Relatório recomenda redução de tropas no Iraque daqui a 6 meses
da Folha Online
O comandante das forças americanas no Iraque, general David Petraeus, e o embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker, devem recomendar ao Congresso americano a diminuição das tropas dos EUA no país dentro de seis meses durante a exposição de um relatório sobre o conflito, segundo o jornal "The New York Times".
A recomendação frustra a possibilidade levantada em um discurso do presidente dos EUA, George W.Bush, na semana passada, em sua terceira visita ao Iraque.
Nesta segunda-feira ocorre a primeira audiência de Petraeus e Crocker, que devem ao total, realizar três encontros com o Congresso nesta semana.
Ambos irão mostrar desapontamento com a condução política do primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki, principalmente em sua missão de tentar conseguir uma unidade nacional.
Neste domingo, democratas questionaram a administração do presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, que relata ganhos nos últimos sete meses, com o aumento de contingente no Iraque. Para os opositores de Bush, a violência continua e o comprometimento político de Maliki também.
"A realidade é que, apesar de haver algum progresso no fronte da segurança, não há, na verdade, lugar seguro em Bagdá ou na Província de Anbar, onde estávamos lidando com o problema mais sério --a violência sectária", disse o senador democrata Joseph Biden, um pré-candidato às eleições presidenciais de 2008, que pertence ao Comitê de Relações Internacionais do Senado e recentemente esteve no Iraque.
O senador Arlen Specter, um republicano moderado, disse que respeita a análise de Petraeus, mas que não adotará de olhos fechados as recomendações.
"Como eu já disse no passado, ao menos que vejamos alguma luz no fim do túnel, após examinar com detalhes o que o general Petraeus e outros têm a dizer, eu acho que há um senso geral de que há a necessidade de uma nova política", afirmou Specter.
Petraeus e Crocker também devem dizer que o acréscimo de um contingente de 30 mil homens, que fará com que os EUA tenham cerca de 170 mil no Iraque, fará melhor do que qualquer esforço prévio para reprimir a insurgência e restaurar a estabilidade, segundo a Associated Press, que entrevistou oficiais em condição de anonimato.
Retirada
O relatório de Petraeus e Crocker também desaconselha o estabelecimento de uma data para a retirada das forças americanas no Iraque, segundo a agência Associated Press.
A recomendação vai contra a opinião pública americana, que, em uma pesquisa publicada pelo "USA Today" se manifesta a favor da retirada do país do Oriente Médio. Na sondagem, 60% dos entrevistados pedem um prazo para a retirada das tropas dos EUA.
Sobre o relatório de Petraeus, apenas 10% afirmam acreditar que se trata de uma visão independente, enquanto 53% dizem que o general deve dizer o que a administração Bush quer que ele diga. A pesquisa foi realizada pelo jornal com o Instituto Gallup e a margem de erro varia por questão, indo de 4 a 6 pontos percentuais para cima ou para baixo.
Além disso, esta recomendação desagrada a bancada democrata das Casas.
"O problema é que, se você não tem um prazo e não requer algo dos iraquianos, eles simplesmente usarão nossa presença como uma cobertura", disse o senador democrata John Kerry.
"Se os políticos em Washington decidem uma data arbitrária, um número arbitrário para retirar, isto não vai fazer com que os políticos de Bagdá se movam. Isto vai revigorar o inimigo", disse o senador republicano Lindsey Graham.
Graham afirmou confiar na análise de Petraeus e disse que era uma bobagem o congresso tentar tirar conclusões de conversas com comandantes secundários em campo.
Rumsfeld
Em uma entrevista à revista "GQ", o ex-chefe do Pentágono, Donald Rumsfeld, disse que o o Afeganistão é um exemplo de sucesso, mas o Iraque não, em grande parte devido ao governo iraquiano.
Rumsfeld renunciou à liderança do Pentágono em novembro do ano passado.
"No Afeganistão, há 28 milhões de pessoas que são livres", disse Rumsfeld. "O governo do Iraque não foi capaz de criar um ambiente propício para a democracia, um sistema representativo ou um sistema mais livre", afirmou ainda Rumsfeld.
Com Associated Press, Efe, "The News York Times" e "USA Today"
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