Relações entre EUA e Turquia devem piorar, diz Parlamento turco
da Efe, em Istambul
As relações entre os Estados Unidos e a Turquia não estão passando por um bom momento, devido às suas desavenças sobre o futuro do Iraque, disse hoje o presidente da Comissão de Assuntos Exteriores do Parlamento turco, Suat Kinikoglu.
"As relações com os EUA são ruins, há muita tensão, e acho que vão piorar. Eles fizeram uma Guerra do Iraque perseguindo os próprios interesses e nós temos planos diferentes para a região", disse Kinikoglu, do governante AKP (Partido da Justiça e do Desenvolvimento), em entrevista à Efe, em Istambul.
Ancara apresentou queixas formais a Washington pelo que considera "falta de vontade" na luta contra a presença no norte iraquiano do grupo armado PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão), que, segundo o governo turco, usa esse território como base para se infiltrar e cometer atentados em seu país.
A polêmica reacendeu nos últimos meses, durante os quais aumentaram as operações militares turcas na fronteira com o Iraque, com a apreensão de armas usadas pelo PKK de procedência americana.
"É de conhecimento público que os Estados Unidos colaboram com o Partido por uma Vida Livre no Curdistão [Pejak], braço iraniano do PKK, e também sabemos que mantiveram conversas com o PKK, mas não queremos acreditar que os ajudem", afirmou Kinikoglu.
"Os Estados Unidos deverão decidir quem é mais importante para eles, um aliado da Otan [Organização do Tratado do Atlântico Norte] como a Turquia ou os curdos", acrescentou.
Kinikoglu também alertou sobre o perigo da divisão étnica do Iraque, de acordo com o plano aprovado na semana passada pelo Parlamento americano.
Os representantes sunitas e xiitas do Iraque mostraram oposição a essa regra, mas os curdos defendem um estado federado autônomo.
Os Estados Unidos também se posicionaram contra o acordo energético assinado recentemente por Turquia e Irã, e ameaçou sancionar o governo turco por não respeitar o embargo aos iranianos.
Segundo Kinikoglu, é necessário diminuir a importância deste projeto de cooperação energética, porque ele "não é muito significante".
"Temos que admitir que as relações com os Estados Unidos nunca voltarão a ser igual, e devemos apostar em redefinir nossos vínculos", acrescentou.
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