Mundo
12/09/2007 - 13h58

Prova de morte é fundamental para caso Madeleine, diz especialista

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DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

O caso da menina britânica Madeleine McCann, 4 --que desapareceu em 3 de maio de um quarto de hotel na praia da Luz, na região do Algarve, em Portugal-- não poderá ser solucionado sem que se comprove sua morte, na opinião de Ilana Casoy, do Núcleo de Estudos e Pesquisas em Psiquiatria Forense e Psicologia Jurídica do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas (SP).

Para a pesquisadora, que também é membro consultivo da Comissão de Política Criminal e Penitenciária da OAB São Paulo, obter provas de que a menina esteja realmente morta --hipótese que ela diz considerar a mais provável-- é algo "essencial" para o caso. "É claro que, se o corpo for encontrado, teremos muito mais material nessa história, como, por exemplo, a causa da morte", afirmou Casoy em entrevista à Folha Online.

Divulgação
Prova de que Madeleine está morta é essencial para caso, diz Casoy
Prova de que Madeleine está morta é essencial para caso, diz Casoy

Novas escavações para se encontrar o corpo de Madeleine foram anunciadas por jornais portugueses e britânicos nesta quarta-feira.

No entanto, a especialista pondera que não apenas o corpo, mas também outros fatores, podem indicar a morte. "Um especialista inglês afirmou que é possível saber se os fios encontrados no carro são de uma pessoa viva ou morta, pela composição química. Se isso for verdade, teremos um dado importante no caso", afirma ela.

Embora considere a hipótese de morte a mais plausível, ela diz que as versões sobre uma possível morte acidental são "nebulosas". "Os pais são médicos, que acidente seria esse que teriam de esconder?", questiona.

A criança desapareceu no dia 3 de maio em um complexo turístico em Praia da Luz, no Algarve, sul de Portugal.

Os pais, Gerry e Kate McCann, lançaram uma campanha de grandes proporções para encontrar a filha. No entanto, na última sexta-feira (7), o caso sofreu uma reviravolta, pois a Polícia Judiciária de Portugal apontou os McCann como suspeitos oficiais do desaparecimento da menina.

Desde então, especulações sobre a combinação do DNA de Madeleine, sobre amostras de fluidos encontrados no carro usado pelo casal depois da morte da menina, além de críticas à polícia, tomaram conta dos noticiários.

DNA

Em relação à polêmica em torno do DNA, ela afirma: "Um jornal falou que o exame é 88% compatível, e isto me preocupa, por que não é 100%? O DNA de parentes, sobretudo irmãos, é muito compatível, mas quem iria carregar um irmão dela no porta-malas do carro? É tudo muito complicado", analisa Casoy.

Efe
Gerry e Kate McCann deixam sua casa no Reino Unido com os filhos
Gerry e Kate McCann deixam sua casa no Reino Unido com os filhos

Segundo Casoy, é importante analisar os procedimentos usados para a coleta das provas. "Como foram colhidas? Como foram examinadas? Foram contaminadas? Tudo isso é muito importante", afirma a especialista.

Para a pesquisadora, é preciso ter cautela com as informações que vêm sendo veiculadas pela imprensa. "Está sendo dito que quantidade de cabelo [de Madeleine] encontrada no carro não é a que cai naturalmente --seria uma quantidade muito grande, então se suspeita que o corpo foi transportado no porta-malas. Mas foi um legista de Nova York quem disse isso. Ele viu as provas?", questiona.

"Se cria toda uma histeria em torno disso, e todo mundo procura seus 15 minutos de fama", diz Casoy.

Conclusões apressadas

Para Casoy, "conclusões apressadas" são perigosas e podem gerar um julgamento precoce por parte da opinião pública. "Existem pais que matam filhos? Sim, existem, mas são uma minoria", diz ela, lembrando, no entanto, que ter precaução não significa livrar os McCann de qualquer suspeita.

Ela cita um caso ocorrido na Austrália na década de 80, o "Caso Dingo". Um casal australiano, Lindy e Michael Chamberlain, foi acampar nas montanhas e alegou que um dingo --um cão selvagem australiano-- retirou a filha, Azaria, de sua tenda e a atacou.

