Mundo
08/10/2007 - 23h43

Iraquianos pedem indenização e retirada de empresa de segurança

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da Folha Online
da Associated Press, em Bagdá

Autoridades iraquianas querem que o governo dos Estados Unidos termine todos os contratos com a companhia de segurança privada Blackwater no Iraque em seis meses. Além disso, também pedem que a empresa pague US$ 8 milhões (R$ 14,3 milhões) para cada uma das famílias das alegadas 17 pessoas que morreram quando seguranças abriram fogo contra civis em na praça Nisour, em Bagdá, no dia 16 de setembro.

O governo iraquiano divulgou primeiramente 11 mortos no acidente.

Os pedidos iraquianos, extraídos de um relatório do governo do Iraque, também cogita a possibilidade dos envolvidos no tiroteio de enfrentar julgamento na Justiça do país do Oriente Médio.

O primeiro-ministro do Iraque, Nouri al Maliki, pediu a investigação a seu Ministério da Defesa, membros da polícia, e outros oficiais de segurança.

O relatório também enfatiza a diferença no número de mortos e nos relatos que complicaram os esforços para entender a cadeia de eventos que levou ao tiroteio na praça Nisour.

A investigação iraquiana responsabiliza os quatro veículos da Blackwater pelo tiroteio. A companhia defende que seus funcionários responderam a tiros.

O total das indenizações, que seria de US$ 136 milhões (R$ 247,1 milhões), é tão alto, segundo o documento, porque "a Blackwater usa funcionários que desrespeitam os direitos dos cidadãos iraquianos apesar de serem convidados neste país".

O Exército americano paga compensações a famílias de civis mortos em batalhas ou para cobrir danos em propriedades, mas muito aquém dos valores propostos pelo relatório.

Os EUA ainda não divulgaram conclusões consolidadas sobre o tiroteio, mas há múltiplas investigações em curso e o Congresso abriu um procedimento para investigar o papel das empresas de segurança privada em áreas de conflito.

Na última semana, o FBI tomou uma investigação, por iniciativa do Departamento de Estado.

O relatório também informa que a licença de operação da Blackwater no Iraque expirou em 2 de junho de 2006, o que significa que a companhia não se beneficia das normas emitidas após a queda do ditador Saddam Hussein (morto em 2006), em 2003, que determinam a imunidade dos funcionários de companhias de segurança privada.

O relatório também divulgou que a companhia pode ser processada por normas estabelecidas em um código criminal de 1969.

A Embaixada dos EUA no Iraque informou que não iria comentar o conteúdo do relatório. Abdul Karim Khalaf, porta-voz do Ministério do Interior do Iraque, disse que o documento estava em mãos americanas.

O relatório ainda aponta que funcionários da Blackwater mataram 31 civis no Iraque e feriram 27 em tiroteios anteriores aos ocorridos na praça Nisour.

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