Mundo
24/09/2007 - 14h43

Irã não atacará Israel nem qualquer outro país, diz presidente

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da Folha Online

O presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, disse hoje à agência de notícias Associated Press que seu país "não tem a intenção de atacar Israel" nem qualquer outro país, e descartou também a possibilidade de uma ofensiva dos Estados Unidos contra o Irã.

"O Irã não atacará nenhum país", disse ele na entrevista. "Sempre mantivemos uma política defensiva, e não ofensiva, e nunca tentamos expandir nosso território", disse ele.

Questionado se acredita que os Estados Unidos preparam uma guerra contra seu país, ele disse: "Não é assim que eu vejo (...) Acredito que esses rumores nascem, primeiramente, da raiva. Em segundo lugar, serve às propostas eleitorais domésticas [dos EUA]. Em terceiro lugar, serve para encobrir as falhas da política americana no Iraque", disse Ahmadinejad.

Vahid Salemi/AP
Irã não precisa de uma bomba nuclear, diz Mahmoud Ahmadinejad
Irã não precisa de uma bomba nuclear, diz Mahmoud Ahmadinejad

"Mas não acredito que se possa compensar um erro cometendo outro", acrescentou ele.

Neste domingo, Ahmadinejad já havia descartado um conflito com os EUA em entrevista ao jornal "60 Minutos", da rede CBS. "É errado pensar que o Irã e os EUA caminham em direção a guerra. Quem diz isso? Porque deveríamos ir à guerra? Não há guerra em vista".

Na entrevista, ele também negou a intenção de seu país de construir uma arma nuclear. "Vocês [EUA] têm que entender que não precisamos de uma bomba nuclear. Não precisamos disso. Por que precisaríamos de uma bomba?", disse ele à rede de TV americana.

"Nas relações políticas atuais, uma bomba não tem qualquer utilidade. Se ela fosse útil, teria impedido a queda da ex-União Soviética", acrescentou.

Os EUA acusam o governo do Irã de desenvolver secretamente armas nucleares, e de ajudar milícias xiitas no Iraque com armas e recursos. O Irã nega as acusações.

ONU

Ahmadinejad deve fazer um discurso na Universidade de Columbia nesta segunda-feira. Amanhã, ele deve participar da Assembléia Geral da ONU em Nova York. A visita será sua terceira ida à reunião do órgão em Nova York em três anos.

Antes de deixar o Irã, ele disse que o povo americano "não recebeu as informações corretas", e que sua visita aos EUA dará a eles a chance de "ouvir uma voz diferente".

Ahmadinejad já apelou ao povo americano em ocasiões anteriores, fazendo distinção entre a população e o governo. Recentemente, ele disse em um programa de TV que o Irã quer "paz" e "amizade" com os Estados Unidos. Desde que chegou ao poder, em 2005, ele enviou cartas ao povo americano criticando o governo de Bush e sua política no Oriente Médio.

Os Estados Unidos dizem que preferem resolver a questão com o Irã diplomaticamente, e não militarmente, mas que "todas as opções são analisadas". O comandante das forças americanas no Oriente Médio descartou a possibilidade de as tensões levarem a uma guerra.
"Este rumor constante rumor de conflito me incomoda, ele não ajuda em nada", disse William Fallon, chefe do Comando Central americano, em entrevista à rede de TV Al Jazeera (Qatar).

Marco Zero

No entanto, seu pedido para visitar o Marco Zero, onde ficavam as torres gêmeas do World Trade Center derrubadas em um ataque terrorista em 2001, foi negado pelos EUA devido a críticas de políticos que consideraram que a visita "violaria" o local de homenagem às vítimas.
Após os atentados de 11 de Setembro, centenas de iranianos realizaram vigílias em Teerã.

"Em geral, as pessoas vão a esses locais para prestar homenagem, e também para expressar seu ponto de vista sobre as raízes de tais incidentes", disse Ahmadinejad.

A secretária de Estado americana, Condoleezza Rice, afirmou hoje, em Nova York, que uma visita de Ahmadinejad ao local seria "uma farsa". "Está aqui quem preside um país que provavelmente é o maior apoio do terrorismo, alguém que nega o Holocausto, alguém que fala de apagar outros países do mapa", disse ela, referindo-se a Ahmadinejad.