A menina era um bebê de menos de um ano e seu corpo não foi encontrado. "Em um primeiro momento, a mãe e o pai não foram considerados suspeitos, mas tinham muitas teses, muita gente ouvida, muitos cientistas com aspas e sem aspas. Começou uma discussão científica e midiática", afirmou Casoy.

06.mai.2007/Luis Forra/EFE
Busca dos 15 minutos de fama podem levar a conclusões apressadas, afirma Ilana Casoy
Busca dos 15 minutos de fama podem levar a conclusões apressadas, afirma Ilana Casoy

"A mãe descreveu um casaco que a menina usava e nunca foi encontrado para combinar com a mordida do cachorro. O que aconteceu é que uma tesoura foi encontrada no carro. A mãe foi presa e condenada", contou a pesquisadora.

Lindy Chamberlain ficou presa por três anos, perdeu apelações, mas o casaco foi encontrado na mata. Era a roupa descrita pela mãe e se provou que a menina havia realmente sido morta pelo cão selvagem. A mãe foi liberada e ganhou uma indenização milionária.

"A mídia teve um papel muito importante na prisão dessa mãe, chegaram até a falar em ritual satânico", diz.

Emoção

Em relação a comentários de que Kate McCann não chorou nem fez apelos emocionais desde o desaparecimento de Madeleine, a pesquisadora faz mais objeções. "Isso é palpite. No caso de [Suzane von] Richthofen, eu ouvi uma psiquiatra fazendo uma declaração de que ela teria uma lesão cerebral ao vivo na TV. Em que tomografia ela achou a lesão? A menina não foi nem examinada", afirma Casoy.

"O mundo fica lotado de opiniões, e como opinar em uma tragédia desse porte? A tragédia existe de qualquer jeito. Se a menina foi morta pelos pais em um momento de 'insanidade' e eles resolveram esconder isso, é uma tragédia. Se ela foi seqüestrada, também, não tem jeito dessa história ser boa", afirma a pesquisadora.

"Mas é um caso não julgado, mesmo que se suspeite dos pais da Madeleine, eles terão direito a defesa e julgamento. É uma história que não terminou. Aquela menina da Áustria [Natascha Kampusch], por exemplo, era dada como morta e estava trancada há oito anos em um porão, quem iria imaginar isso?", pergunta.

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Comentários dos leitores
Zelão Silva (17) 06/08/2009 17h10
Zelão Silva (17) 06/08/2009 17h10
A culpa é dos pais...não deveriam ter deixado 3 crianças sozinhas no hotel...eles deveriam ser julgados por maus tratos... sem opinião
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Carla Patricia (1) 19/04/2009 08h59
Carla Patricia (1) 19/04/2009 08h59
BOm .. li vários comentários.. me parece que as pesoas .. algumas pessoas estão mais preocupados em querer justificar suas mensagens, me parece que estão querendo provar algo sem consistencia.. enfiam estão dando tiros pra todo lado ... se gostam de investigação e de ler sobre o assunto.. então que façam .. junte todas as provas trabalhem em equipe.. não percam tempo em querer provar algo inconsistente....... Gente junto os comentários leiam pequenas reportagens.. monte o quebra cabeça.. asim vcs ajudaram caso contrario são apenas palavras lançada ao vento..........
Mesmo assim agradeço o espaço...ahhh e só dão tanto enfase nesta historia porque é uma menina do 1º mundo e rica....... porque temos aki no Brasil crianças sendo espancadas e que somem e nem ao menos citam o nome delas.......então gente é muito louvavel o que fazem o que dizem ... mas querem dar um culpado para a garotinha da ingleterra ..... mas antes disso pense nas nossas crianças.. "QUEREM SALVAR O MUNDO, PRIMEIRAMENTE ARRUMEM VOSSOS QUARTOS"
10 opiniões
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tais jordao (1) 19/01/2009 16h28
tais jordao (1) 19/01/2009 16h28
O que eu nao entendo sobre esse caso é se a menina foi sequestrada , porque nao sequestraram os meninos tambem , levaram somente ela . Ja que estavam todos sozinhos o natural é que fossem levados todos. 7 opiniões
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