Presidente da França nega prospecto de guerra contra Irã
da France Presse, em Paris
O presidente da França, Nicolas Sarkozy, disse que seu país "não quer a guerra" contra Teerã, nesta quinta-feira em entrevista veiculada pela TF1 e a France 2.
"O Irã tenta obter a bomba atômica, o que é inaceitável", disse Sarkozy. O caso nuclear iraniano "é extremamente sensível, mas a França não quer a guerra", afirmou.
O país do Oriente Médio é acusado de desenvolver um programa nuclear com fins militares pelos EUA e pela França, mas autoridades iranianas afirmam que seu programa tem objetivos energéticos.
O comentário de Sarkozy é parte dos desdobramentos das declarações do ministro das Relações Exteriores da França, Bernard Kouchner, que disse no último domingo (16), que o mundo devia se preparar para a possibilidade de uma guerra contra o Irã.
Kouchner tentou em seguida minimizar o impacto de sua declaração reafirmando a necessidade de negociar até o fim com Teerã e alegando que queria dizer na verdade que o mais importante era evitar a guerra.
"Eu não teria utilizado a palavra guerra, mas ele [Kouchner] já explicou o que queria dizer com isso", disse Sarkozy.
O presidente francês elogiou o trabalho de seu ministro, principalmente sobre o Líbano e a região sudanesa de Darfur. O trabalho de Kouchner "é um motivo de orgulho para a França", afirmou Sarkozy.
"Como se pode convencer os iranianos a renunciar a seus projetos [nucleares], como a comunidade internacional convenceu a Coréia do Norte e a Líbia a desistir de seus projetos? Pela discussão, pelo diálogo e por sanções", disse o presidente da França.
"Se as sanções não bastarem, desejo sanções mais duras", afirmou Sarkozy.
"No entanto, isso não exclui um diálogo com os iranianos", continuou. "O Irã é uma grande civilização", afirmou Sarkozy.
"Na minha opinião, o que é proibido é o nuclear militar, não o nuclear civil", disse o presidente da França.
Paris defende agora sanções européias contra o regime de Teerã, além das sanções da ONU, para obrigar o Irã a renunciar ao enriquecimento de urânio.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite wap.folha.com.br
Leia mais
- Governo iraniano chama ministro francês de amador
- Após França cogitar guerra, Irã insinua ação contra Israel
- Pré-candidato republicano quer proibir presidente do Irã na ONU
Especial

