Mundo
24/09/2007 - 08h35

Milhares vão às ruas no maior protesto em 20 anos em Mianmar

da Folha Online

Mais de 100 mil pessoas, lideradas por monges budistas, participaram nesta segunda-feira de manifestações em Yangun, maior cidade de Mianmar, nos maiores protestos contra a junta militar birmanesa das últimas duas décadas, segundo testemunhas.

As manifestações em Mianmar tiveram início no mês passado por causa do aumento de combustíveis, mas agora os monges querem também que o governo peça desculpas por ter reprimido protestos recentes de maneira violenta.

Reuters
Milhares de monges budistas marcham em protesto contra junta militar em Mianmar
Milhares de monges budistas marcham em protesto contra junta militar em Mianmar

Duas manifestações --cada uma delas com dezenas de milhares de participantes-- ocorreram nesta segunda-feira por volta das 16h15 (06h45 de Brasília). Um dos protestos foi realizado no centro de Yangun, e o outro na região norte da mesma cidade.

Testemunhas estimaram em mais de 100 mil os manifestantes no norte de Yangun, e em ao menos 30 mil --a metade deles religiosos-- no ato no centro.

"As ruas estão lotadas", disse uma testemunhas sobre a multidão que protesta contra os 45 anos de regime militar, que transformaram o país um um dos mais pobres da Ásia.

Milhares de monges marcharam do pagode [santuário oriental de vários andares construído em forma de pirâmide] de Shwedagon, um dos mais sagrados do país, ao centro da cidade.

Protestos também ocorreram em Mandalay, onde cerca de 10 mil monges se manifestaram no sábado (22) na cidade de Sittwe (noroeste), e em Bago, ao norte de Yangun.

Na capital, após fazerem preces no pagode de Sule, na região do principal distrito comercial da cidade, os monges marcharam até outro local sagrado, seguidos por uma multidão.

"Não há possibilidade de os monges deixarem essa causa, eles estão ficando mais ousados a cada dia. Eles exigem reformas", disse uma fonte diplomática em Yangun.

"Eles são muitos e, se não são imunes, certamente é muito mais difícil para o governo coibi-los do que combater civis comuns", disse o diplomata.

Os Estados Unidos --o maior crítico ocidental da junta militar-- expressaram simpatia pelos protestos.

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Com agências France Presse e Reuters

 

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