A Universidade de Columbia cancelou no ano passado uma visita do líder iraniano, citando "razões de segurança" e de "logística".

A visita de Ahmadinejad causa controvérsia no Irã. Parte da população diz acreditar que sua visita é uma "publicidade" que "denigre a imagem do Irã no mundo".

Com agências Associated Presse e France Presse

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Comentários dos leitores
Ricardo Perrone (42) 15/11/2009 12h42
Ricardo Perrone (42) 15/11/2009 12h42
Não me parece correto chamar de "acordo" esse documento imposto pela IAEA ao Irã. Tal documento redigido totalmente por americanos segundo seus próprios interesses não configura um tradicional documento usualmente aceito como Acordo. Neste documento imposto somente existem imposições! Não há deveres e obrigações igualmente distribuidas entre as duas partes concordantes. Na realidade, seria melhor enquadrado como uma ordem judicial imposta ao Irã. Acredito que o Irã não deve aceitar esse tipo de coisa, que é um desafio direto a sua soberania e direito de explorar os benefícios da energia nuclear. Além disso não deveriam usar o termo "Comunidade Internacional" para pressionar o Irã. A Comunidade Internacional não tem nenhum interesse nessa confusão criada por potências ocidentais, e com forte apoio israelense. A Comunidade Internacional tem outros interesses que o CS da ONU e o G-8 nunca demonstraram o menor interesse em se quer discutir seriamente. Tal campanha somente visa influenciar mentes despreparadas nos diversos países, e estabelecer uma falsa idéia de que existe o Bem representado pelo Ocidente (Leia-se aqui USA, França, Alemanha e UK), e o Mal encarnado na figura de alguns países (Leia-se aqui Irã, Síria e Coréia do Norte). Seria melhor que países hostis ao Irã jogassem de forma limpa e direta, sem rodeios ou provas falsas: "Ou vocês aceitam serem subordinados aos nossos interesses, ou então iremos bombardeá-los!" sem opinião
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J. R. (1151) 14/11/2009 09h34
J. R. (1151) 14/11/2009 09h34
"Exército do Irã inicia produção em série de mísseis termoguiados" - As barreiras impostas pelos USA não foram impedimento para o Irã desenvolver um avançado programa de mísseis ar-ar termoguiados, capazes de se manterem no alvo inicial por até 100 Km. O Brasil já segue essa linha de desenvolvimento, porém bem lentamente, o que acarreta produtos que já não são top de linha ou superados. Um acordo com o Irã seria benéfico para o Brasil, já que as barreiras às transferências de tecnologia dos países grandes produtores de armamentos são intransponíveis, uma oportunidade. Outra possibilidade é abrir o mercado do O. M. aos produtos da industria militar paulista, começando pelo Irã. 3 opiniões
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J. R. (1151) 10/11/2009 14h26
J. R. (1151) 10/11/2009 14h26
"... o presidente da bancada de congressistas dos Estados Unidos com interesses no Brasil, Eliot Engel, alerta que receber Ahmadinejad é um erro terrível. " - O Brasil deve ter no planeta uma má fama terrível que desconhecemos ao ponto do promíscuo Beslusconi e a ultradireita italiana exigirem a repatriação de um refugiado político legalmente concedido pelo governo. Algo que parece a uma briga de hienas representada pela oposição que quer aparecer inutilmente já não se manifesta igualmente em prol da condenação dos Estados Unidos e seu acobertamento por 22 militares condenados pela Justiça italiana, e outros mundo afora, como Japão (não reconhece nem mesmo os acordos firmados). Os USA possuem bases em 39 países, sendo as maiores ocupações na Alemanha (264), Japão (124), Coréia do Sul (87), Itália (83). Imagine que nessa população ocorrem crimes contra civis que não podem ser apurados pelos países "hospedeiros". Atropelamentos de civis ocorrem em Okynawa por exemplo, e as vítimas são abandonadas agonizando na estrada para a fuga do veículo militar a sua base para que não haja prisão. Como esses fascínoras querem nos falar que a visita do presidente do Irã será "um erro terrível"? Maior erro é acreditar em qualquer coisa que eles falem em termos de moral e legalidade. Com os protestos contra a presença das mesmas bases ao redor do mundo, aumentam o custo da manutenção das mesmas, o que obrigará à redução das mesmas e maior respeito às leis, longe das demonstrações de poderio. 3 opiniões
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