Confrontos entre tropas e manifestantes matam um em Mianmar
da Folha Online
Soldados dispararam contra manifestantes em Yangun, a maior cidade de Mianmar, nesta quarta-feira, na tentativa de conter os protestos contra a junta militar que governa o país, que já duram nove dias e levaram centenas de milhares às ruas.
Uma pessoa morreu e cinco ficaram feridas na capital, de acordo fontes médicas. Não ficou claro se alguma das vítimas eram monges budistas, que lideram as manifestações.
| Reuters |
![]() |
| Monges budistas sentados em rua de Yangun durante manifestações que já duram 9 dias |
Os protestos --os maiores em 20 anos-- se iniciaram em agosto último, devido ao aumento no preço de combustíveis. A manifestação cresceu e ganhou adesão de vários grupos do país, que passaram a ir além da questão econômica e adentraram na seara política.
Mianmar é um país da Ásia meridional governado por um governo militar desde 1988 que reprime com força manifestações a favor da democracia. Em setembro, monges budistas aderiram aos protestos e isto mudou o peso das manifestações, pois limita a repressão.
A junta militar de Mianmar anunciou ontem um toque de recolher e a proibição de reuniões com mais de cinco pessoas, dando sinais de um iminente confronto entre forças de segurança do governo e os milhares de manifestantes que estão nas ruas há oito dias.
O toque de recolher vale para Yangun e para Mandalay. O anúncio foi feito na noite desta terça-feira por meio de megafones nas duas cidades.
Em Yangun, o toque de recolher vale apenas para algumas regiões. De acordo com o anúncio, as medidas devem ser aplicadas nos próximos 60 dias. Tropas foram destacadas nesta terça-feira na capital, e foram vistas se reunindo em um centro militar em Mandalay.
Não ficou claro de que forma as pessoas que violarem as medidas serão punidas.
Repressão
Nesta quarta-feira, soldados e policiais atiraram bombas de gás lacrimogêneo contra os monges, tentando bloquear a região do pagode [santuário oriental de vários andares construído em forma de pirâmide] de Shwedagon, o principal templo sagrado do sudeste da Ásia, que tornou-se símbolo das manifestações.
| Arte/ Folha Online |
![]() |
Cerca de 200 monges foram detidos em frente ao pagode. Muitos dos manifestantes utilizavam máscaras cirúrgicas para se protegerem dos efeitos do gás lacrimogêneo.
Alguns deles fora agredidos por policiais enquanto eram arrastados à força do local.
De acordo com a agência de notícias Reuters, a ativista Aung San Suu Kyi, que tornou-se símbolo da democracia, foi transferida da prisão domiciliar para o presídio de Insein no domingo (23), um dia depois de cumprimentar os monges em frente a sua casa em Yangun.
Prêmio Nobel da Paz em 1991, ela passou mais de 11 dos últimos 18 anos na prisão devido à sua atividade política.
Sanções
O presidente dos Estados Unidos, George W.Bush, anunciou nesta terça-feira novas sanções americanas contra Mianmar na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU).
"Os EUA irão estabelecer sanções econômicas contra os líderes do regime e seus apoiadores financeiros".
"Nós colocaremos uma expansão aos vetos de visto para esses responsáveis pelas mais flagrantes violações dos direitos humanos", disse Bush, agregando que os americanos se sentem ofendidos pelos abusos em Mianmar.
O premiê britânico, Gordon Brown, pediu a convocação de uma reunião do Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira, dizendo que não haverá "impunidade" para aqueles que violam os direitos humanos no país asiático.
A França afirmou que é preciso "deixar claro" para as autoridades de Mianmar que elas responderão "pessoalmente por atos de violência cometidos contra a população".
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- Saiba mais sobre os protestos em Mianmar
- Sanções de Bush contra Mianmar são ineficazes, diz professor
- Sarkozy vai receber em Paris a oposição birmanesa no exílio
- Bush anuncia novas sanções americanas contra Mianmar
- Podcast: Caio Vilela conta como é acessar a internet na antiga Birmânia
- Podcast: Caio Vilela conta por que o futebol feminino na antiga Birmânia é mais popular que o masculino
Especial



