Bush deve iniciar redução de contingente no Iraque ainda neste mês
da Folha Online
da Associated Press, em Washington
O presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, deve dizer aos americanos ainda nesta semana que reduzirá o contingente dos EUA no Iraque em cerca de 30 mil militares até o meio de 2008. Ele também deve condicionar esta diminuição a progressos no país do Oriente Médio, segundo a Associated Press, que obteve as informações com fontes da Casa Branca que pediram para não ser identificadas.
O discurso do presidente ocorrerá provavelmente na próxima quinta-feira (13). Bush deve endossar as recomendações do comandantes das forças americanas no Iraque, David Petraeus, e do embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker.
| J. Scott Applewhite/AP |
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| George W.Bush deve anunciar redução de efetivo no Iraque |
Ambos entregam ao Congresso uma avaliação do progresso americano no Iraque. Hoje, no segundo dia na Casa, Petraeus e Crocker apresentaram argumentos para continuar com a ação no Iraque.
A estabilização no país do Oriente Médio é considerada um dos assuntos mais importantes para os americanos, até mesmo mais do que a captura do líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, cujo novo vídeo foi divulgado nesta terça-feira, segundo uma pesquisa do Instituto Zogby.
Com a redução a ser anunciada, o efetivo americano no Iraque passaria a cerca de 130 mil homens por volta de agosto de 2008. É o número aproximado de militares que serviam no Iraque em dezembro de 2006, antes do presidente Bush aprovar reforços para o país do Oriente Médio.
Ainda no rascunho, segundo a Associated Press, o discurso deve tentar acalmar alguns setores da opinião pública americana. O presidente Bush dirá que compreende as preocupações e o desejo dos americanos de trazer os militares de volta aos EUA, mas dirá que não pode abandonar o Iraque.
A recomendação de Petraeus ontem ao Congresso surpreendeu a opinião pública nos EUA, que esperava, como o jornal "The New York Times" que o general pedisse uma retirada de contingente apenas daqui a cerca de seis meses.
Democratas X republicanos
| Kevin Lamarque/Reuters |
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| Bush (no centro) entre os democratas Nancy Pelosi e Harry Reid durante reunião hoje |
No Congresso, os democratas --opositores dos republicanos, partido de Bush-- são os mais críticos em relação à política no Iraque. A maioria da bancada pede, além da redução das tropas, que um prazo para a retirada seja estabelecido.
Nesta terça-feira, Bush se encontrou com legisladores dos dois partidos para discutir o papel americano no Iraque. "É muito importante antes de tomar uma decisão que eu consulte líderes do Congresso", afirmou o presidente sobre o encontro.
Bush também atenderá ao pedido de Petraeus por mais tempo para determinar a retirada dos outros 130 mil militares e a oferta de um novo relatório ao Congresso em março sobre tais planos, segundo as fontes da Casa Branca.
O apoio dos próprios membros do partido ao qual Bush pertence, o republicano, está abalado no Congresso. Muitos republicanos afirmam que não estão à vontade em deixar os militares no Iraque até o meio do ano que vem, mas o grupo também permanece relutante em apoiar uma retirada das forças americanas de forma radical, como sugerem alguns democratas.
Membros do Partido Democrata relataram à Associated Press que parte dos republicanos se voltou contra Bush devido às pesquisas de opinião para as eleições presidenciais de 2008. A presença americana no Iraque é um tema não popular e está fortemente vinculada ao presidente.
Já os republicanos, se quiserem aprovar uma proposta contra guerra, tendem a suavizar seu discurso em relação ao conflito, segundo fontes ouvidas pela Associated Press.
No Congresso
Na apresentação de hoje de Petraeus ao Congresso, o general enfrentou perguntas árduas sobre o futuro da missão americana no Iraque.
"Nós iremos continuar a investir sangue e dinheiro na mesma medida em que estamos fazendo agora? Para quê?", perguntou o senador Chuck Hagel, que defende o estabelecimento de um prazo para a retirada dos EUA do Iraque.
"No meu julgamento, algum tipo de sucesso no Iraque é possível, mas como legisladores, nós temos de reconhecer que enfrentamos margens muito estreitas para atingir nossos objetivos", disse o senador republicano Richard Lugar de Indiana.
O senador republicano Norm Coleman disse que lhe agrada a idéia de diminuir o contingente no Iraque, mas que ele quer uma visão de longo termo ao invés da sugestão de Petraeus e Crocker de retornar ao Congresso em março.
"Os americanos querem ver luz no fim do túnel", disse Coleman.
Petraeus e Crocker afirmaram que o Iraque continua com sérias deficiências, mas que a violência no país diminuiu desde o reforço de 30 mil militares enviados pelo presidente Bush.
Crocker disse que a melhora na segurança pode cimentar o caminho para uma reconciliação política no Iraque, país que sofre com a violência sectária.
Com Reuters
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