Mundo
10/10/2007 - 14h46

Hamas contesta relatório que aponta 161 mortes em Gaza

da Efe

O Centro Palestino de Direitos Humanos (CPDH) divulgou um relatório que contabiliza 161 mortos durante os combates de junho entre os milicianos do Fatah [movimento moderado liderado pelo presidente palestino, Mahmoud Abbas] e do Hamas na faixa de Gaza, o que foi considerado um "exagero" pelos fundamentalistas.

Segundo o CPDH, 161 palestinos --41 deles civis, entre eles sete crianças e dez mulheres-- morreram durante a semana de combates entre as forças do nacionalista laico Fatah, leais ao presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), e as fundamentalistas do Hamas.

O movimento radical islâmico classificou os dados de "exagerados e incorretos". Em resposta ao comunicado, o diretor do CPDH, com sede em Gaza, Raji Sourani, disse pela manhã que o dossiê, divulgado na noite desta terça-feira, "é correto e corresponde à verdade" dos fatos.

Durante os combates entre a Força Executiva do Hamas, os militantes da ANP e do Fatah também feriram 700 moradores, boa parte deles civis, segundo o documento.

O relatório do CPDH, intitulado "Páginas negras na falta de justiça", acusa os movimentos rivais de terem cometido "severas violações do direito internacional nos conflitos armados".

A entidade destaca que "de acordo com a documentação em seu poder, os dois grupos violaram as normas estabelecidas pela 4ª Convenção Internacional de Genebra (1949)" em seu terceiro artigo.

"Muitas pessoas foram assassinadas traiçoeiramente, e integrantes das duas facções foram executados após terem sido detidos", diz o relatório, em referência aos vários seqüestros de combatentes entre as duas forças. O documento cita ao menos dois casos --o de um membro do Hamas jogado de um edifício de 16 andares, e de outro do Fatah atirado de outro prédio.

Em julho, a ANP apresentou um relatório no qual recomendava o julgamento de 60 oficiais pela perda de Gaza, mas não abordava as violações de direitos humanos nesses dias.

O Hamas --que faz parte da lista de organizações terroristas dos Estados Unidos e da Europa-- tomou o poder na região após os confrontos. O conflito com o Fatah e seu líder, o presidente Abbas, além do boicote imposto pela comunidade internacional ao governo do premiê deposto, Ismail Haniyeh, em 2006, deixaram a faixa de Gaza isolada da Cisjordânia.

Há um ano e três meses, desde a vitória do Hamas nas eleições palestinas de 2006, e a quebra da hegemonia histórica do Fatah nos territórios, deram início aos conflitos --às vezes armados-- entre fundamentalistas e nacionalistas laicos.

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