Mundo
08/09/2007 - 13h30

Imprensa inglesa questiona trabalho da polícia no caso Madeleine

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da Folha Online

De vítimas a suspeitos oficiais, Gerry e Kate McCann foram o destaque dos jornais no Reino Unido neste sábado e algumas publicações levantaram dúvidas sobre o procedimento da polícia de Portugal no caso do desaparecimento da menina inglesa Madeleine McCann, 4.

O anúncio de que o casal é suspeito oficial ocorreu nesta sexta-feira pelo advogado da família em Portugal, Carlos Pinto de Abreu. Os McCann foram interrogados por horas, sendo que Kate compareceu duas vezes ao prédio da Polícia Judiciária em menos de 24 horas.

A reviravolta no caso se deu depois que a polícia recebeu resultados de amostras de DNA enviadas ao Reino Unido. O material foi colhido meses depois do desaparecimento a menina, em 3 de maio, em um resorte na Praia da Luz, no Algarve, sul de Portugal. Segundo a versão apresentada pelos pais ela dormia ao lado dos irmãos gêmeos Sean e Amelie, de 2 anos.

Amostras de DNA foram recolhidas do apartamento no qual o casal se hospedava, de roupas de Kate e do carro que o casal alugou. Segundo a família McCann, o carro, um Renault Scénic, foi o que os McCann utilizaram em sua viagem pela Europa e com o qual visitaram o papa Bento 16 em sua campanha para encontrar a filha.

Kate estaria diretamente ligada com a possível morte da menina devido a provas encontradas no carro. No entanto, o "Times" ressalta que o carro foi alugado 25 dias depois do desaparecimento da menina e já havia sido examinado uma vez antes das manchas de sangue serem encontradas.

Se a polícia realmente trabalha com a hipóteses de que Madeleine esteja morta, outra pergunta, desta vez colocada pelo "Guardian" é o que ocorreu com o corpo e ele está.

Além desta questão, o jornal entrevistou especialistas em ciência criminal. "Um corpo não fica em boas condições a 25 dias depois da morte, especialmente no clima português", disse Derrick Pounder, um professor de medicina forense da Universidade de Dundee ao "Guardian".

O professor afirmou que, a hipótese de que o casal teria removido a menina morta cerca de 25 dias depois da morte é complicada, pois o cheiro do corpo em decomposição seria muito forte.

Mark Williams-Thomas, um antigo detetive e especialista em proteção de crianças, disse ao "Independent" que há muitas objeções à teoria de que a menina teria sido transportada no carro muitos dias após sua morte. Ele lista uma possível contaminação da amostras de DNA pela polícia portuguesa, que ele afirmou não utilizar as precauções necessárias na primeira coleta de material. O "Guardian" também cogita a hipóteses de contaminação das mostras de DNA.

Com o título de "Kate McCann: de mãe angustiada, para mãe em sofrimento para suspeita", o jornal "The Independent" traça um trajetória do caso e começa com os preparativos que os McCann faziam para voltar a Rothley, no Condado de Leicestershire, na Inglaterra, após meses acompanhando as investigações sobre o paradeiro de Maddie em Portugal.

O jornal também cogita que o indiciamento dos McCann pode estar relacionado com o anúncio do casal de que voltaria em breve à Inglaterra.

O tablóide britânico "The Sun" fala do interrogatório de Kate, que descreve como agressivo, o título da reportagem é "Acordo de sangue, ameaças e lágrimas". O jornal entrevistou fontes da família.

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