Em novo artigo, Fidel critica Hillary Clinton e Barack Obama
da Efe, em Havana
O convalescente líder cubano, Fidel Castro, criticou os pré-candidatos democratas Hillary Clinton, a quem chamou "a herdeira de Clinton", e Barack Obama, por suas demandas de um "governo democrático" para Cuba, em uma nova reflexão publicada nesta terça-feira.
"Hoje se fala que uma dupla aparentemente invencível poderia ser criada com Hillary presidente e Obama vice. Ambos se sentem no dever sagrado de exigir 'um governo democrático em Cuba'. Não estão fazendo política, estão jogando cartas em um domingo à tarde", disse Fidel em artigo intitulado "A submissão à política imperial".
O chefe da revolução cubana descarta que o ex-vice-presidente Al Gore se lance à corrida presidencial, e lembra que, "quando foi candidato, certamente cometeu o erro de suspirar por uma Cuba democrática".
| Efe |
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| O ditador cubano Fidel Castro, 81, critica Hillary Clinton e Barack Obama em artigo |
Na reflexão publicada na primeira página do jornal oficial "Granma", o líder cubano --que se recupera há 13 meses de uma grave doença que o mantém afastado do poder-- relembra as relações de Cuba com alguns dos presidentes americanos que passaram pela Casa Branca desde a vitória da Revolução Cubana.
O líder cubano afirma que James Carter (1977-1981) foi o único presidente dos EUA que, "por motivos ético-religiosos, não foi cúmplice do brutal terrorismo contra Cuba".
Também ressalta que Gerald Ford (1974-1977) --a quem se refere como um "presidente simbólico", porque substituiu Richard Nixon após o escândalo do Watergate-- "proibiu a utilização de funcionários dos Estados Unidos para assassinar dirigentes cubanos".
Sistema eleitoral
Fidel critica o sistema eleitoral americano que, segundo ele, permite "ter uma minoria de votos e ganhar a Presidência. "Foi o que aconteceu a (George W.) Bush. Contar com a maioria e perder a Presidência foi o que aconteceu com Gore".
Por isso, acrescenta a importância do Estado da Flórida --onde se concentra o maior número de exilados anticastristas--, que deu a vitória a Bush, mas, em seu caso, "foi necessária também a fraude eleitoral".
Com o apoio de Clinton, lembra, foi aprovada a Lei Helms-Burton, que intensificou o embargo imposto contra a ilha em 1962, após o "pretexto" da derrubada de dois aviões da organização anticastrista Irmãos ao Resgate que sobrevoavam Havana, em 24 de fevereiro de 1996.
Segundo Fidel, em 10 fevereiro daquele ano, o legislador Bill Richardson afirmou que Clinton deu a ordem para que fossem suspensos os vôos da Irmãos ao Resgate.
"Parece certo que Clinton deu a ordem de que esses vôos fossem suspensos, mas ninguém fez caso", afirma o líder cubano.
Solução
O chefe da revolução explica que, após a crise migratória de 1994, Carter "queria atuar na busca de uma solução", mas Clinton não aceitou e chamou Carlos Salinas de Gortari, então presidente do México, para que cooperasse na busca de uma saída satisfatória ao problema.
"Foi como se chegou a um acordo de princípio" com Clinton, que incluía "a idéia de colocar fim ao bloqueio econômico", afirma Fidel, que reconhece que o ex-presidente democrata foi "amistoso e inteligente" ao defender a devolução a Cuba do menino Elián González.
Em sua nova reflexão, Fidel se remonta ao presidente Eisenhower, "nada oposto ao terrorismo anticubano, mas o iniciador", e lembra que, para zombar dele, o guerrilheiro cubano-argentino Ernesto Che Guevara e ele mesmo tiraram fotos jogando golfe, um esporte "oneroso" sobre o qual ambos não tinham muita idéia.
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