EUA ameaçam propor à ONU sanções contra Mianmar
da Folha Online
Os Estados Unidos ameaçaram propor sanções contra Mianmar no Conselho de Segurança (CS) da ONU caso a junta militar que administra o país não "responda efetivamente" à preocupação internacional em torno da repressão violenta dos protestos pró-democracia.
"Se o governo mianmarense não tomar as providências adequadas (...) os Estados Unidos estão preparados para introduzir uma resolução que imponha sanções", disse o embaixador americano, Zalmay Khalilzad, ao Conselho de Segurança.
"Todos nós devemos nos preparar para analisar medidas como embargos de armas", disse Khalilzad, pedindo que os países vizinhos exerçam pressão para que Mianmar colabore.
| Lai Seng Sin/AP |
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| Manifestantes seguram cartazes com fotos de líder pró-democracia Suu Kyi em Mianmar |
No entanto, a China já havia se mostrado contrária a uma ação internacional contra Mianmar.
"Há problemas em Mianmar, mas eles são basicamente internos", disse o embaixador chinês na ONU, Wang Guangya.
"Nenhuma solução internacional imposta poderá ajudar na situação. Nós queremos que o governo resolva a questão", acrescentou.
Cingapura também demonstrou rejeição à oposição de sanções internacionais a Mianmar.
"Temos que levar em conta a realidade", disse o premiê de Cingapura,Lee Hsien Loong, ao jornal "Straits Times". "Sanções contra um regime que isolado podem ser mais contraproducentes que efetivas".
Cingapura é o principal investidor de Mianmar, uma das economias mais fechadas do mundo.
O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, qualificou o uso da força como algo "inaceitável", e expressou preocupação a respeito das violações aos direitos humanos no país asiático.
"O processo de reconciliação nacional deve ser acelerado, e deve ocorrer da forma mais inclusiva e transparente possível", disse ele.
Diálogo
Os Estados Unidos pedem ainda que a junta converse com a líder da oposição pró-democracia em Mianmar, Aung San Suu Kyi, sem impor condições.
| Arte/ Folha Online |
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A embaixadora interina dos Estados Unidos em Mianmar, Shari Villarosa, foi à capital Nay Pyi Daw para fazer um apelo por um "diálogo construtivo" com os grupos de oposição.
Nesta sexta-feira, Suu Kyi, rejeitou reunir-se com a junta militar do país, dizendo que tal encontro seria "surreal".
O general Than Shwe, chefe militar que causou protestos por deter com violência protestos pacíficas liderados por monges budistas que levaram centenas de milhares às ruas nas últimas semanas, pede que Suu Kyi abandone sua campanha pela democracia, que fez com que ela passasse 12 dos últimos 18 anos detida.
Segundo ele, Suu Kyi deve abandonar o "confronto" e as "medidas de obstrução" ao governo.
Monges presos
Também hoje, a junta militar admitiu que centenas de monges budistas foram detidos durante os protestos, mas que a maior parte já foi liberada e apenas 109 continuam presos.
Em um anúncio na TV, o governo afirmou que procura pelos monges que lideraram os atos.
De acordo com o comunicado oficial, 513 monges, um noviço, 167 homens e 30 mulheres foram detidos em monastérios, mas a maioria foi liberada após passar por interrogatório.
A junta militar afirma que "tudo voltou ao normal" depois que a "menor força possível" foi usada para dar fim às demonstrações, que começaram com pequenas marchas em protesto pelo aumento do preço dos combustíveis e resultaram em grandes atos pró-democracia.
O governo afirma que dez pessoas morreram na repressão aos protestos --os maiores em 20 anos. No entanto, países ocidentais dizem que o número pode ser "bem maior".
Com Associated Press e Reuters
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