Repórter japonês morto em Mianmar costumava cobrir conflitos
da Efe, em Tóquio
O repórter japonês Kenji Nagai, que morreu ontem durante um protesto em Yangun, estava acostumado a cobrir conflitos e tinha trabalhado nas guerras do Iraque e Afeganistão, informou hoje a agência japonesa "Kyodo".
O jornalista, de 50 anos, trabalhava para a agência japonesa "APF". Ontem, com uma pequena câmera, ele gravava os protestos contra a Junta Militar birmanesa em Yangun quando foi atingido pelos tiros dos soldados que dispersavam os manifestantes, segundo a "Kyodo".
O Governo japonês anunciou ontem à noite que deve apresentar um protesto formal às autoridades de Mianmar. Mas evitou falar de sanções.
Em entrevista coletiva, o porta-voz do Executivo japonês, Nobutaka Machimura, disse hoje que exigirá um esclarecimento da verdade e que espera que as autoridades birmanesas tomem as medidas apropriadas para garantir a segurança dos cidadãos japoneses no país.
"Vamos considerar o que fazer. Mas por enquanto não estamos pensando em suspender imediatamente nossa ajuda ao país", disse Machimura.
Kenji Nagai pediu à direção da agência para passar uma semana em Mianmar para cobrir a revolta popular.
Toru Yamaji, o presidente da "APF News", afirmou em entrevista coletiva em Tóquio que Kenji Nagai estava em Mianmar para informar sobre a evolução do processo de democratização da nação. Ele lembrou o jornalista como alguém que costumava dizer que "alguém tem que ir cobrir as áreas aonde ninguém quer ir".
O fotógrafo japonês Aika Kano, que trabalhou no Iraque com Nagai, afirmou que ele era uma pessoa muito amável e com um forte sentido da justiça, além de especialmente sensível ao tema dos direitos humanos.
A mãe do repórter, Michiko Nagai, de 75 anos, disse que não sabia que o filho estava em Mianmar. "A última vez que esteve em casa foi há três anos. Quando descobri que ele tinha ido ao Afeganistão, pedi que não fosse mais a nenhum lugar perigoso", contou.
Nagai estudou inglês durante um ano nos Estados Unidos após terminar seus estudos no Japão. Começou então a trabalhar como jornalista free-lance e a viajar por vários países em guerra.
O Clube de Correspondentes Extrangeiros do Japão condenou hoje a morte de Kenji Nagai e o uso da violência por parte das forças de segurança de Mianmar.
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