Mundo
05/10/2007 - 17h06

Juiz concede liberdade provisória a colaboradores de Pinochet

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da Folha Online

O juiz Carlos Cerda decidiu nesta sexta-feira conceder liberdade provisória aos parentes e colaboradores do ex-ditador Augusto Pinochet que foram processados e presos nesta quinta-feira por desvio de verba pública, informaram fontes judiciais.

A decisão agora deve ser acolhida pela Corte de Apelações de Santiago, que, caso considere a medida a ser tomada, deve ordenar a libertação dos 22 detidos neste sábado.

A medida favorece 22 dos 23 acusados, incluindo a viúva e os cinco filhos de Pinochet.

Roberto Candia/AP
Jacqueline Pinochet, uma das filhas do ex-ditador, ao se apresentar à polícia ontem
Jacqueline Pinochet, uma das filhas do ex-ditador, ao se apresentar à polícia ontem

O único que continuará detido é Oscar Aitken, ex-testamenteiro de Pinochet e que não compareceu ao tribunal, razão pela qual estava sendo procurado pela Polícia.

"Eu tomei a decisão de prender provisoriamente os processador porque o delito me exigia tomar esta medida, mas hoje considerei que não existem elementos para manter na prisão estas pessoas, assim adotei a decisão de lhes dar liberdade", disse Cerda.

A viúva de Pinochet, Lucía Hiriart, continua detida no Hospital Militar de Santiago, enquanto que os cinco filhos dela com o ex-ditador estão em prisões comuns.

A família Pinochet apresentou um pedido de habeas corpus.

Acusações

O juiz Carlos Cerda processou por suposto envolvimento no desvio de fundos públicos a viúva de Pinochet, assim como os cinco filhos do casal: Augusto, Lucía, Verónica, Jacqueline e Marco Antonio.

Também foram processados quatro colaboradores civis de Pinochet --que governou o Chile com mão de ferro entre 1973 e 1990--, além de 13 militares, três deles generais reformados.

Segundo a decisão judicial, existem indícios de que os processados tiveram participação no desvio de fundos reservados que ficavam sob o controle da Casa Militar, um comitê mantido por Pinochet nos últimos anos de seu regime, para contas pessoais do ex-ditador.

AP
Foto de arquivo mostra família Pinochet reunida no Palácio La Moneda, sede do governo
Foto de arquivo mostra família Pinochet reunida no Palácio La Moneda, sede do governo

Quando morreu, em 10 de dezembro de 2006, Pinochet era processado por fraude fiscal e por uso de passaportes falsos, além de ter perdido o foro privilegiado --passo anterior ao processo-- por desvio de fundos públicos.

A investigação sobre a fortuna de Pinochet foi aberta em 2005, após a descoberta de que mantinha contas secretas no Riggs Bank e em outras entidades bancárias.

Desde os anos 80, o ex-ditador acumulou uma fortuna superior a US$ 26 milhões (R$ 47,3 milhões) em tais contas, nas quais usava pelo menos dez nomes falsos.

Segundo a decisão judicial de ontem, apenas US$ 6 milhões (R$ 10,9 milhões) têm origem legal.

"A origem de US$ 20.199.753,03 não tem justificativa razoável, e tudo leva a crer que esta origem se encontra nos fundos de despesas reservados destinados à Presidência da República, à Casa Militar e ao Comando em Chefe do Exército do Chile", disse o juiz Cerda.

Entre 1973 e 2003, as receitas legítimas de Pinochet somaram quase US$ 4,2 milhões no câmbio atual (R$ 7,6 milhões), incluídos aí o salário do Exército, a diária como senador e a pensão como ex-presidente do Chile, entre outras fontes de renda.

Entre os processados estão os generais reformados Guillermo Garín, Jorge Ballerino e Guillermo Letelier, todos ex-chefes da Casa Militar, além de dois advogados que defenderam Pinochet: Ambrosio Rodríguez --que foi procurador-geral da República durante o regime do ex-ditador-- e Gustavo Collao.

Três dos processados são funcionários em atividade do Exército: os coronéis Juan McLean Vergara, ex-adido militar do Chile nos Estados Unidos; Mortimer Jofré, ex-chefe militar de relações públicas e secretário de Pinochet, e Mónica Ananías, que foi secretária particular do ex-ditador.

Com Efe e France Presse

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