Mundo
11/09/2007 - 17h52

Bush deve iniciar redução de contingente no Iraque ainda neste mês

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da Folha Online
da Associated Press, em Washington

O presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, deve dizer aos americanos ainda nesta semana que reduzirá o contingente dos EUA no Iraque em cerca de 30 mil militares até o meio de 2008. Ele também deve condicionar esta diminuição a progressos no país do Oriente Médio, segundo a Associated Press, que obteve as informações com fontes da Casa Branca que pediram para não ser identificadas.

O discurso do presidente ocorrerá provavelmente na próxima quinta-feira (13). Bush deve endossar as recomendações do comandantes das forças americanas no Iraque, David Petraeus, e do embaixador dos EUA no Iraque, Ryan Crocker.

J. Scott Applewhite/AP
George W.Bush deve anunciar redução de efetivo no Iraque
George W.Bush deve anunciar redução de efetivo no Iraque

Ambos entregam ao Congresso uma avaliação do progresso americano no Iraque. Hoje, no segundo dia na Casa, Petraeus e Crocker apresentaram argumentos para continuar com a ação no Iraque.

A estabilização no país do Oriente Médio é considerada um dos assuntos mais importantes para os americanos, até mesmo mais do que a captura do líder da rede terrorista Al Qaeda, Osama bin Laden, cujo novo vídeo foi divulgado nesta terça-feira, segundo uma pesquisa do Instituto Zogby.

Com a redução a ser anunciada, o efetivo americano no Iraque passaria a cerca de 130 mil homens por volta de agosto de 2008. É o número aproximado de militares que serviam no Iraque em dezembro de 2006, antes do presidente Bush aprovar reforços para o país do Oriente Médio.

Ainda no rascunho, segundo a Associated Press, o discurso deve tentar acalmar alguns setores da opinião pública americana. O presidente Bush dirá que compreende as preocupações e o desejo dos americanos de trazer os militares de volta aos EUA, mas dirá que não pode abandonar o Iraque.

A recomendação de Petraeus ontem ao Congresso surpreendeu a opinião pública nos EUA, que esperava, como o jornal "The New York Times" que o general pedisse uma retirada de contingente apenas daqui a cerca de seis meses.

Democratas X republicanos

Kevin Lamarque/Reuters
Bush (no centro) entre os democratas Nancy Pelosi e Harry Reid durante reunião hoje
Bush (no centro) entre os democratas Nancy Pelosi e Harry Reid durante reunião hoje

No Congresso, os democratas --opositores dos republicanos, partido de Bush-- são os mais críticos em relação à política no Iraque. A maioria da bancada pede, além da redução das tropas, que um prazo para a retirada seja estabelecido.

Nesta terça-feira, Bush se encontrou com legisladores dos dois partidos para discutir o papel americano no Iraque. "É muito importante antes de tomar uma decisão que eu consulte líderes do Congresso", afirmou o presidente sobre o encontro.

Bush também atenderá ao pedido de Petraeus por mais tempo para determinar a retirada dos outros 130 mil militares e a oferta de um novo relatório ao Congresso em março sobre tais planos, segundo as fontes da Casa Branca.

O apoio dos próprios membros do partido ao qual Bush pertence, o republicano, está abalado no Congresso. Muitos republicanos afirmam que não estão à vontade em deixar os militares no Iraque até o meio do ano que vem, mas o grupo também permanece relutante em apoiar uma retirada das forças americanas de forma radical, como sugerem alguns democratas.

Membros do Partido Democrata relataram à Associated Press que parte dos republicanos se voltou contra Bush devido às pesquisas de opinião para as eleições presidenciais de 2008. A presença americana no Iraque é um tema não popular e está fortemente vinculada ao presidente.

Já os republicanos, se quiserem aprovar uma proposta contra guerra, tendem a suavizar seu discurso em relação ao conflito, segundo fontes ouvidas pela Associated Press.

No Congresso

Na apresentação de hoje de Petraeus ao Congresso, o general enfrentou perguntas árduas sobre o futuro da missão americana no Iraque.

"Nós iremos continuar a investir sangue e dinheiro na mesma medida em que estamos fazendo agora? Para quê?", perguntou o senador Chuck Hagel, que defende o estabelecimento de um prazo para a retirada dos EUA do Iraque.

"No meu julgamento, algum tipo de sucesso no Iraque é possível, mas como legisladores, nós temos de reconhecer que enfrentamos margens muito estreitas para atingir nossos objetivos", disse o senador republicano Richard Lugar de Indiana.

O senador republicano Norm Coleman disse que lhe agrada a idéia de diminuir o contingente no Iraque, mas que ele quer uma visão de longo termo ao invés da sugestão de Petraeus e Crocker de retornar ao Congresso em março.

"Os americanos querem ver luz no fim do túnel", disse Coleman.

Petraeus e Crocker afirmaram que o Iraque continua com sérias deficiências, mas que a violência no país diminuiu desde o reforço de 30 mil militares enviados pelo presidente Bush.

Crocker disse que a melhora na segurança pode cimentar o caminho para uma reconciliação política no Iraque, país que sofre com a violência sectária.

Com Reuters

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