Acadêmica deixa o Irã após passar três meses em prisão
da Folha Online
A acadêmica Haleh Esfandiari, 67, deixou neste domingo o Irã rumo à Áustria, segundo seu advogado no Irã, Abdol Fattah Soltani, e sua filha, Haleh Bakhash. A Justiça do Irã libertou no dia 21 de agosto a acadêmica, após o pagamento de uma fiança de mais de US$ 300 mil (mais de R$ 600 mil). A professora foi acusada de conspirar contra o governo iraniano.
Esfandiari, que tem a dupla nacionalidade e morou nos Estados Unidos por mais de 25 anos, voltou ao Irã em dezembro para visitar sua mãe, que estava doente. Ela foi impedida desde então de deixar o país e encaminhada à prisão Evin de Teerã.
| Reuters |
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| Haleh Esfandiari em uma foto de arquivo sem data definida; pesquisadora deixou o Irã |
Esfandiari é diretora do Programa do Oriente Médio do centro de estudos Woodrow Wilson International, cuja sede é em Washington.
As autoridades iranianas entregaram o passaporte de Esfandiari no último sábado (1º). A acadêmica deixou o país no dia seguinte, rumo à Áustria, onde ela deve se reencontrar com seu marido antes de voltar aos Estados Unidos, segundo Bakhash.
"Ela tinha algumas indicações de que teria seu passaporte de volta, mas ela não sabia quando. Foi uma surpresa completa para nós e um alívio", disse Bakhash em entrevista por telefone à Associated Press.
O desfecho da história veio uma semana depois que o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, disse que seu governo não se opunha à saída de Esfandiari do país.
Histórico
Os problemas de Esfandiari no Irã começaram quando três homens mascarados ameaçaram matá-la no dia 30 de dezembro de 2006, quando ela acabava de chegar no aeroporto de Teerã. A pesquisadora iria visitar a mãe, de 93 anos. Os mascarados levaram a bagagem da acadêmica e seus passaportes, segundo o centro de pesquisas no qual trabalha.
Durante várias semanas, Esfandiari foi interrogada por autoridades durante oito horas diárias. A maioria das questões eram sobre as atividades do Programa do Oriente Médio, segundo o centro americano.
Em maio, o Irã confirmou a detenção de Esfandiari e divulgou as acusações contra ela. O único contato que ela teve com a família desde sua prisão foram telefonemas curtos para sua mãe.
No início de agosto, as autoridades do Irã afirmaram que concluíram investigações sobre Esfandiari e Kian Tajbakhsh, outro detido iraniano-americano acusado de conspirar contra a segurança do país do Oriente Médio. Tajbakhsh é um consultor de planejamento urbano associado à Fundação Soros.
A prisão Evin é conhecida por suas duras condições impostas aos prisioneiros políticos. O marido de Esfandiari afirmou que ela não podia conversar com seus advogados.
Em julho, a televisão pública do Irã mostrou um vídeo com Esfandiari. O filme dizia que estrangeiros tentavam desestabilizar o Irã e também mostrou Tajbakhsh.
Dois outros iranianos-americanos enfrentam acusações parecidas: Parnaz Azima, uma jornalista para a rádio Farda, e Ali Shakeri, um membro da mesa diretora do Centro Cidadão para a Construção da Paz da Universidade da Califórnia em Irvine. Shakeri está na prisão, já Azima foi libertada com a condição de não deixar o Irã.
Com Reuters e Associated Press
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