"Irã é uma vítima do terrorismo", diz presidente iraniano nos EUA
da Folha Online
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou nesta segunda-feira que seu país é uma vítima do terrorismo, pediu pesquisas sobre o Holocausto e defendeu a questão palestina em um evento na Universidade Columbia, em Nova York, nos Estados Unidos.
O evento, que consistiu em um discurso inicial do presidente e depois foi aberto para perguntas, teve transmissão da rede "CNN".
Em uma pergunta, ele foi indagado sobre o papel de colaborador de seu país com atividades terroristas. Como outras vezes durante o evento, ele inverteu a questão e disse que seu país é uma vítima do terrorismo.
O Irã é acusado pelos EUA de patrocinar o terrorismo, principalmente no Iraque. EUA e França afirmam que o programa nuclear desenvolvido pelo país possui fins militares, o Irã nega e insiste que os objetivos da atividade são energéticos.
| Vahid Salemi/AP |
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| "Irã é vítima do terrorismo", diz presidente Mahmoud Ahmadinejad |
Ahmadinejad sorriu ante sua apresentação em Nova York, feita pelo presidente da universidade, Lee Bollinger, que afirmou que o presidente tinha um comportamento de um ditador cruel.
Bollinger lembrou as questões sobre direitos humanos e política internacional, assim como a negação do Holocausto e os pedidos de desaparecimento de Israel.
Ahmadinejad afirmou que Bollinger utilizou um tratamento não amigável, em conseqüência de pressões da imprensa e de políticos americanos.
Ao contrário de toda polêmica que gerou quando colocou em dúvida a existência do Holocausto, desta vez o presidente do Irã negou que houvesse contestado o evento histórico.
"Eu concordo que isto aconteceu, mas o que os palestinos têm a ver com isso?", disse Ahmadinejad, desviando em seguida da pergunta e focando na causa palestina.
Ele disse que na época que deu as declarações que lhe valeram o apelido de "Hitler do Irã", dado por algumas organizações, ele estava defendendo o direito de acadêmicos europeus que haviam sido perseguidos, segundo ele, por negar ou minimizar aspectos do Holocausto.
"Não há nada conhecido que seja absoluto", afirmou o presidente do Irã.
Ele também afirmou que Israel ocupa as terras dos palestinos e acusou o Estado de racismo. Antes da palestra, Ahmadinejad disse se encontrou com um grupo judaico contra o sionismo.
Ahmadinejad não revidou diretamente as acusações de Bollinger, mas iniciou, após diversas citações ao Corão, críticas à administração do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, e a de antigos governos americanos --ele abordou desde escutas às bombas lançadas em Hiroshima e Nagasaki.
Com Associated Press, Reuters e "CNN"
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Especial




Abdul Khaleq Abdullah, um professor de ciência política da Universidade dos Emirados Árabes Unidos disse: "Eu acho que os Estados do Golfo fazem bem em desenvolver agora estratégias com base na suposição de que o Irã está prestes a se tornar uma potência nuclear. É um jogo totalmente novo. O Irã agora está forçando todos na região a entrarem em uma corrida armamentista."
Esta percepção, por sua vez, gera novas ansiedades e abala velhas suposições.
Escrevendo para o jornal pan-árabe "Al Quds Al Arabi", o editor, Abdel-Beri Atwan, disse que com os recentes desdobramentos "os regimes árabes, e os do Golfo em particular, se verão como parte de uma nova aliança contra o Irã ao lado de Israel".
O chefe de um proeminente centro de pesquisa em Dubai disse que poderia até mesmo ser melhor se o Ocidente -ou Israel- realizasse um ataque militar contra o Irã, em vez de permitir que ele se transforme em uma potência nuclear. Esse tipo de conversa por parte dos árabes quase não era ouvida antes da revelação da segunda instalação de enriquecimento, e apesar de ainda ser rara, reflete o crescente alarme.
"A região pode conviver melhor com uma retaliação limitada por parte do Irã do que viver com uma dissuasão nuclear permanente. Eu defendo a realização do trabalho agora em vez de viver o restante da minha vida com uma hegemonia nuclear na região que o Irã gostaria de impor."
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