Mundo
11/09/2007 - 04h41

Jacarta vai punir com multa e prisão quem der dinheiro a mendigos

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da Efe, em Jacarta

O novo governador de Jacarta, Sutiyoso, proibiu a doação de dinheiro a mendigos, impondo penas de até dois meses de prisão e multas de mais de US$ 2.000, informou hoje a imprensa da Indonésia.

Além disso, passou a ser proibido comprar em camelôs, distribuir propaganda e viver em espaços públicos, como debaixo das pontes. Sutiyoso argumenta que as novas leis servirão para impor a ordem, segundo o jornal "The Jakarta Post".

A regulação entra em vigor pouco antes do começo do mês santo do Ramadã, no qual a generosidade dos muçulmanos aumenta. A esmola é um dos cinco pilares do Islã, ao lado da profissão de fé, do jejum, da oração e da peregrinação a Meca.

O governador da capital da Indonésia também proibiu jogar lixo no chão, grudar chicletes nos bancos, fumar no transporte público e soltar fogos de artifício.

A multa de mais de US$ 2.000 por colaborar com a mendicidade, num país onde o salário mínimo é inferior a US$ 100, pode chegar a mais de US$ 5.000 para quem obrigar crianças ou adultos a pedir dinheiro nas ruas.

Durante o Ramadã, um tempo de compartilhar para os muçulmanos, quem quiser dar dinheiro aos mais necessitados terá que recorrer a outros mecanismos. Várias empresas privadas tentam atuar como intermediárias. Os supermercados Hero e Hypermat, por exemplo, aceitarão doações que depois serão levadas às comunidades pobres da capital.

Wardah Hafidz, coordenadora da ONG Consórcio de Pobres Urbanos, informou que a medida "é uma norma absurda e não vai funcionar porque não elimina a raiz do problema".

Segundo Hafidz, "em Jacarta o problema é a pobreza e o que falta é emprego, não disciplina nas ruas".

As ONG calculam que um terço dos 9 milhões de habitantes de Jacarta vive na pobreza.

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