Forças de segurança detêm funcionária da ONU em Mianmar
da Efe
da France Presse
Forças de segurança detiveram hoje em Mianmar uma funcionária da ONU (Organização das Nações Unidas) e sua família durante uma grande operação realizada em Yangun contra potenciais opositores. As informações são de pessoas ligadas à entidade.
A detenção da funcionária, de 38 anos, aconteceu durante a madrugada, em sua casa, na parte antiga da cidade. A identidade da detida não foi revelada para não prejudicar as negociações da ONU com as autoridades militares, em busca de sua libertação.
O chefe de representação da ONU, Charles Petrie, confirmou à agência de notícias Efe que o marido e os dois filhos do casal também foram presos.
Dezenas de pessoas foram detidas durante uma operação realizada em Yangun, menos de 24 horas depois do enviado especial das Nações Unidas, Ibrahim Gambari, tentar convencer a junta militar de Mianmar a colocar fim à repressão e à violência.
Os detidos, segundo testemunhas citadas por emissoras de rádio vinculadas à dissidência birmanesa, foram retirados de sua casa durante a noite da terça-feira e nesta madrugada, e colocados em caminhões militares, que partiram com destino desconhecido.
As mesmas fontes disseram não saber o número de detidos, mas calcularam terem sido presas várias centenas de pessoas. Entre os detidos estavam famílias inteiras, disseram.
Relatório da ONU
O enviado da ONU, Ibrahim Gambari, preparava nesta quarta-feira um relatório sobre seus encontros com a junta militar e com a opositora Aung San Suu Kyi, enquanto a comunidade internacional manifestava preocupação em relação à violenta repressão das manifestações em Mianmar.
Gambari se reuniu em Cingapura, de onde deverá viajar para Nova York para se reunir com o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, provavelmente na quinta-feira.
O enviado especial percorreu Mianmar durante quatro dias para encontros com dirigentes da junta militar em sua remota capital, Naypyidaw, e em duas oportunidades com a Prêmio Nobel da Paz Aun Sang Suu Kyi, mantida em prisão domiciliar em Yangun.
O veterano diplomata nigeriano foi enviado a Mianmar para expressar a indignação internacional pela violenta repressão infligida pela junta militar contra as manifestações pacíficas da semana passada, que deixaram pelo menos 13 mortos e mais de mil detidos.
Resistência
No entanto, um ex-mediador que ajudou em importantes negociações entre a junta e a oposição advertiu que a crise está longe do fim e que os generais não deram sinais de que estão dispostos a um compromisso.
Leon de Riedmatten, que atuou como mediador informal para as Nações Unidas, afirmou que esperava que a visita de Gambari tivesse resultados positivos, mas advertiu que "também é preciso ser muito realista em relação à situação".
"Os generais birmaneses nunca negociaram nada, sempre impuseram sua posição e sua vontade, e não creio que isso tenha mudado agora", declarou de Riedmatten à AFP em uma entrevista em Bancoc.
A imprensa estatal quase não mencionou o encontro de Gambari com o chefe da junta, general Than Shwe, que na única foto divulgada de sua reunião parecia apertar a mão do enviado.
O Japão informou que estudava a possibilidade de acabar a sua ajuda a Mianmar depois que o jornalista Kenji Nagai foi morto a tiros.
Com Associated Press
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