Mundo
04/10/2007 - 14h33

Líder militar de Mianmar diz que pode se reunir com dissidente

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da Folha Online

O líder da junta militar que governa Mianmar, general Than Shwe, disse que pode encontrar pessoalmente a líder da oposição mianmarense e prêmio Nobel da Paz, Aung San Suu Kyi, com algumas condições, segundo reportou a mídia estatal mianmarense nesta quinta-feira.

O anúncio ocorre um dia depois de novas denúncias de prisões e mesmo assassinatos de monges e manifestantes que se colocaram pacificamente contra o regime, no maior em protesto em cerca de 20 anos contra os militares.

Shwe disse ao enviado especial da Organização das Nações Unidas (ONU) Ibrahim Gambari na última terça-feira (2) que se encontraria com a líder dissidente se ela parasse de fazer oposição ao governo em Mianmar e veicular tal posição no exterior, segundo a TV e a rádio estatais veicularam nesta quinta-feira.

"Ao lidar com o governo, Aung San Suu Kyi pediu confrontação, devastação, sanções econômicas e todas as sanções", disse Than Shwe à mídia estatal.

A dissidente ganhou o prêmio Nobel da Paz em 1991 e é conhecida por sua linha de protesto pacífica.

Shwe possui um ódio visceral pela dissidente e explode em raiva apenas ao ouvir seu nome, segundo informações da Associated Press. Ela, que está em prisão domiciliar, não encontrou nenhum alto membro da junta desde 2002. Aung San Suu Kyi ficou detida por cerca de 12 anos dos últimos 18.

Os relatos não dão indicações de que a junta se prepare para suavizar as restrições impostas à líder dissidente ou a membros da Liga Nacional pela Democracia (LND), partido de Aung San Suu Kyi.

"Ao colocar tais condições, o governo mostra que realmente não quer sinceramente encontrá-la", disse Nyan Win, um porta-voz do LND. Os membros do partido de oposição não têm permissão de entrar em contato com sua líder.

Gambari, que realizou uma viagem de quatro dias ao país da Ásia meridional, deve apresentar hoje um relatório sobre a visita ao secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon.

Ban chegou a dizer que a missão de Gambari não poderia ser considerada um sucesso apesar do enviado ter levado "a mensagem mais forte possível" aos líderes militares de Mianmar.

A TV estatal de Mianmar informou que 2.093 pessoas foram detidas em razão dos protestos e que 692 foram libertadas após interrogatórios.

Com Associated Press e Reuters

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