Mianmar corta acesso à internet e acirra repressão a protestos
da Folha Online
Força de segurança intensificaram a repressão às manifestações contra a junta militar que governa Mianmar, invadindo monastérios budistas e cortando o acesso à internet. As medidas aumentaram a preocupação com a violência contra civis no país asiático.
Ao menos dez pessoas morreram na repressão aos protestos, que ocorrem desde agosto e se iniciaram devido a um aumento de combustíveis, mas acabaram por tomar um tom político e envolver os monges budistas, um grupo especialmente influente no país.
Entre as vítimas está o repórter japonês Kenji Nagai, 50, que morreu ontem durante um protesto em Yangun. Acostumado a cobrir conflitos, tendo trabalhado nas guerras do Iraque e Afeganistão, ele prestava serviços para uma agência de notícias japonesa e, com uma pequena câmera, gravava imagens dos protestos.
| AFP |
![]() |
| Monges tailandeses demonstram apoio a protestos em frente à Embaixada de Mianmar |
Mianmar é um país da Ásia meridional governado por uma junta militar desde 1988 que reprime com força manifestações a favor da democracia. Em setembro, monges budistas aderiram aos protestos -- os maiores em 20 anos.
Ao fechar os monges em monastérios, o governo pretende retirar as multidões das ruas.
Manifestações diárias vêm reunindo centenas de milhares de pessoas que exigem o fim dos 45 anos de ditadura militar. O dia mais violento dos protestos ocorreu nesta quinta-feira, quando sandálias ensangüentadas ficaram espalhadas pelas ruas.
Durante os protestos, a multidão gritava: "Queremos liberdade, queremos liberdade!".
Nesta sexta-feira, devido à intensa repressão, poucos manifestantes foram às ruas. O maior número foi estimado no pagode [santuário oriental de vários andares em forma de pirâmide] Sule, onde cerca de 2.000 pessoas se reuniram.
Em outras áreas, forças de segurança dispersaram grupos de 200 a 300 pessoas que pretendiam marchar pelas ruas de Yangun, a maior cidade de Mianmar.
Centenas de pessoas foram detidas, levadas dos locais de manifestações em caminhões.
Caminhões levando tropas também invadiram monastérios budistas na região de Yangun, agredindo e detendo dezenas de monges, de acordo com testemunhas e diplomatas.
ONU
O Conselho de Direitos Humanos da ONU convocará uma sessão de urgência na próxima semana para discutir os protestos que estão ocorrendo em Mianmar e a repressão do regime militar, informaram nesta sexta-feira fontes diplomáticas européias.
| Arte/ Folha Online |
![]() |
A realização de uma sessão especial é uma iniciativa do grupo de países ocidentais e, para ser aprovada, precisa do apoio de 16 dos 47 membros do Conselho de Direitos Humanos.
Segundo o procedimento previsto, após ter obtido o apoio mínimo necessário para a convocação, o presidente do CDH deverá fazer o anúncio, provavelmente na segunda-feira.
O Conselho, reunido em sua sexta sessão há três semanas, já debateu na quarta-feira os eventos em Mianmar, e várias delegações --especialmente as européias-- expressaram sua grave preocupação com a repressão das manifestações pacíficas e a violência usada contra monges e civis, que já deixou cerca de dez mortos, assim como mil detenções.
Acompanhe as notícias em seu celular: digite o endereço wap.folha.com.br
Leia mais
- Mianmar viveu breve período de democracia no último século
- Confrontos em protestos matam ao menos 9 em Mianmar
- Conheça a cronologia dos protestos em Mianmar
- Saiba mais sobre os protestos em Mianmar
- Entenda a influência dos monges em Mianmar
- Livro discute o modo de vida na era da tecnologia e cultura digital; leia introdução
Especial



