Mundo
08/10/2007 - 15h02

Mito de Che gera polêmica 40 anos depois de sua morte

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ISABEL SÁNCHEZ
da France Presse, em Havana

Ernesto Che Guevara, lenda revolucionária do século 20, foi morto em 9 de outubro de 1967 na Bolívia e hoje, 40 anos depois de sua morte, o mito daquele que tentou propagar o fogo da rebelião pela América Latina permanece vivo, embora ainda gere controvérsias.

Em Cuba, Bolívia, Venezuela, México, Nicarágua, na Argentina e em outros países onde seus ideais são reivindicados por movimentos sociais ou pela esquerda no poder, serão realizados atos políticos, marchas, shows, mostras de cinema, feiras e exposições fotográficas.

Reprodução
O revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, morto há 40 anos
O revolucionário argentino Ernesto Che Guevara, morto há 40 anos

Santa Clara, cidade tomada por Guevara em 1958 durante a revolução dirigida por Fidel Castro, e onde seus restos se encontram guardados desde outubro de 1997, será o principal cenário da homenagem em Cuba, terra que fez de Che uma figura mítica.

Fidel Castro, seu amigo e companheiro de luta, aos 81 anos se recupera de uma grave doença intestinal há 14 meses e deverá ser substituído no ato por seu irmão Raúl, a quem cedeu o poder no dia 31 de julho de 2006.

Reivindicando a "luta antiimperialista", a Bolívia do líder indígena Evo Morales organizou um tributo em Vallegrande, onde foram encontrados os restos de Che em julho de 1997, e na aldeia de La Higuera, onde o líder revolucionário foi capturado aos 39 anos por um soldado sob ordens do então presidente boliviano, general René Barrientos.

Polêmica

O 40º aniversário da morte do guerrilheiro volta a atiçar a polêmica em torno da autenticidade de seus restos.

Ex-agentes cubanos da CIA e dois jornalistas que acompanharam o caso consideram que os exames realizados na ossada foram manipulados por ordem de Fidel para fazer propaganda política.

Para Cuba, para a família e para os admiradores de Che, os questionamentos são fruto de uma campanha de desprestígio contra a imagem do ídolo e da revolução cubana.

O certo é que seu trágico fim forjou a lenda de um homem cujo rosto, imortalizado em uma foto de Alberto Korda, circula pelo mundo exibido em marchas ou estampado em cartazes, camisas, garrafas de cerveja, cinzeiros e até em biquínis.

Milhões de cubanos e turistas estrangeiros já passaram, desde 1997, pelo Memorial em Santa Clara, onde foi erguida uma estátua de bronze de quase sete metros de altura, segundo dados oficiais.

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