Mundo
24/09/2007 - 16h17

"Irã é uma vítima do terrorismo", diz presidente iraniano nos EUA

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da Folha Online

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que seu país é uma vítima do terrorismo, pediu pesquisas sobre o Holocausto e defendeu a questão palestina em um evento na Universidade Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos.

O evento, que consistiu em um discurso inicial do presidente e depois foi aberto para perguntas, teve transmissão da rede "CNN".

Em uma pergunta, ele foi indagado sobre o papel de colaborador de seu país com atividades terroristas. Como outras vezes durante o evento, ele inverteu a questão e disse que seu país é uma vítima do terrorismo.

O Irã é acusado pelos EUA de patrocinar o terrorismo, principalmente no Iraque. EUA e França afirmam que o programa nuclear desenvolvido pelo país possui fins militares, o Irã nega e insiste que os objetivos da atividade são energéticos.

Vahid Salemi/AP
"Irã é vítima do terrorismo", diz presidente Mahmoud Ahmadinejad
"Irã é vítima do terrorismo", diz presidente Mahmoud Ahmadinejad

Ahmadinejad sorriu ante sua apresentação em Nova York, feita pelo presidente da universidade, Lee Bollinger, que afirmou que o presidente tinha um comportamento de um ditador cruel.

Bollinger lembrou as questões sobre direitos humanos e política internacional, assim como a negação do Holocausto e os pedidos de desaparecimento de Israel.

Ahmadinejad afirmou que Bollinger utilizou um tratamento não amigável, em conseqüência de pressões da imprensa e de políticos americanos.

Ao contrário de toda polêmica que gerou quando colocou em dúvida a existência do Holocausto, desta vez o presidente do Irã negou que houvesse contestado o evento histórico.

"Eu concordo que isto aconteceu, mas o que os palestinos têm a ver com isso?", disse Ahmadinejad, desviando em seguida da pergunta e focando na causa palestina.

Ele disse que na época que deu as declarações que lhe valeram o apelido de "Hitler do Irã", dado por algumas organizações, ele estava defendendo o direito de acadêmicos europeus que haviam sido perseguidos, segundo ele, por negar ou minimizar aspectos do Holocausto.

"Não há nada conhecido que seja absoluto", afirmou o presidente do Irã.

Ele também afirmou que Israel ocupa as terras dos palestinos e acusou o Estado de racismo. Antes da palestra, Ahmadinejad disse se encontrou com um grupo judaico contra o sionismo.

Ahmadinejad não revidou diretamente as acusações de Bollinger, mas iniciou, após diversas citações ao Corão, críticas à administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a de antigos governos americanos --ele abordou desde escutas às bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki.

Com Associated Press, Reuters e "CNN"

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Comentários dos leitores
J. R. (1256) 30/01/2010 08h52
J. R. (1256) 30/01/2010 08h52
Seria até possível forçar o Irã às inspeções caso Israel também se submeta a inspeções da AIEA (Agência Internacional de Energia Atômica) em todas as suas instalações de Dimona e militares. Assim o mundo ficaria mais tranquilo ao saber que não estão escondendo armas de destruição em massa, do mesmo modo que o Irã. Obviamente a comissão da AIEA tem que ser formada por representantes de todas as partes, não apenas os escolhidos a dedo pelos U-S-A. A paz exige sacrifício e determinação. sem opinião
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eduardo de souza (628) 24/01/2010 19h07
eduardo de souza (628) 24/01/2010 19h07
Não acredito que por em risco sua própria gente será barreira para os "adoradores do caos". A Espanha acena que esta fora dos conflitos pesados, a China só vai obeservar, outros países também terão lucidez e cairão fora. Sobrará a batata quente para aqueles que a "fornaram", e terão que arcar com seus atos, pois o que enfrentarão já derrotou outros impérios no passado. O Irã não é qualquer um não. Quem viver verá. 3 opiniões
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J. R. (1256) 20/01/2010 07h29
J. R. (1256) 20/01/2010 07h29
O assassinato do físico nuclear iraniano Masud Ali Mohammadi, engajado ao movimento nacionalista iraniano, obviamente foi obra da Cia e Mossad, pelas caracteristicas, embora neguem até o fim como sempre fazem. Com esse ataque terrorista agora deverá ocorrer uma espécie de "caça às bruxas" na Universidade de Teerã, e talvez esse seja, além de
assassinar o professor, o objetivo final da ação, que é dividir internamente o Irã. Como os U-S-A divulgaram recentemente, o que está ocorrendo de fato agora é uma aceleração do programa nuclear do Irã. Pelo andar da carruagem os U-S-A sabem que já não podem mais promover uma guerra convencional contra o Irã, pois poriam em risco suas tropas.
Agora só resta uma saída: tentar minar e derrubar o atual governo iraniano através de ações de terrorismo e sabotagem, o que parece ser algo impossível e só serviria para massacrar ainda mais a oposição. O lider religioso Khamenei fala abertamente que "Todas as partes com tendências diferentes devem se distanciar claramente dos inimigos, em particular as elites influentes, que devem também se abster de fazer comentários ambíguos", o que não deixa de ser o início do combate à influência dos U-S-A sobre a classe média iraniana, e uma nova revolução está em curso para solidificar a atual.
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