Mundo
25/09/2007 - 17h38

Sanções de Bush contra Mianmar são ineficazes, diz professor

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DAYANNE MIKEVIS
da Folha Online

As sanções econômicas anunciadas nesta terça-feira pelo presidente dos EUA, George W. Bush, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), contra Mianmar não vão alterar o regime militar do país, segundo Ladd Thomas, professor emérito da Universidade de Illinois, nos Estados Unidos.

Thomas, que está aposentado há dois anos, ministrou o curso da universidade sobre a política e economia de Mianmar por sete anos.

Reuters
Monge segura tigela em protesto na capital de Mianmar, Yangun
Monge segura tigela em protesto na capital de Mianmar, Yangun

"É um país com uma economia fechada e que possui poucos investimentos estrangeiros. Os laços econômicos são predominantemente com países que têm boas relações com o regime, como China, Tailândia, Índia e até mesmo Japão, em certa medida", afirmou Thomas em entrevista por telefone à Folha Online.

"Mianmar simplesmente não se importa com as sanções", disse o professor, para quem, apesar dos protestos, o regime militar que governa o país há cerca de 20 anos não apresenta sinais de enfraquecimento.

O presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, anunciou nesta terça-feira novas sanções contra o país asiático na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Bush pediu aos outros membros da organização que tomem medidas contra a junta militar que governa o país. "Os EUA irão estabelecer sanções econômicas contra os líderes do regime e seus apoiadores financeiros", afirmou.

Além das novas sanções, os EUA vão pressionar os outros integrantes do Conselho de Segurança (CS) da ONU para apoiar uma ação contra o país, segundo a secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice.

Protestos

Os protestos --os maiores em 20 anos-- se iniciaram em agosto último, devido ao aumento no preço de combustíveis. A manifestação cresceu e ganhou adesão de vários grupos do país, que passaram a ir além da questão econômica e adentraram na seara política.

Mianmar é um país da Ásia meridional governado por um governo militar desde 1988 que reprime com força manifestações a favor da democracia.

Em setembro, monges budistas aderiram aos protestos e isto mudou o peso das manifestações, segundo o professor, pois limita a repressão. Mesmo com o toque de recolher e o posicionamento de soldados anunciados hoje, o professor acredita que não haverá violência. "Eles não vão atacar os monges porque, se o fizessem, isto acarretaria uma situação muito difícil", analisa Thomas.

O professor não descarta completamente, no entanto, o uso de violência para coibir os protestos.

"Eles podem agir contra as pessoas que acompanham as manifestações, mas não contra os monges", afirma.

Hoje, assim como nesta segunda-feira, quando cerca de 100 mil foram às ruas, os monges se espalharam por várias ruas e marcharam, seguidos por uma multidão, a partir do pagode [santuário oriental de vários andares construído em forma de pirâmide] de Shwedagon, o principal templo sagrado do sudeste da Ásia, que tornou-se "símbolo" das manifestações.

Os protestos desta terça-feira terminaram por volta das 17h (7h30 de Brasília).

Um monge que parecia ser o líder falou à multidão, dizendo que as manifestações continuarão até que o governo militar peça desculpas pela repressão violenta a um dos protestos anteriores.

Toque de recolher

A junta militar de Mianmar anunciou um toque de recolher e a proibição de reuniões com mais de cinco pessoas, dando sinais de um iminente confronto entre forças de segurança do governo e os milhares de manifestantes que estão nas ruas há oito dias.

O toque de recolher vale para Yangun, a maior cidade do país, e para Mandalay. O anúncio foi feito na noite desta terça-feira por meio de megafones nas duas cidades.

Em Yangun, o toque de recolher vale apenas para algumas regiões. De acordo com o anúncio, as medidas devem ser aplicadas nos próximos 60 dias. Tropas foram destacadas nesta terça-feira na capital, e foram vistas se reunindo em um centro militar em Mandalay.

Não ficou claro de que forma as pessoas que violarem as medidas serão punidas.

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