Monges mantêm protestos contra junta militar em Mianmar
da Folha Online
Cerca de 10 mil pessoas lideradas por monges budistas foram às ruas de Yangun, a maior cidade de Mianmar, nesta terça-feira, nas maiores manifestações contra a junta militar do país em 20 anos.
Mianmar é um país da Ásia meridional governado por um governo militar desde 1988 que reprime com força manifestações a favor da democracia.
As manifestações em Mianmar tiveram início no mês passado por causa do aumento de combustíveis, mas agora os monges querem também que o governo peça desculpas por ter reprimido protestos recentes de maneira violenta. Veja galeria de fotos dos protestos.
| AFP |
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| Monges se preparam para dar início a manifestação contra junta militar em Yangun |
"As ruas estão lotadas de pessoas aplaudindo e apoiando os monges", disse uma testemunha. "As pessoas não estão com medo. Elas ajudam os monges e oferecem água".
Assim como nesta segunda-feira, quando cerca de 100 mil foram às ruas, os monges se espalharam por várias ruas e marcharam a partir do pagode [santuário oriental de vários andares construído em forma de pirâmide] de Shwedagon, o principal templo sagrado do sudeste da Ásia, que tornou-se "símbolo" das manifestações.
Os protestos terminaram por volta das 17h (7h30 de Brasília). Um monge que parecia ser o líder falou à multidão, dizendo que as manifestações continuarão até que o governo militar peça desculpas pela repressão violenta a um dos protestos anteriores.
Sanções
O presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, irá anunciar mais sanções contra Mianmar, segundo divulgou nesta segunda-feira a Casa Branca.
Em seu discurso na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Bush anunciará sanções financeiras contra membros importantes do regime e contra financiadores deste sistema, segundo Stephen Hadley, conselheiro de segurança do presidente americano.
Bush pedirá que outros países da ONU e a instituição em si tomem providências contra o regime militar.
Atualmente os EUA restringem importações e exportações de Mianmar e também possuem um embargo de armas contra o país.
Conselho de Segurança
Além das novas sanções, os EUA vão pressionar os outros integrantes do Conselho de Segurança (CS) da ONU para apoiar uma ação contra o país, segundo a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.
"A comunidade internacional tem de fazer muito mais do que isso", disse Rice em uma entrevista à Reuters.
"O Conselho de Segurança não deve permitir que isto continue e eu acho que vamos pressionar por uma ação do CS", afirmou Rice.
Com Associated Press e Reuters
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