Mundo
03/10/2007 - 11h55

Tropas fazem patrulhas e invadem casas em Mianmar, dizem EUA

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da Folha Online

O Exército de Mianmar anunciou nesta quarta-feira que procura manifestantes pró-democracia nas maiores cidades do país.

Veículos militares com alto-falantes patrulham as ruas da cidade antes do amanhecer e repetem, em alto volume: "Nós estamos fotografando. Nós faremos prisões".

A embaixadora interina dos Estados Unidos em Mianmar, Shari Villarosa, disse à agência Associated Press em Bancoc que as pessoas em Yangun estavam "aterrorizadas".

A mais alta autoridade diplomática dos EUA no país disse que a Polícia Militar está tirando pessoas de suas casas durante a noite. "Pelo que sabemos, a Polícia Militar (...) está rondando a cidade durante a noite, entrando nas casas e detendo as pessoas", disse.

David Longstreath/AP
Mianmarense usa protetor solar enquanto aguarda cruzar fronteira com a Tailândia
Mianmarense usa protetor solar enquanto aguarda cruzar fronteira com a Tailândia

Moradores da área do pagode Shwedagon --um dos santuários mais famosos de Mianmar e foco dos distúrbios-- disseram que a polícia vasculhou dezenas de casas no meio da noite, levando diversas pessoas para interrogatórios. As casas estão localizadas acima de lojas de um mercado que fornece comida aos que estão no templo.

Forças de segurança vigiam os manifestantes desde agosto. Nos dias 26 e 27 de setembro, as tropas coibiram as manifestações com armas de fogo, bombas de gás lacrimogêneo e golpes de cassetetes.

Autoridades dizem que dez pessoas morreram nos confrontos, mas grupos dissidentes afirmam que os mortos chegam a 200. Segundo eles, por volta de 6.000 pessoas foram detidas, incluindo centenas de monges budistas que lideraram os protestos. As manifestações começaram com uma marcha contra o aumento do preço dos combustíveis.

Mosteiros vazios

Villarosa disse que os funcionários da embaixada recorreram vários mosteiros nos últimos dias e os encontraram completamente vazios.

Outros tinham barricadas de militares que impediam a entrada. "Há uma redução significativa de monges nas ruas. Onde eles estão? O que aconteceu com eles?", perguntou a representante dos EUA.

A rádio dissidente "Democratic Voice of Bruma", instalada na Noruega, disse que as autoridades liberaram 90 de 400 monges detidos em Myitkyina durante a invasão de mosteiro na noite do dia 27 de setembro.

A Junta Militar também mantém outros tipos de intimidação. Um funcionário do Ministério dos Transportes que falou em condição de anonimato disse ter sido obrigado a assinar uma declaração de que sua família não faria parte de nenhuma atividade política, nem ouviriam nenhuma rádio estrangeira.

Muitos birmaneses usam rádios de ondas largas para escutar as notícias em inglês, na procura de informações sobre o controle imposto no país.

Fuga

Na quarta-feira, a ONG Human Rights Watch em Bancoc apresentou um homem que diz ter sido major do Exército e fugiu do país pela Tailândia.

Arte/ Folha Online

O grupo divulgou a transcrição de uma entrevista com o ex-militar, que demonstra comoção quando fala sobre os conflitos.

"Eles [os manifestantes] são pacíficos. Quando eu escutei que atiraram neles e usaram armas e bombas de gás, fiquei muito triste e pensei que o Exército deveria apoiar seus cidadãos".

A Human Rights Watch impediu entrevistas ou fotografias do homem, dizendo que isso poderia "comprometer sua segurança".

Sanções

A União Européia (UE) entrou nesta quarta-feira em acordo para expandir as sanções contra o regime militar em Mianmar, contra a forte repressão imposta pelo governo do país às manifestações pró-democracia.

Portugal, que exerce a Presidência rotativa da UE, disse em uma declaração que as 27 nações do bloco irão "endurecer as sanções contra o regime".

Diplomatas disseram que as sanções poderiam ser estendidas para a proibição de vistos para membros da junta militar e de produtos importados, como madeira e pedras preciosas.

Segundo os diplomatas, as novas medidas devem ser aprovadas pelo Ministério do Exterior da UE em duas semanas.

Com Associated Press

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