Mundo
03/10/2007 - 08h23

Líderes das Coréias farão declaração conjunta nesta quinta-feira

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da Folha Online

O presidente sul-coreano, Roh Moo-hyun, expressou nesta quarta-feira sua satisfação com o encontro de ontem com o líder norte-coreano, Kim Jong Il, abrindo caminho para que os dois países divulguem hoje uma declaração conjunta após a reunião.

Os dois lados devem assinar um acordo na manhã desta quinta-feira, segundo Cheon Ho-seon, porta-voz de Moo-hyun. Não foram divulgados detalhes a respeito do pacto.

Nesta quarta-feira, Roh e Kim ficaram reunidos durante cerca de duas horas, no segundo encontro entre líderes das duas Coréias.

Reuters
Líder norte-coreano recebe o presidente da Coréia do Sul em Pyongyang nesta terça-feira
Líder norte-coreano recebe o presidente da Coréia do Sul em Pyongyang nesta terça-feira

Anteriormente, Kim havia proposto que o encontro durasse mais um dia, mas depois voltou atrás, dizendo que as discussões "haviam sido suficientes".

Os dois líderes apertaram as mãos após a reunião, ocorrida em Pyongyang. "Como já tivemos diálogo suficiente, não precisaremos estender o compromisso", disse Kim.

"Não chegamos a nenhum consenso. Houve pontos sobre os quais nossas opiniões coincidiram, e outros sobre os quais elas divergiram", disse Roh durante um intervalo.

"No entanto, ficou claro que Kim possui um desejo firme pela paz, e entramos em um consenso de que é preciso que se chegue a um acordo de paz", acrescentou o sul-coreano.

"A Coréia do Norte ainda não confia plenamente no sul. Temos que nos esforçar para quebrar a barreira da desconfiança", disse ainda Roh.

Segundo ele, Kim disse "lamentar" que o impasse em torno de seu programa nuclear tenha impedido maior cooperação econômica com a Coréia do Sul.

Reunificação

Kim conversou pouco com Roh durante a chegada do sul-coreano nesta terça-feira a Pyongyang. A recepção foi bem diferente da que o norte-coreano preparou para o então presidente sul-coreano Kim Dae-jung em 2000,
quando os dois líderes se abraçaram, embarcaram no mesmo carro e entoaram cantos patrióticos.

Seo Myung-kon/AP
Cartaz fala sobre o encontro e mostra os dois líderes coreanos
Cartaz fala sobre o encontro e mostra os dois líderes coreanos

Nesta quarta-feira, as duas Coréias comemoram a fundação da nação coreana há 4.300 anos. O país foi dividido logo após a Segunda Guerra Mundial, já em um contexto de Guerra Fria, durante a Guerra da Coréia (1950-1953). Um tratado de paz sobre o conflito nunca foi assinado, assim, tecnicamente, as duas Coréias continuam em guerra.

Roh, que assumiu a Presidência há apenas cinco meses, disse que sua prioridade é trazer paz para a península, e talvez conseguir alguma espécie de tratado de paz com o norte.

Diplomatas norte-coreanos também citaram uma intenção de reunificação das duas Coréias.

'Nada é mais urgente e importante do que a reunificação de nossa nação, que tem vivido por mais de meio século os sofrimentos da divisão territorial imposta por forças estrangeiras', disse o vice-ministro das Relações Exteriores da Coréia do Norte, Choe Su Hon, na Assembléia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), segundo a Associated Press.

Nuclear

O encontro ocorre durante a uma pausa no diálogo em torno do programa nuclear norte-coreano, enquanto os seis países envolvidos analisam a assinatura de um acordo dentro do qual Pyongyang desativaria sua principal instalação nuclear até o final deste ano.

O acordo estabelece que a Coréia do Norte iria desativar o complexo de Yongbyon e declarar o fim de seu programa nuclear até o final deste do ano, segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Sean McCormack.

O principal negociador americano para a questão nuclear norte-coreana, o vice-secretário de Estado Christopher Hill, disse que os Estados Unidos aprovaram a elaboração do documento, e que os outros países envolvidos no diálogo --China, Japão, Rússia e as duas Coréias-- deveriam aprová-lo antes que ele seja divulgado, nos próximos dias.

Uma vez que o acordo seja assinado, a desativação poderia ocorrer "dentro de semanas".

Os envolvidos iriam aportar ajuda à Coréia do Norte como parte do acordo, mas não se especificou a quantia que seria destinada ao país.

Com Associated Press e Reuters

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