Mundo
06/10/2007 - 16h58

Família Pinochet sai da prisão

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da France Presse, em Santiago do Chile

A viúva do ex-ditador chileno Augusto Pinochet e seus cinco filhos, assim como 16 assessores --processados e presos na quinta-feira (4) por mau uso de verbas públicas-- saíram neste sábado da prisão, assim que a Corte de Apelações de Santiago ratificou a liberdade provisória concedida na sexta-feira (5).

O presidente da sala, Juan Eduardo Fuentes, leu uma longa declaração na qual informou que, por unanimidade, a Quinta Sala do tribunal havia validado a resolução emitida pelo juiz responsável pelo caso, Carlos Cerda.

O tribunal ratificou o valor de US$ 588 de fiança para a viúva de Pinochet, Lúcia Hiriart, e as três filhas, María Verónica, Jacqueline e Lúcia. No caso dos dois filhos, Augusto e Marco Antonio, e de uma ex-secretária do ex-ditador, o pagamento foi suspenso.

"Marco Antonio, Augusto Pinochet Hiriart e Mónica Ananías ficam excluídos da obrigação de pagar fiança", explicou o juiz.

Os advogados da família pagaram de imediato a fiança, o que possibilita a saída da prisão dos detidos.

Internação

As três filhas foram levadas para o COF (Centro de Orientação Feminina), onde dormiram as últimas noites, separadas das outras presas, mas submetidas ao mesmo tratamento de visita e alimentação.

Os dois homens foram para a prisão Santiago 1, onde dormiram na mesma cela. A mãe, por sua vez, ficou no Hospital Militar de Santiago, onde foi internada depois de passar mal ao ser notificada de sua prisão.

O centro médico não divulgou nenhum boletim sobre o estado de saúde de Lúcia Hiriart. Ainda não se sabe se ela permanecerá no hospital ou se voltará para casa.

A família do ex-ditador e 17 ex-colaboradores foram processados na quinta-feira por Cerda, que os acusou do crime de mau uso de dinheiro público e desvio de verba para o exterior. Um antigo auxiliar foi liberado mais tarde.

Em sua resolução, o magistrado acusou a família de Pinochet e os ex-assessores de terem construído uma intrincada rede financeira para se apropriar de fundos públicos, que foram desviados para contas bancárias no exterior, a maioria no Riggs Bank de Miami e Washington.

No total, o governo Pinochet teria desviado durante 22 anos cerca de 20 milhões de dólares.

Entre os ex-assessores de Pinochet processados estão dois coronéis do Exército, Juan Mac-Lean e Mortimer Jofré; seu ex-porta-voz, o general da reserva Guillermo Garín; seu advogado de defesa Gustavo Collao e o ex-testamenteiro Oscar Aitken.

A Quinta Sala da Corte de Apelações escutou durante toda a manhã deste sábado as alegações dos advogados de defesa dos acusados.

"É a perseguição política mais implacável da história do Chile, não contra uma pessoa ou regime, mas contra uma família inteira", disse aos tribunais o advogado Pablo Rodríguez, defensor da viúva Lúcia Hiriart.

"No dia de hoje se restabeleceu em parte o império do direito", comentou o advogado Luis Pacull, defensor de Marco Antonio Pinochet.

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