Na vida e na morte, Diana "abalou" a família real
PAUL MAJENDIE
da Reuters, em Londres
Na vida e na morte, a princesa Diana abalou o núcleo da Casa de Windsor. Os críticos nem sempre foram gentis com a "princesa do povo" desde sua morte em Paris, em um acidente de carro no dia 31 de agosto de 1997, mas nenhum nega sua importância.
Dentre os observadores da família real que se dedicaram a analisar a mulher mais fotografada de uma novela da realeza, poucos duvidam de seu efeito em uma casa real séria que tem aversão a dramas e que nunca abandonou a rigidez britânica diante de problemas.
| Jacqueline Arzt/AP |
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| Diana, morta em um acidente em Paris em 31 de agosto de 1997 |
"Ela sacudiu a monarquia. Ela estava determinada em fazer a realeza menos distante e tomou a iniciativa nisto", disse Jenni Bond, ex-jornalista da BBC especializada em assuntos reais, que passou quase 15 anos cobrindo a atribulada vida da família real.
"A rainha disse posteriormente que tinham de aprender lições com a morte de Diana. Devagar eles têm feito isto. Não é uma questão de mudança radical --é uma evolução, não revolução", afirmou.
O jornal "The Observer" resumindo as contradições de Diana ao analisar uma série de biografias sobre a princesa perguntou: "Ela era tímida ou dissimulada? Condolente ou friamente calculista? A senhora bom coração ou a maior promotora da marca Diana?".
Diana abraçou uma gama de causas --a dos pacientes com Aids, das pessoas com hanseníase, afetados pelas minas-- que, pela força de sua fama, ganharam o status de notícias importantes.
"A família real não é estúpida e observaram o efeito que ela conseguia e perceberam que lhes faltava uma tática", disse Penny Junor, um biógrafo da família real.
"Ela estava por trás de muita modernização. O caminho que as coisas tomavam era muito influenciado por ela", afirmou Junor.
De santa a pecadora
O décimo aniversário da morte da princesa fez com que aparecessem ao menos uma dúzia de biografias sobre Diana, que vão desde bajulação hagiográfica --termo que especifica as biografias de santos-- a maliciosas provocações verbais.
Sarah Bradford --autora de um estudo que reconhecidamente evita qualquer arroubo de elogios-- disse que Diana teve uma atitude paradoxal em relação à fama, lamentando os paparazzi que a perseguiram até o final, mas ao mesmo tempo cultivando contatos nos tablóides.
"Ela podia ser engraçada, espirituosa, uma amiga adorável. Ela também podia se voltar contra a pessoa, podia ser cruel, histérica", afirmou Bradford.
E, claro, era um conto de fadas o casamento com o herdeiro do trono, o príncipe Charles, uma história que se tornou um divórcio amargo cujo desenrolar foi plenamente exposto.
Qual biógrafo poderia resistir a tal trama?
Livros
Após escrever três livros sobre os Kennedy --família do presidente americano John Fitzgerald Kennedy (morto em 1963)--, o biógrafo americano Christopher Andersen se voltou a Diana.
"Por que não gostar disso? É a família real, a novela mais antiga do mundo", argumentou, sobre sua nova escolha.
Uma década depois, os britânicos observam atônitos a maneira tão incomumente emocional que velaram Diana --algo registrado pelo filme "A Rainha" (2006), com Helen Mirren, construído para que se tenha simpatia pela monarca.
"Helen Mirren" e 'A Rainha' fizeram muito em termos de popularidade global", disse o jornalista Robert Jobson, que cobre a família real para o jornal "The Evening Standard".
"No entanto, eu não acho que nunca alcançarão a fama, o impacto e a notoriedade de Diana", disse Jobson.
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