Mundo
28/09/2007 - 08h49

Mianmar corta acesso à internet e acirra repressão a protestos

da Folha Online

Força de segurança intensificaram a repressão às manifestações contra a junta militar que governa Mianmar, invadindo monastérios budistas e cortando o acesso à internet. As medidas aumentaram a preocupação com a violência contra civis no país asiático.

Ao menos dez pessoas morreram na repressão aos protestos, que ocorrem desde agosto e se iniciaram devido a um aumento de combustíveis, mas acabaram por tomar um tom político e envolver os monges budistas, um grupo especialmente influente no país.

Entre as vítimas está o repórter japonês Kenji Nagai, 50, que morreu ontem durante um protesto em Yangun. Acostumado a cobrir conflitos, tendo trabalhado nas guerras do Iraque e Afeganistão, ele prestava serviços para uma agência de notícias japonesa e, com uma pequena câmera, gravava imagens dos protestos.

AFP
Monges tailandeses demonstram apoio a protestos em frente à Embaixada de Mianmar
Monges tailandeses demonstram apoio a protestos em frente à Embaixada de Mianmar

Mianmar é um país da Ásia meridional governado por uma junta militar desde 1988 que reprime com força manifestações a favor da democracia. Em setembro, monges budistas aderiram aos protestos -- os maiores em 20 anos.

Ao fechar os monges em monastérios, o governo pretende retirar as multidões das ruas.

Manifestações diárias vêm reunindo centenas de milhares de pessoas que exigem o fim dos 45 anos de ditadura militar. O dia mais violento dos protestos ocorreu nesta quinta-feira, quando sandálias ensangüentadas ficaram espalhadas pelas ruas.

Durante os protestos, a multidão gritava: "Queremos liberdade, queremos liberdade!".

Nesta sexta-feira, devido à intensa repressão, poucos manifestantes foram às ruas. O maior número foi estimado no pagode [santuário oriental de vários andares em forma de pirâmide] Sule, onde cerca de 2.000 pessoas se reuniram.

Em outras áreas, forças de segurança dispersaram grupos de 200 a 300 pessoas que pretendiam marchar pelas ruas de Yangun, a maior cidade de Mianmar.

Centenas de pessoas foram detidas, levadas dos locais de manifestações em caminhões.

Caminhões levando tropas também invadiram monastérios budistas na região de Yangun, agredindo e detendo dezenas de monges, de acordo com testemunhas e diplomatas.

ONU

O Conselho de Direitos Humanos da ONU convocará uma sessão de urgência na próxima semana para discutir os protestos que estão ocorrendo em Mianmar e a repressão do regime militar, informaram nesta sexta-feira fontes diplomáticas européias.

Arte/ Folha Online

A realização de uma sessão especial é uma iniciativa do grupo de países ocidentais e, para ser aprovada, precisa do apoio de 16 dos 47 membros do Conselho de Direitos Humanos.

Segundo o procedimento previsto, após ter obtido o apoio mínimo necessário para a convocação, o presidente do CDH deverá fazer o anúncio, provavelmente na segunda-feira.

O Conselho, reunido em sua sexta sessão há três semanas, já debateu na quarta-feira os eventos em Mianmar, e várias delegações --especialmente as européias-- expressaram sua grave preocupação com a repressão das manifestações pacíficas e a violência usada contra monges e civis, que já deixou cerca de dez mortos, assim como mil detenções.

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