Greve em seis regiões acirra crise política na Bolívia
da France Presse, em La Paz
A crise política na Bolívia foi agravada com o apelo, feito por organizações civícas e empresariais, para a realização de uma greve de 24 horas com início nesta terça-feira em protesto contra o presidente da Bolívia, Evo Morales, em seis dos nove Departamentos bolivianos. No país, estão paralisados o Congresso e a Assembléia Constituinte.
O protesto, que inclui os Departamentos de Chuquisaca, Santa Cruz, Tarija, Pando, Beni e Cochabamba, deve ter a participação dos governadores dessas regiões --ferrenhos adversários de Morales-- e dos principais partidos de oposição, como o Podemos, do ex-presidente de direita Jorge Quiroga.
Para amenizar o clima de tensão, o governo pediu diálogo nesta segunda-feira e iniciou um movimento de aproximação com os setores de Chuquisaca, que começaram as manifestações em defesa do estatuto de capital plena para a cidade de Sucre.
A Bolívia possui duas capitais. La Paz é a administrativa e sede do governo. Sucre é a constitucional e sede do Judiciário.
Os líderes cívicos de Sucre pedem que a cidade volte a ser sede também dos poderes Executivo e Legislativo, que saíram de Sucre depois de um conflito interno que ocorreu há um século.
Prevendo que os pedidos de capital plena possam prejudicar o desempenho da Constituinte --que até dezembro deve elaborar uma nova constituição para o país-- a maioria governista do fórum determinou que o assunto fosse eliminado da agenda, decisão que provocou o conflito regional.
Enquanto isso, parlamentares da oposição e membros da base do governo se enfrentaram fisicamente na semana passada na Câmara dos Deputados depois da decisão de que quatro magistrados do Tribunal Constitucional serão julgados. Eles foram denunciados por Morales por prevaricação --retardo, negligência ou aproveitamento de funcionário público durante suas funções.
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