Mundo
31/08/2007 - 18h28

Alvo de pais de Madeleine, jornal diz que "não muda uma vírgula"

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da Lusa, em Lisboa
da Folha Online

O diretor do jornal "Tal&Qual", Emídio Fernando, disse nesta sexta-feira à agência de notícias Lusa que nunca acusou o casal McCann de ter assassinado a filha, e que a manchete do jornal da semana passada apenas "dá voz" ao que a polícia portuguesa diz acreditar.

Os pais de Madeleine anunciaram hoje que irão processar o "Tal&Qual" por difamação devido à notícia publicada no jornal, que indicava que a Polícia Judiciária (PJ) --equivalente à Polícia Federal brasileira-- acreditava que o próprio casal matou a filha acidentalmente.

AP
Madeleine McCann, 4, desapareceu em 3 de maio em um quarto de hotel em Portugal
Madeleine McCann, 4, desapareceu em 3 de maio em um quarto de hotel em Portugal

Os advogados do casal McCann argumentaram que a notícia é "incerta" e que causou "sofrimento e humilhação". A polícia negou que considere Gerry e Kate suspeitos.

"Mantenho a história, não mudo uma virgula", disse o diretor Emídio Fernando em declarações à agência Lusa, ressalvando, no entanto, que o jornal "nunca acusou ninguém, apenas divulgou o que a polícia diz acreditar".

Afirmando-se "absolutamente tranqüilo" em relação a um eventual processo judicial, o diretor do jornal alegou que a intenção dos McCann "baseia-se nos artigos que saíram nos jornais ingleses que dizem que o "Tal&Qual" acusa a família de crime". "Se publicamos a história é porque temos certeza dela", disse ele, acrescentando que "o jornal assume que a polícia acredita" na possibilidade de os pais terem acidentalmente matado a menina inglesa.

"Confio nas nossas fontes, até porque elas são mais de três", disse o diretor, acrescentando que o semanário que dirige "nunca escreveu nada que não tivesse sido confirmado, desde que este processo [do desaparecimento de Maddie] começou".

Apesar de ainda não ter recebido nenhuma notificação sobre um eventual processo de difamação que os McCann anunciaram que irã dar início, a queixa será, segundo a rede BBC News, dirigida ao jornal e ao diretor.

Exames

Ontem, a Polícia Judiciária de Portugal informou que aguarda os resultados dos testes de DNA realizados em vestígios de sangue encontrados no quarto em que estava a menina para avançar nas investigações do caso.

Em entrevista por telefone à Folha Online, Olegário Sousa, porta-voz da polícia, afirmou que não há previsão para a divulgação dos resultados das amostras, que foram enviadas para Birmingham, na Inglaterra, há cerca de três semanas. "Estamos aguardando", disse ele.

Segundo o porta-voz, a polícia não pode dizer ao certo se Madeleine está morta ou viva. "Durante algum tempo não foram encontradas provas de que ela pudesse estar morta, mas, neste momento específico, qualquer tipo de informação que indique se ela está morta ou se está viva seria especulação", afirmou ele.

Seringa

Sousa também não confirmou a informação a respeito de uma seringa que teria sido encontrada no quarto em que se hospedou a família McCann.

A história foi publicada pelo tablóide britânico "The Daily Mail" hoje. De acordo com o jornal, a polícia examina agora se a seringa e a agulha foram utilizadas pelos McCann para administrar sedativos na menina e ajudá-la a dormir, para assim poderem sair para jantar com amigos em um restaurante próximo.

A respeito da conclusão das investigações, a previsão de Souza não é otimista.

"Ainda falta algum tempo, apesar de já terem se passado quase 120 dias", afirmou ele.

Desaparecimento

Desde o desaparecimento, o casal realiza uma campanha internacional em busca da menina, na qual conseguiram apoio de celebridades do mundo das artes e dos esportes, como a autora da série Harry Potter, a escritora J.K. Rowling, e o jogador de futebol David Beckham. Na campanha, eles arrecadaram cerca de US$ 2 milhões (R$ 3,9 milhões).

AP
Kate e Gerry McCann, pais da desaparecida Madeleine, lançaram campanha internacional
Kate e Gerry McCann, pais da desaparecida Madeleine, lançaram campanha internacional

Com diversas aparições na mídia, os pais de Madeleine chegaram a lançar um canal de desaparecidos no YouTube, mas também se irritaram com o assédio da imprensa. Nesta quinta-feira, um vídeo do pai da menina deixando um programa chegou ao YouTube.

Os pais da menina chegaram a ser apontados como suspeitos e ficaram revoltados com tais rumores. A polícia, em seguida, desmentiu que estivesse trabalhando nesta hipótese.

Eles também criticaram a atuação da polícia portuguesa no caso.

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