Félix provocou mais de 60 mortes na América Central
da Folha Online
A passagem da tempestade Félix pela América Central provocou ao menos 60 mortes, segundo a Associated Press. O número pode chegar a até 100 pessoas, de acordo com a France Presse. Nesta quinta-feira, 25 corpos foram resgatados somente em Honduras.
O número exato de mortos é difícil de contar. O presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, afirmou nesta quarta-feira que mais de 200 pessoas estavam desaparecidas. Deste grupo, 52 índios Miskito foram encontrados com vida.
| Oswaldo Rivas /Reuters |
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| Mulher Miskito observa estragos provocados pela passagem de Felix em Krukira, Nicarágua |
"Eles esperavam em tábuas e em salva-vidas por horas", disse a Carolina Echeverria, do governo hondurenho. Os índios estavam no mar, nas proximidades de Raya, na fronteira entre Nicarágua e Honduras.
Metade do grupo foi liberada e voltou para casa em uma embarcação da Marinha da Nicarágua. Os outros foram encaminhados a hospitais em Honduras.
Regiões habitadas pelos índios Miskito, na Nicarágua, foram fortemente atingidas pelo temporal. Na região, há 42 mortos segundo o governador Reynaldo Francis. Os Miskito se dividem pelo território nicaragüense e hondurenho. Com cerca de 135 mil pessoas --100 mil na Nicarágua-- a comunidade era um protetorado britânico até o século 19.
A passagem do Félix --que chegou na Nicarágua na última terça-feira (4) como um furacão de categoria 5, a mais potente na escala Saffir Simpson, com ventos de 260 km/h-- reavivou lembranças do furacão Mitch, que provocou a morte de 10 mil pessoas na América Central em 1998.
Ajuda
| Manuel Zapata/Reuters |
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| Helicóptero do Exército da Nicarágua resgata pescador na região de Cayo Miskitos |
A comunidade internacional começou a enviar sua ajuda para as mais de 50 mil pessoas que ficaram desabrigadas na Nicarágua, onde já começou a distribuição de 30 toneladas de produtos de primeira necessidade que chegaram ao país.
Alguns indígenas possuíam apenas água de coco para alimentação, antes da chegada do Exército, segundo a Reuters.
O coronel Silvio Palacios, responsável de logística no aeroporto internacional de Manágua, informou hoje à agência Efe que aviões AN-26 têm até quatro vôos programados entre a capital e Puerto Cabezas, para transportar a ajuda internacional.
De manhã, dois helicópteros MI-17 da Força Aérea da Nicarágua levaram ajuda de Puerto Cabezas a Sandy Bay --setor pelo qual o furacão Félix entrou na Nicarágua.
A ajuda recebida vem da União Européia, Estados Unidos, Japão, Venezuela, Cuba, Honduras, assim como da Organização das Nações Unidas (ONU) e outros organismos internacionais, além de cidadãos nicaragüenses.
Os primeiros socorros são, em sua maioria, alimentos, água, remédios, combustível, plásticos e cobertores, além do trabalho das brigadas médicas de atendimento.
Félix também deixou em sua passagem pela Nicarágua severos danos materiais, fez a comunicação terrestre entrar em colapso, danificou a infra-estrutura viária, de telecomunicações e de cabos elétricos da região.
| Oswaldo Rivas/Reuters |
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| Família tenta recuperar o que sobrou de sua casa em Puerto Cabezas, na Nicarágua |
As autoridades da Nicarágua calcularam que o país vai precisar de pelo menos US$ 30 milhões (R$ 58,5 milhões) para reconstruir a zona devastada pelos ventos e chuvas.
O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da ONU já entregou duas cargas de alimentos aos desabrigados pelo furacão.
O PMA distribuiu 74,5 toneladas de arroz, feijões e um composto de milho com soja, além de óleo vegetal, para alimentar a quem perdeu tudo.
Os EUA retiraram de uma operação de treinamento internacional no Panamá um de seus navios, e o enviou à Nicarágua, com um helicóptero de apoio, para ajudar nos trabalhos de assistência e resgate.
Washington também tornou pública uma oferta de ajuda inicial de US$ 25 mil (R$ 48,7 mil) para as vítimas e pode realizar uma doação adicional de até US$ 150 mil (R$ 292, 5 mil).
A Venezuela também enviou ajuda. Um avião Hércules C-130 partiu esta manhã de Caracas com uma carga de 8,7 toneladas destinada aos nicaragüenses e uma brigada de médicos cubanos ajuda a população afetada.
Em Genebra, a Federação Internacional de Sociedades da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho fizeram um apelo para recolher artigos de primeira necessidade em situações de emergência que serão enviados para a Nicarágua.
Com Reuters, Efe, Associated Press e France Presse
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