"Uma cúpula social para defender a Assembléia Constituinte é uma boa idéia para mostrar aos setores conservadores que a Bolívia aposta de maneira irremediável na democracia, nos acordos, e na defesa de suas instituições democráticas", disse García Linera.
Sinal de força
O jornal "La Prensa" publicou hoje, citando fontes anônimas, que o MAS pretende levar 100.000 pessoas de diferentes setores até Sucre até 10 de setembro, como sinal de força contra os partidos e movimentos de oposição.
Segundo o jornal, em uma recente reunião reservada do MAS, o vice-presidente propôs mobilizar essa quantidade de pessoas de organizações camponesas, indígenas e operárias.
A presença desses setores na cidade-sede da Constituinte garantiria, segundo o Governo, o reinício dos trabalhos.
García Linera insistiu que nenhum outro tipo de reunião "faz sentido" e o melhor seria retomar a Assembléia porque "daí saem os acordos".
Greve contra governo
Os "comitês cívicos" dos departamentos de Santa Cruz, Tarija, Beni, Pando, Cochabamba e Chuquisaca, entidades de oposição a Evo Morales, organizam uma greve contra o Governo para a próxima terça-feira, enquanto o Poder Judiciário parará na quinta e sexta seguintes. Os movimentos convocaram a greve com o argumento de defender a democracia.
Os juízes farão uma paralisação em rejeição à decisão da Câmara dos Deputados de processar quatro dos cinco membros do Tribunal Constitucional (TC) por suposta prevaricação.
A Confederação de Empresários Privados (CEPB) pediu hoje que a Igreja Católica interfira na crise política. Eles concordaram com os dirigentes regionais de Chuquisaca, que pediram ao cardeal Julio Terrazas intervir na disputa pela capital.
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