Mundo
03/09/2007 - 10h55

Tropas britânicas deixam Basra sob controle do Exército iraquiano

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KARIM JAMIL
da France Presse, em Basra (Iraque)

Depois de 4 anos e meio de ocupação, as tropas britânicas puseram fim nesta segunda-feira a sua presença em Basra, ao se retirarem de sua última base na cidade portuária rica em petróleo do sul do Iraque e passarem seu controle para o Exército iraquiano.

A retirada de Basra já havia sido anunciada pelo Reino Unido há alguns meses, apesar do descontentamento dos Estados Unidos, pois Londres foi até agora o principal aliado de Washington na ofensiva no Iraque.

"As tropas britânicas iniciaram sua retirada do palácio de Basra às 19h (16h de Brasília) deste domingo", declarou Mohan Farhad, comandante das operações militares iraquianas na cidade. Fahed afirmou que um contingente de cerca de 500 militares britânicos concluiu durante a noite de domingo sua retirada do quartel-general das tropas de Londres na cidade, a segunda do Iraque, cerca de 550 quilômetros ao sul de Bagdá.

"O Exército iraquiano tomou o controle", acrescentou Fahed ao especificar que "ninguém pode se aproximar do local, a não ser pessoas autorizadas, até que o primeiro-ministro [Nouri al Maliki] decida o que vai ocorrer com o palácio".

O alto comando militar se referia ao elegante palácio construído pelo ex-ditador Saddam Hussein em Basra, que até agora serviu de quartel-general para as tropas britânicas e onde nesta segunda-feira passaram a tremular novamente as bandeiras iraquianas.

Os soldados britânicos se retiraram para uma base aérea, a 25 quilômetros de Basra, onde se juntaram a seus outros 5.000 compatriotas encarregados de formar e treinar os militares iraquianos.

Pressão

A retirada britânica ocorre em meio a um aumento da tensão diplomática com os Estados Unidos, causado pela retirada das tropas de Londres da cidade iraquiana.

No final de agosto, o Pentágono manifestou sua preocupação pela retirada britânica de Basra, onde reina "um clima quase mafioso" e a segurança está ameaçada por "interesses criminosos".

O primeiro-ministro britânico, Gordon Brown, negou nesta segunda-feira que a retirada de Basra seja uma derrota, frisando que a operação faz parte de "um plano preestabelecido", em declarações à rede britânica BBC.

O governo de Brown está cada vez mais pressionado pela opinião pública de seu país para que acelere a retirada das tropas de Londres do Iraque, onde desde a invasão, em março de 2003, morreram 159 militares britânicos. "Estávamos em posição de combate em quatro províncias e agora passamos a ter um papel de supervisor, embora estejamos prontos de voltar a intervir sob certas circunstâncias", assegurou o primeiro-ministro.

*Confiança"

Brown se mostrou confiante em relação ao controle da segurança pelos iraquianos e pela ONU nessa região turbulenta e destacou o trabalho feito pelos soldados britânicos no Iraque.

Principal porto de exportação do petróleo iraquiano, Basra possui 2 milhões de habitantes, em sua maioria xiitas, e sofre as conseqüências da violência entre os diferentes grupos dessa corrente religiosa: o movimento do líder radical Moqtada al Sadr, o Conselho Supremo Islâmico do Iraque (CSII) de Abdel Aziz Hakim e o partido Fadhila.

O Exército britânico mantém cerca de 5.500 soldados mobilizados no sul do Iraque, que serão reduzidos aproximadamente para 5.000 antes do final de 2007.

Nos últimos dois anos, os militares britânicos se retiraram de três Províncias do sul do Iraque, deixadas a cargo das autoridades iraquianas.

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